Num mundo de depressão, pânico toxicodependência... vazio existencial e angústia urge que pensemos na construção da nossa subjetividade.
A apatia, o desalento, a acomodação e servilismo caracterizam nosso funcionamento assujeitado; passivo-reativo; nadificado e coisificado por um mundo que forja subjetividades submissas, atrofiadas e amordaçadas...
Não vivenciamos o que pode um corpo... As potências da experimentação e nossa capacidade inventiva e inovadora...
Nos arrastamos na vida como escravos das nossas lágrimas e vítimas dos algozes que nos abatem, presas indefesas que somos...
Há um outro mundo no universo da nossa vida que ainda não nos apropriamos: não nos apropriamos da nossa potência criativa e guerreira de funcionar como subjetividade livre.
O que nos bloqueia?... E o que nos sustenta servis e submissos?...
O fatalismo e o niilismo são operadores que criam uma armadura que nos suprime dos contatos e afetações que nos levariam a um funcionamento libertário.
A desesperança é um produto e um produtor das subjetividades assujeitadas.
Se não cremos que há caminhos de libertação só nos resta, então, funcionar como amos ou servos; sendo ambos, formas de assujeitamento quando pensamos o que pode uma vida...
A subjetividade assujeitada, servil e submissa, se sustenta na paranóia: o mundo é dicotomizado e vemos amigos e inimigos, estamos sempre na defensiva... fugitivos de nós mesmos.
A libertação passa , assim, pelo amor, pela ternura, pela solidariedade, pela partilha e pela compaixão...instrumentos éticos, e não morais, de incluir-se e incluir... O assujeitamento funda-se sempre na exclusão, na estigmatização e na negação da alteridade da vida.
O homem servil sempre está alienado de seus desejos e sonhos, pois, se afirma num gueto fascista de exclusão do outro: não aceita novas conexões e sente-se traído com toda perda e partida...
O que nos liberta dos assujeitamentos?
A vida suprimida pelo funcionamento excludente: a magia, a poesia, o sonho, a utopia, a historicidade do nosso caminho e do nosso caminhar...
Para libertar-se, precisamos assumir a autoria do nosso destino, rompendo com os condicionamentos que nos levam a crer e a viver como se a vida sofrida e maltrapilha fosse a única possibilidade, uma obra da natureza... Um fruto do azar; um escrito das estrelas...
Assim, chegamos ao cuidar de si de Michel Foucault e a leitura da violência de Fanon...
Para Fanon, a violência entre iguais, horizontal, é fruto da violência silenciada que sofremos dos que nos exploram e oprimem... Deste modo, a subjetividade livre emerge da ética dos direitos humanos e da ética do bem comum que nos levam a lutar contra as injustiças e pela paz e que nos subjetivam humanidade solidária e terna.
Cuidar de si - todo assujeitamento vem da nossa vida entregue a um alheio... Um tirano, um par simbíotico...
Somos livres quando nós mesmos fabricamos um modo de existir e uma ética... Nos governamos... Autononamente... Libertariamente...
Só somos livres na potência do devir...
Só somos livres nos portais do porvir...
A liberdade é conquista: semente fruto de um novo mundo... Uma poesia viva nos voos de liberdade da arte de existir... De existir para, com e entre... sonhos de amor e poemas de igualdade...
Este imprimi para ler fora do PC, será um prazer reflexionar contigo fora no quntal, depois eu um dia volto aqui, abraços com carinho, Concha.
ResponderExcluirConcha, caminharemos conversando e sonhando; abraços, jorge
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