domingo, 14 de março de 2010

DIÁRIO DE BORDO: NO TEMPO DA DELICADEZA

                                            ... NO TEMPO DA DELICADEZA
                                                                                       jorge bichuetti

Vivemos tempos áridos... As guerras, a violência urbana, a miséria e o desamor... Um tempo de hostilidades, rispidez, truculências...
Todo dia encontramos um olhar que nos olha e não nos vê... Uma palavra rude que nos corta e cujo sangue goteja sem a cumplcidade de um abraço amigo... Um entrave burocrático, um atropelo do sistema...
Todo dia... vemos a Terra agonizando e clamando pelas feridas milenares do rude trato humano que recebe.
Todo dia... escutamos alguém que se sente menos, desvalido, porque atropelado pelo humor caústico de um outro que não deu atenção.
Todo dia... Todo dia...
Um jovem corpulento fura a fila e o velho atrás, agora, engole seco, contendo sua indignação por instinto de autopreserversão;
Um chefe humilha um subalterno que se cala preservando o emprego;
Um mendigo é tripudiado, um cão é pisoteado, um grito inibe a voz trêmula de algum indefeso;
Um homem, todo dia, é desumanizado pela indelicadeza vigente.
Pais e filhos se agridem, professores e alunos se desrepeitam...
Todo dia... um amor se torna menos amor pela desatenção, pela falta de carinho e respeito, pela ausência de ternura e amabilidade.
Quando olhamos a vida e a queremos nova, não podemos evitar de entender que urge decretar um novo tempo.
... O tempo da delicadeza!...
Se o "o deserto é fértil", como afirmava Dom Hélder, floresçamos...
Comecemos já...
Sejamos amáveis, ternos, respeitosos, gentis, carinhosos...
Semeemos flores pelos caminhos das nossas existência.
Uma rosa na janela... Um afago de carinho... Uma palavra doce e compreensiva... Um gesto de educação...
Andemos pela praça de mãos dadas...
Cedamos algo pelo outro...
Abaixemos o tom da nossa voz...
Calemos, evitando dispustas inúteis...
Auscutemos as necessidades daqueles que nos cercam...
Permitamos que o devir ternura remodele nossas vínculos e relações, tornando-as afáveis, melodiosas, cantigas de viver e fazer viver...
Um beijo, um abraço, um bilhete acolhedor, uma palavra amistosa...
... " Não perder a ternura jamais"
Semeá-la.
Talvez, pareça difícil e até mesmo fora do tempo: sim, é um o outro tempo, o tempo da delicadeza.
Difícil? Não, não o é, pois como assevera Gullar" somos muitos homens comuns e podemos formar uma muralha com os nossos corpos de sonhos e margaridas."

3 comentários:

  1. Gentileza
    Gonzaguinha

    Feito louco
    Pelas ruas
    Com sua fé
    Gentileza
    O profeta
    E as palavras
    Calmamente
    Semeando
    O amor
    À vida
    Aos humanos
    Bichos
    Plantas
    Terra
    Terra nossa mãe.

    Nem tudo acontecido
    De modo que se possa dizer
    Nada presta
    Nada presta
    Nem todos derrotados
    De modo que não de pra se fazer
    Uma festa
    Uma festa.

    Encontrar
    Perceber
    Se olhar
    Se entender
    Se chegar
    Se abraçar
    E beijar
    E amar
    Sem medo
    Insegurança
    Medo do futuro
    Sem medo
    Solidão
    Medo da mudança
    Sem medo da vida
    Sem medo medo
    Das gentilezas
    Do coração.

    Feito louco pelas ruas...

    Bj, Samara.

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  2. Dr Jorge,

    Segundo o psiquiatra R. L. Laing, nada mudou mais o nosso mundo nos últimos séculos do que a obsessão dos cientistas pela medição e pela quantificação. Deveriam ser retiradas da ciência propriedades como som, cor, sabor ou cheiro, pois eram projeções mentais subjetivas. Edgar Morin destaca que o paradigma mecanicista é um paradigma de separação. Separou-se o sujeito do objeto, a filosofia da ciência; separou-se o conhecimento das artes do conhecimento que vem da pesquisa científica e separou-se o homem da natureza.

    O Diário de Bordo ... NO TEMPO DA DELICADEZA, nos mostra que o planeta tem cada vez mais necessidade de pessoas aptas a aprender os problemas fundamentais e globais, e a compreender realidades complexas, transversais, multidimensionais, globais e planetárias.

    Para tal, é necessário que haja abertura para o novo e coragem de renunciar ao conhecido. É o ser humano voltar a ser parte, e não estar à parte. Emerge a necessidade de se eleger uma ética, fenômeno este essencialmente humano e necessário para garantir a sobrevivência dos seres humanos.

    Dr Jorge finaliza ... NO TEMPO DA DELICADEZA: “Difícil? Não, não o é, pois como assevera Gullar’ somos muitos homens comuns e podemos formar uma muralha com os nossos corpos de sonhos e margaridas."

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  3. Gentileza, vida divida: não somos suaves porque seguimos padrões excludentes. Na ciência, no trabalho, no amor e na rua somos homens desconectados do ético e do estético, da natureza e da arte, somos homens instrumentais - técnicos que buscam a vitória e não o encontro, a supremacia e não a solidariedade, a cooperação e gentileza que nos agregaria numa comunidade libertária. jorge bichuetti

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