domingo, 20 de março de 2011

DIÁRIO DE BORDO: A FERA NASCE NAS PRISÕES; O BELO, NA ESTRADA...

                                                                       Jorge Bichuetti

A vida continua... A chuva caindo mansa, a Lua dormindo... Um silêncio de domingo.
Nem todo domingo é domingo. Digo, assim, quieto e sossegado com gosto de roça e cheiro de café quentinho.
Livros e filmes empilhados mirando com inveja os discos que, embora guardados, devem ganhar outra vez...
Ontem, a casa era festa... Dia de Universidade Popular... Amigos, velhos e novos... Todos se sentindo entre a magia do sonhos e a poesia de uma nova realidade.
Choveu todo o dia... Cântaros de água...
Normalmente, a chuva me inibe, paralisa e me leva para a suave tranquilidade de uma acolchoada cadeira-de-balanço... Nada à espera do nada...
Ontem, aprendi o valor do pensamento de Nietzsche na prática.
Quase sempre, esperamos as condições ideais parra viver nossos sonhos e desejos; e nos perdemos de nós mesmos na primeira dificuldade.
Tudo correu com alegria e persistência... Problemas contornados com serenidade; problemas superados com adaptações criativas e produtivas.
Vi o quanto nos escondemos da vida, justificando-nos por detrás de minúsculos e insignificantes empecilhos e contrariedades.
Oh! Velho e amigo Nietzsche... Nada se consegue, nada se conquista, se não lutamos, bravamente, exercendo nosso vontade de potência que nasce de uma verdadeira posição de desejo.
Ou como diria  nosso poeta: " a vida é combate, que os fracos abatem... mas que os fortes, os bravos só sabem exaltar"...
Se nos desanimamos, perante os obstáculos, recuamos e nos desconectamos do nosso desejo que nos mobilizou num exercício de potência; e acabamos formatando um corpo dado à impotência.
Assim, repetindo esta experiência de desânimo e desalento nas intempéries, caímos no conformismo, na acomodação e na alienação... E ficamos com um corpo servil, apático, desvitalizado, submisso e vulnerável...
O além-do-homem, O Super-Homem, de Nietzsche, não era uma raça pura e bélica. É o corpo que se afirma na luta persistente e disciplinada... é a potência que se afirma nos embates com os obstáculos... é o desejo que não se retrai ante as pedras do caminho...
Com um corpo potente, desejante e afirmativo vivemos com intensidade, alegria e paz...
Não a paz covarde da acomodação reativa; mas a paz que nasce da luta e da harmonia entre nossa vida e nossos desejos e sonhos...
Pude viver; pude experimentar...
E nessa ousadia alegre, trocamos e reafirmamos uma caminhada...
Foi, assim, que pude ouvir e me emocionar com o trabalho coletivo.
Ainda ressoa, no meu coração, a palavra de uma amiga que traduzindo o que via, ouvia e sentia, relembrou Kundera e disse: " A beleza do acaso é o último estágio da história da beleza."

12 comentários:

  1. Jorge meu lindo, vim aqui me banhar na poesia. Que lindos seus poemas Medo e ansia e Não me deixe. Salve. Salvei nos Meus documentos. beijo M

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  2. Toda palavra depende do contexto. E toda palavra é palavra de ordem. Eu já acho que da gruta pode nascer muita coisa fantástica, além da fera. A gruta de Zaratustra, a cabana do eremita e por aí vai. Há muitas estradas e todas levam à gruta.
    beijo
    Marta

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  3. MARTA, QUANTA SAUDADE! ONTEM A UPOP FOI LINDO, ESPAÇO LISO. FICO FELIZ COM SUA AMIZADE, ME FAZ SENTIR ACONCHEGADO E MENOS SOLITÁRIO, ABRAÇOS COM CARINHO, JORGE

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  4. MARTA: CONCORDO EM NÚMERO EGRAU... PENSO QUE NA IDEIA DE FAZER UM TÍTULO POÉTICO COMETI UM ERRO, POIS, TAMBÉM PENSO ASSIM... MUDAREI , AGORA, JÁ... OBRIGADA, QUERIDA, ABRAÇOS COM MUITA TERNURA... JORGE

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  5. Não é crítica, vc sabe, Jorge, pois na nossa escola da esquizoanálise , aprender a admirar é o que mais interessa. Mas eu quis falar com vc, então veio essa idéia de chamar atenção pro centro de solidão que é a gruta. Gruta como sua casa onde nasce o novo. O ôvo. Parabéns pelo nascimento da UPop.
    beijo
    M

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  6. Marta, você é o que há... Sua sensibilidade e sua cultura viva nos alimenta... Cuide de você; pois, lhenecessitamos muito .Abraços com carinho, Jorge

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  7. Sensibilidade até pode ser, o sensível, a pele. Mas, cultura, pelo amor de Deus, cultura não. beijo M

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  8. Marta, penso na sensibilidade, no que brota na pele que experimenta e que desbrava o que pode um corpo.. Uma preocupação é que os acontecimentos são não-causais; porém, agenciáveis pelos entres e alisamentos, raspagens e produções desejantes que geram as "encruzilhadas" onde eles emergem...
    Abraços com carinho e ternura; Jorge

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  9. Ola Jorge
    Já abri o grupo no Yahoo para a Universidade Popular.
    O endereço é
    http://br.groups.yahoo.com/group/universidade_popularja/

    Alguma duvida?
    Passe o endereço para o pessoal ou me passe o e-mail da turma para eu adicionar.
    Beijos
    Elisa M.B.Carvalho

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  10. Amigo, como observou Nietzsche: o melhor de cada um está nos instintos. Eles são o nosso reino e jamais devemos abdicar este trono. Ou corremos o risco de nos matarmos.
    A solidariedade, a compaixão, o amor, fazem parte do instinto da maioria das pessoas, mas estão sempre em risco diante de ideais traçados por alguns de seus semelhantes com o fim de destruí-los.
    Sigamos os nossos intintos.
    Abraços.

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  11. Elisa, que maravilha! caminhamos com sonhos e os sonhos vão desenhando no horizonte novos caminnhos de vida, arte e alegria... Se possível, lhe passo amanhã a lista, já que toda vez que lido com este processo me embaralho... Abraços com ternura, Jorge

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  12. Amigo, sigamos... Porém, jamais abdiquemosde na vida, recordar Nietzsche e sermos ativos: afirmativos na potência de desenhar a vida. Sempre haverá a luta com os que nos querem reativose submissos,
    Um carinhoso abraços, Jorge

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