sábado, 23 de outubro de 2010

ANDANÇAS DO AMOR

                                                                           JORGE BICHUETTI

Somos capazes de amar? Não é o amor algo mágico, grande e puro, para além da nossa humanidade?
Escutemos Drummond:
"O amor é grande e cabe nesta janela sobre o mar. O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar. O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar."
Muitos vezes complicamos o fácil, o expontâneo, o visceral... Quueremos o amor nomeado, com explicações racionais, lógicas e jurisprudência.
Vejamos o nos diz Fernado Pessoa:
"Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?"
Ah! como complicamos e nos acovardamos com o singelo da vida. queremos amar e temos medo de ter sofrer, como se pudéssemos conseguir garantias, atestado de falidade e um guarda-costa, e aí, então, viver como se nada de mal fosse acontecer... Caímos numa redoma mental de medo e insegurança.
Visitemos a audácia e a osadia existencial de Guimarães Rosa:
"È preciso sofre depois de ter sofrido, e amar, e mais amar, depois de ter amado."
Se fugimos do amor, permanecemos iguais, pois ele nos provoca, nos afeta e nos acelera, vamos para além das fronteiras predefinidas do nosso cotidiano.
Notemos a sutileza de Wilde:
"Amar é ultrapassarmo-nos."
Ante os encantos do amor, deliciemos com sensibilidade de Florbela Espanca e nela, descubramos  motivos de nos aventurar na arte de amar:
Amar!

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui...além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente
Amar!Amar!E não amar ninguém!

Recordar?Esquecer?Indiferente!...
Prender ou desprender?É mal?É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó,cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...


 

2 comentários:

  1. "Ah, meu Diário, encontrei quem me ame do jeito que amo! Encontrei quem se perca em mim, como eu me perco em meu amor. Como esse amor me queimou, me devorou! E tudo vai para Rank. É o que ele quer; é o que ele oferece. Ele sente o mesmo que eu – ele se doa. A palavra amor não basta. Estamos enfermos de alegria; morrendo de alegria. Rank ama até a morte, ama com desprendimento – ama."
    Anais Nïn

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  2. O amor é ar, fogo. terra e ar...
    Um poema na esquina, num abraço na praça... Um querer além vivido, um sonhar além do pesadelo.
    é amar.. Um toque, um suave sausssurar. Sem amor, não vivemos. abraços jorge

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