terça-feira, 28 de setembro de 2010

SOLIDÃO, SOLIDARIEDADE E DEVIRES

                                                                                 JORGE BICHUETTI
A solidão parece uma peste que vitmiza a todos, não deixando sobreviventes; escurece o cotidiano e entorpece os sonhos, transforma-nos num bando de angustiados, deprimidos e deixa a vida tediosa e anêmica.
Contudo, nunca estivemos com tanta possibilidade de contato e relações; o mundo global não aproximou o homem do homem, estamos conectados, porém solitários e com um sentimento de profundo abandono.
A solidão emerge do próprio modo de existir dominante: somos individualistas, egocêntricos e narcisistas.
O outro nunca é alguém, objetivamo-los.
Nossa vida gira e caminha , desconhecendo o outro.
Vivemos por nós mesmos: nossos desejos, nossos interesses, nossa famíla, nosso grupo, nossa propiedade, nossos lucros enossas vitórias.
Abolimos até mesmo o nós que nesta versão individualista é apenas o nosso eu hipertrofiado por projeções e identificações, e nunca um estar além de si mesmo para num verdadeiro encontro descobrir no outro o diálogo, a cumplicidade, a generosidade, a ternura e o amor.
A solidariedade é um outro modo de existir, onde a solidão é superada pela inclusão de outras vidas na nossa vida e da nossa própria amplificação num viver que ao englobar o outro, já sonha e caminha num devir humanidade, coletivos fraternos , vínculos de amizade.
Observemos até mesmo a nossa Mãe Gaia tem nos sido mero instrumento que usamos , abusamos e descartamos, não realizando com ela uma união cósmica de afirmação da vida.
Somos sós...
Embora, o sol desperta no mágico colorido de serenidade e paz; os pássaros cantam num epopéia de alegria e esperança; o céu azul nos convida a um mergulho profundo na suavidade perdida; as árvores frutificam a doçura do amor que alimenta e passa; tudo é convite a partilha e a comunhão... Só nós nos negamos e perambulamos na solidão do nosso egoísmo e ostracismo.
Não existe pílula que combata a solidão, o individualismo e o narcisismo; há um antídoto: a solidariedade...
Devir solidariedade no aprendizado diário da partilha genrosa e terna é o único caminho para que não nos apodrecemos, intoxicados de nós mesmos.
e se devimos solidariedade, ainda mesmos quando sós, não padecemos de solidão, porque podemos repetir com Deleuze: " Somos todos desertos, povoados de tribos, faunas e floras".

2 comentários:

  1. Redescobrir
    Gonzaguinha

    Como se fora
    A brincadeira de roda
    Memórias!
    Jogo do trabalho
    Na dança das mãos
    Macias!
    O suor dos corpos
    Na canção da vida
    Histórias!
    O suor da vida
    No calor de irmãos
    Magia!

    Como um animal
    Que sabe da floresta
    Memórias!
    Redescobrir o sal
    Que está na própria pele
    Macia!
    Redescobrir o doce
    No lamber das línguas
    Macias!
    Redescobrir o gosto
    E o sabor da festa
    Magia!

    Vai o bicho homem
    Fruto da semente
    Memórias!
    Renascer da própria força
    Própria luz e fé
    Memorias!
    Entender que tudo é nosso
    Sempre esteve em nós
    História!
    Somos a semente
    Ato, mente e voz
    Magia!

    Não tenha medo
    Meu menino povo
    Memórias!
    Tudo principia
    Na própria pessoa
    Beleza!
    Vai como a criança
    Que não teme o tempo
    Mistério!
    Amor se fazer
    É tão prazer
    Que é como fosse dor
    Magia!

    Como se fora
    A brincadeira de roda....



    Como se fora brincadeira de roda...
    jogo do trabalho na dança das mãos...O suor dos corpos na canção da vida...O suor da vida no calor de irmãos!memórias,macias,histórias,
    magia...abraços,carinho!
    Maria Alice

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  2. Upa! Que falta nos faz Gonzaguinha e seu canto.
    Da solidão à solidariedade estradeamos por brincadeiras de rodas e por muita vida que é o jogo dos trabalhos dos homens na dança da mão , compassados pelo coração: febril, lento e desalentado, pulante e vibrante... Sempre ele, este velho coração que marca as histórias da vida. Abraços jorge

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