segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

POESIA: ASAS DA SAUDADE ( 2 )

                                               CADEIRA VAZIA
                                                          Jorge Bichuetti

Ah! Ontem, chorei de saudade...
Os retratos amarelados,
nossas canções, cenas passadas,
e a tua cadeira vazia...
No meu peito, uma agonia,
de saber-te na eternidade.

A morte é u'a vã crueldade;
deixa desertos calcinados,
nossas flores despetaladas...
Matando toda alegria,
pondo cinzas no novo dia:
com um sol sem luar... só saudade!


                   VIA CRUCIS DA PAIXÃO
                                                    Jorge Bichuetti

A rua silenciosa
nãoviu, meu coração,
partido e triturado,
do mundo desencantado,
com a tua negativa;
deixando-me sem palavras,
nem vendo minhas lágrimas
que choviam na calçada,
sem relámpagos, sem trovões...

Ali, morri  com o amor...

Agora, espero a vida
com suas proezas
e trapaças;
espero, no azul
de um novo amor,
a minha ressurreição.


            LONGE, CANTA O SABIÁ
                                         Jorge Bichuetti
                               ( para todas as vítimas das ditaduras na América Latina )

Longe, canta o sabiá...
Canta e sonha, além;
longe, da brisa de cá...
e já não colhe nas palmeiras
a seiva  do seu país...

Longe, canta de alma sofrida,
os que um dia morreram
sem o adeus da partida...
Tristes flores... sem sementeiras,
são, hoje, invisíveis cruzes
no solo do seu país...


                            MÃE
                                  Jorge Bichuetti

Nas noites de inônia,
recordo a tua voz
e as cantigas de ninar...

Nos dias de solidão,
pressinto os teus beijos
e as tuas renúncias
no viver...
e no me amar...

Nos dias de primavera,
teu perfume é m'ia flor
e, nela, te reencontro...
me pondo, logo, a sonhar...


                         PAI
                              Jorge Bichuetti

Aquele peixe pulou
das minhas mãos de menino
e seguiu a correnteza...

Você partiu, deixando-me;
depois, de velho, um menino,
nas re-voltas da tristeza...


TROVAS DA SAUDADE
Jorge Bichuetti
Entres livros caminhei,
levando-os no coração;
e, hoje, nem mesmo eu sei,
porque jazem no porão...
             ***
Gabiroba.Riacho belo.
Crianças e cantorias...
A vida girava leve
e eram azuis nossos dias.
             ***
Nosso amor era florido
co'as mais ternas ilusões;
vindo os tristes desencantos,
fez-se cova de leões...



9 comentários:

  1. Poemas tristes e belos... Perder os amados é algo difícil de entender e aceitar!

    bjos ternurentos
    Anne

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  2. Nossa, tocou fundo no meu coração! Uma nostalgia meio depressiva. Beijos

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  3. Anne, querido: de tempo em tempo, a vida me pede para ver as tristezas, aproveito e já vasculho todas que emergem... As dores ficam conosco. Não são antíteses da alegria; porém, precimos encontrar canais onde elas nem polarizam demais, nem sejam racionalizadas. Na minha vida e meu ofício psi, a poesia é este canal magnífico.
    a lágrima devindo-se orvalho...
    Abraços, com imenso carinho, Jorge

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  4. Tânia, escrevo alegre, triste, erotizado... e às vezes, escrevo partilhando a vida do outro que me toca.
    Estes são meus...
    Um domingo de nostalgia: uma revisão nas dores e desencantos guardados no porão das intimidades esquecidas no cotidiano.
    Abraços, Jorge

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  5. Jorge

    As dores ficam sim conosco, mas precisamos aprender a deixá-las ir. E sim o poetar é um canal maravilhoso para manter alguma perspectiva, qquer uma que seja...

    beijos
    Anne

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  6. Idealizações à parte, você é um ser humano incrível. Abraços para você!

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  7. Tânia, estive no blog seu e a amei mais, já havia gostado de você... mas umblog , é umlugar de desnudamento... e de voos estelares... continuemos, buscando oalvorecer da ternura e denova suavidade para todos,
    Carinhosamente, Jorge

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  8. Caro Jorge,
    Confesso que não sei ao certo com vim parar aqui no seu blog, porém achei-o maravilhoso, seus poemas são excelentes. Parabéns,

    Abraços!

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  9. Miquito, é uma alegria têlo entre nós e seria uma alegria que pudesse sempre voltar; lhe agradeço o carinho, abraços , jorge

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