segunda-feira, 23 de maio de 2011

POESIA: ENTRE VERSOS, O RE-VERSO...

                                        FLORES CAÍDAS NA RUA DESERTA
                                                                           Jorge Bichuetti

Flores caídas no chão úmido
volatizam os sonhos da primavera;
no asfalto a rubra mancha
corrói os pés dos errantes
que pisam numa gota de vida
partida na escuridão da noite
pelas mãos invisíveis do inferno,
corporificado no corpo maldito
de um crocodilo humano...

Na rua, a primavera chora...

Anônimas flores cortadas vivas
pelos afiados dentes caninos
da vilania dissimulada dos que
sodomizam a esperança perdida
dos que sem teto na rua vivem...

Na primavera, a rua florescerá...

Um dia, a vida será flores andarilhas
na liberdade comasas e sonhos,
e o amor sem medo numa rua deserta...

Hoje, a rua deserta é povoada de silêncio...

Calados, a multidão vê a violência,
cabisbaixa, silencia entre o medo
da tirania e o seu destino incerto...

Um dia, a primaverá povoará a rua...


                                 HAIKAI DA AVENIDA PAULISTA
                                                                                 Jorge Bichuetti

na avenida, lágrimas
vertidas desnudam nuvens
no chão do Brasil...


MENINICE
Jorge Bichuetti

menino aroeira
bolha de sabão
pipa e peão...
Nu'a trilha da mata
pássaros assobiam
cantigas de ninar
e ele escuta num sonhar:
- cresceste, é hora de amar!...

e o rio caça o calor do mar...

A vida verdeja:
brinca, alucina
na ânsia de esperar...


                              NO MAR, U'A VELA: COMPOSTELA
                                                                               Jorge Bichuetti

Compostela, uma poesia da liberdade
articulada pela vida e sonhos,
risos, olhares e palavras ditas
no emaranhado dos desejos
deum povo que na escuridão
viu e desenhou as cores da aurora...

Oh! meu caminho de Santiago,
mistério medieval; ali, sorri onovo,
verdejante cantoria de u'a juventude
sem idade, sexo ou etnia, é pura
humanidade solidária -  na rua,
floresce, Galiza, esplendor insurgente,
rebeldia feita de árvores celtas
e de atitudes cuja vivacidade
a linguística ainda não reconhece,
pois é devir, um por-vir, já presente
nos delírios de quem não separa 
o florir do existir... num ser pura... ousadia.


10 comentários:

  1. Jorge, bom dia... entrei sabendo que talvez iria encontrar lágrimas, e assim foi, mas são lagrimas que me permitem sair mais ligeira e forte para o dia, que começa sem esperar por mim... No mar u'a vela: Compostela passou a morar em meus olhos e criou raízes, dai que as lágrimas saíssem para deixar espaço dentro para o novo, e esses outros versos todos, e as imagens, particularmente impactante essa desse homem sentado no chão com seu gesto humano, frente a deshumanização uniformada... Quanta dor, despreço, teremos que aguentar, abraços com carinho e irmandade, Concha

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  2. Bom dia meu querido Jorge!
    Você já postou a ficha de incrição para os cursos da Universidade Popular?
    Estou divulgando o seu blog para maiores informaçoes.
    Beijo no coração
    Sumaia

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  3. Concha, vamos resistir e reinventar os caminhos com poesia, cantigas e trincheiras de flores e luares... A luta persiste... E a magia da companhia dos amigos vão nos dando novas forças, nova vida.
    Já estamos começando a fomentar novas atuações: lutar sempre, com samba, cantoria e internacionalismo de irmandade , flores da ternura; Abraços com carinho e um dia de paz, força compartilhada e sonhos remoçados... Jorge Bichuetti

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  4. Sumaia, já postei e postarei novamente hoje... Também, iremos divulgando com persistência... repetidas vezes; pode orientar também a entrar nos comentarios e postar: em qualquer um , eu tiroe monto um arquivo...
    Abraços com votos de um dia radiante na paz e na alegria dos sonhos .
    Jorge

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  5. Abraços, amigo Jorge, coloquei uma música no poema de hoje, poem que escrevi imediatamente após ter deixado esse anterior comentário aqui acima, para colocar a música não dera tempo, vai agora: 'aló irmão' essa música dá muita força... é linda, outro abraço com toda a ternura necessária, Concha

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  6. Concha, sempre seguimos entrelaçados pela ternura e pela amizade; a poesia há de nos reerguer para novos sonhose novas luta... Sempre... e sinto-a valente e terna , um luar guerreiro clareando a noite,
    abraços com imensa ternura, Jorge

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  7. Haikai da opressão
    minha mãe me ensinou
    que a polícia existe
    para nos proteger
    Mãe! Se protege
    jogando bomba
    no povo?

    Tânia Marques


    Beijosssssss

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  8. Tânia, minha indignação é ver a violêncio e a mmaioria sorrindo como se tudo fosse festa.
    Abraços com carinho, Jorge Bichuetti

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  9. Tânia, que cousas tem o mundo, no que eu cresci, com uma mãe panteísta e um pai ate, me ensinaram que havia cousas as que temer: o lobo, um boi solto, a santa companha (vem do além) uma víbora que te pode matar, e a 'Guardia Civil'... rs, enfim, mundos... Abraços de paz para todos, hoje vou levar comida ao Obradoido de Compostela, segue com força a resistência... Concha

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  10. Concha, força e abraços do meu coração a todos do Obradoiro: com sonhos de liberde, nossos corpos são versos que desenham no horizonte a força do porvir que já se quer futuro na sua ânsia de amar elibertar; ele o povir pede aos versose cantos, aos que lutam e sonham, que o conjugue no agora, pois, ele quer sorrir e libertar; voar e florescer nos caminhos da justiça social e nos bventos da mudança.
    Abraços com carinho, Jorge

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