quarta-feira, 18 de maio de 2011

POESIA: ASAS DA LEVEZA E DA MUNDANEIDADE

                                   HAIKAIS DO RECOMEÇO
                                                             Jorge Bichuetti

ventania e chuva
lavam meus pensamentos;
nu, só, leve vácuo

e as m'ias fantasias -
revoada de andorinhas,
tecem novo céu...


                    TROVINHA SINGELA
                                                Jorge Bichuetti

No terreiro, um varal
coleciona meus retratos:
roupas tecidas no tear
entre sonhos tão pacatos...


                                     CIRANDA 
                                                 Jorge Bichuetti

Rodo no vento
ziguezagueando
entre folhas secas
e nuvens cinzas;
depois, adormeço
na verde relva 
entre silvestres flores
e sonhos azuis...

Ciranda de pedra
e luar de prata:
ondas do mar,
ilusões carnais...
Vidas paralelas -
sinistros pesadelos
no sono angélico
do crescido menino...


                          NOITÍVAGO AMOR
                                                          Jorge Bichuetti

Vampirescos presságios,
olhos vermelhos pétreos,
um perambular noturno
entre vagalumes e aves
negras cantorias toscas
e um cinzento vendaval
                           terror
                          horror
          um vento
           friagem
medo
          lua cheia
     precipício fatal
a morte
          entre o sangue
                     paixão
e a vida
          delírios
          trans-mutação
                   um amor moribundo...


                                   CIO DO DEVIR
                                                    Jorge Bichuetti

O amor abre janelas
vida
corpo
sonhos
e o existir humano
trans-pira
numsacro 
êxtase,
renascença
metamorfose
transformismo,
um alegre voo:
cio do devir...





8 comentários:

  1. Que beleza, delicadeza e lirismo em teus versos, eu tenho no quintal um ninho de andorinhas, agora estão alimentando os pequeninhos... e alimentam também meus desejos de voar e sonhar... e de perpetuar a beleza da natureza que sabe andar sem se descompassar, como os humanos nos descompassamos... como os humanos nos descompassamos... Abraços, Concha

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  2. Concha, a naturez anos alenta e nos ensina lições de ternura e simplicidade, afetividade e voo - liberdade. Nos humanos atropelamos enos atropelamos muito.... estou de pleno acordo, descompassos. Abraços com carinho, Jorge Bichuetti

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  3. Tudo o que eu quero está representado na segunda foto, muita ternura, cuidado e amor. Tenho forças, mas me sinto só diante de tantas adversidades. Hoje eu me sinto bem assim:
    "Quero colo. Vou fugir de casa.
    Posso dormir aqui com vocês?
    Estou com medo. Tive um pesadelo
    Só vou voltar depois das três". Renato Russo

    Beijos

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  4. Tânia, conte sempre comigo: meu carinhoe minha amizade, colo e ombro, minha casa tem anti-pesadelos.
    Abraços com força, carinho e amizade; Jorge

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  5. As fotos são lindas até tocar a alma, eu tb quero informar de que me minha casa tem anti-pesadelos (não tem ruídos de cidade) a estas horas canta o galo e ouvem-se apenas os passarinhos, embora fica longe... Abraços também de força e carinho, Concha.

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  6. Concha, seu coração é um anteparo contra pesadelos, pois sua poesia e seu existir seguem entre a flore a borboleta, vento-céu, e seu espaço parece um re-canto mágico de Galiza que já amo. Abraços com ternura, jorge

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  7. Jorge com tuas palavras sempre volta a mim alguma poesia antiga, que anda por algum lugar voando:
    Meu haikinho:

    Sobre o trigal
    dança de borboletas,
    Canta a cigarra
    CR

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  8. Concha: e les chegam segundo as necessidades da vida, conspiração propositiva da vida conectada numa rede; ontem me pediram para postar uma canção e eu não encontrava um texto nem um con-texto: é belíssimo este haikai... singelo como as velas do mucuripe- a canção.
    Abraços com carinho e afeto terno e-terno; jorge

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