HOMENS EM SÉRIE
Jorge Bichuetti
Somos normais. Sabemos comportar em público e espertamente escondemos nossas esquisitices privadas.
Acordamos cedo. Trabalhamos. Almoçamos e palitamos os dentes.
Vestimos segundo a moda. Falamos baixo.
Nosso sorriso é cinza. Cinzenta é a nossa vida.
Vivemos e nem perguntamos se somos felizes. Convivemos e nem nos implicamos com a dor alheia.
Trabalhamos. Economizamos trocados.
Lazer? A TV ligada é cantiga de ninar, embaralhada com os nossos roncos, roncos de um corpo exausto.
Sonhos? Os esquecemos...
Decidimos viver seguindo a correnteza.
Acreditamos donos de nós mesmos, proprietários do nosso destino. Mas? e, se paramos para refletir, descobrimos: somos um papel dado, um servo de regras e normas.
Somos normais. Afinal, olhamos em volta e a maioria igualmente vive maquinalmente cinzenta.
Não temos tempo: tempo para si mesmo, tempo... Tempo de criar, sonhar, amar e ser feliz.
Outros homens existem, homens diferentes.
E nós, escravos do relógio e do cartão-de-ponto, da opinião alheia e da nossa segurança pessoal, desdenhamos: eles são loucos!...
Dizemos robustos: somos a saúde.
... Porém, se investigássemos o nosso próprio coração. descobriríamos: somos robôs, homens em série. Clones de um ideal imposto, e homens que se perderam na estrada, esquecidos de que viver é humanizar-se.
Homem-livre, onde andarás tua alma?
Plim... Plim... Tic... Tac... Apitos: a fábrica, o trem...
... Um dia, a voz da liberdade romperá os muros da racionalidade do cotidiano de repetições e pedirá ao humano: dê-nos a loucura de viver a alegria de fazer da existência uma novidade e da vida uma pura e plena produção do humano que na sua diferença já se revele as múltiplas cores do devir, de um singelo alvorecer.


Que belezura de texto, Dr. Jorge!
ResponderExcluirUma verdade dura, mas amorosa.
Dialogando com nossas tristezas, não nos resta outra possibilidade a não ser permanecer, ao lado deste tipo humano especial, de uma sensibilidade e olhar inesgotável, que dá forma ao que só tem forma em sua imaginação.
Permanecer, ao lado deste tipo humano especial, mesmo quando o opaco da desesperança insistir em permanecer.
NOSSAS TRISTEZAS DE TODO DIA, de autoria deste tipo humano especial, mostra-nos a urgência de abrirmos o nosso coração a tudo o que pode provocar admiração e beleza.
Instiga-nos a vislumbrar as cores e suas várias combinações, os tons e semitons do mundo.
Convida-nos a lançar sementes de mudanças... Sempre é tempo de recolher frutos.
Dr. Jorge, entra na nossa vida com NOSSAS TRISTEZAS DE TODO DIA para fazer uma grande diferença. Revela-nos que o fio que liga as coisas eternas é um só, e ao puxá-lo podemos ver a história que se procura:
- mundo mais humano e solidário;
- modo diferente de pensar a vida;
- brincar com nossas idéias;
- buscar significados;
- apontar caminhos mais simples
(e às vezes bem antigos, mas
esquecidos);
- envelhecer com sabedoria;
- completar as nossas vidas de
maneira triunfante;
- paz interior.
“A vida caminha rumo à vida”
Afetuoso abraço.
Maria Alice O. Dias
Como sim, sim e sim: podemos recriar nossas vidas e caminhos, recriando o nosso jeito de viver e lutando por uma nova sociedade:um jeito feito de ternura e do brincar , de arte e solidariedade, de afetos amorosos e sonhos de justiça e paz. jorge
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