terça-feira, 5 de outubro de 2010

LOUCURA E INDIVÍDUO: REFLETINCO COM NIEZSCHE

                                                                                          JORGE BICHUETTI

A afirmação de Niezsche no aforisma (156) do Além do Bem e do Mal é clara: a loucura é rara nos indivíduos.
Podemos, simplicar, e dizer que se referia a raridade da loucura biologicamente determinada, que embora nos pareça uma tese procedente, não creio ser o que pensava.
Acredito que devemos seguir refletindo numa virtual polêmica Deleuze-Nietzsche: Deleuze imputava ao ego as mazelas da vida, o instituído e castrado, as limitações do devir; Nietzsche em Aurora propunha que não se devia jamasi renunciar a si.
Do que falam?
Nesta confusão, me é caro a diferenciação que faz Gregorio Baremblitt de indivíduo, sujeito e pessoa e, principalmente, a de sujeito, subjetividade e subjetivação.
O sujeito é a unidade psíquica da subjetividade capitalista: edíipico, castrado, individualista, competitivo e triangular, de funcionamento repetitivo e restrito e que se reduz à reprodução de num núcleo trágico fundante.
É a vítima desarmada da paranóia e da ansiedade, da depressão e das fobias, é a vulnerabilidade exposta num repertória de conduta restrivo e inflexível, e é o terreno fértil que cresce e se alastra a cultura da culpa e do ressentimento...
As subjetividades ( assujeitadas) são dadas pelos estriamentos do socius que nos quadricula e nos gera com modos de existir e viver entre a afirmação de um corpo social e as mesmas limitações impostas por este corpo social.
Ambos, sujeitos e subjetividades se dão fragilizados por registros e controles, estriamentos, que impedem o fluir desejante e a sua consumação em linhas de fuga, acontecimentos e devires.
A individuação , neste campo, dos sujeitos e das subjetividades cerceia a singularização e a multiplicidade, a diferença e o devir.
A mim, me parecem funcionamento dados ao enlouquecer...
Motivo: predomínio das identidades rígidas em detrimento com as potências geradoras do novo que evitam a antiprodução diante dos inevitáveis processos de desterritorialação típicos do funcionamento do capitalismo que faz que o sólido dissolva no ar...
Já é distinto a reflexão, quando imcorporamos o conceito de subjetivação.
A subjetivação é produzida por dispositivos maquínicos e instuintes que funcinam marcado pela transversalidade, pelos es e entres, e produzem vida e viveres libertários, singulares, de multiplicidades e corpo -devires.
Aí, sim, encontramos um modo de funcionar nômade, metamorfoseante e caosmótico, que afirmando numa ética e numa estética a própria diferença,não vâ capturado pela loucura-antiprodução, já que atualiza o novo criativamente e se reinventa num perambular onde torna a sua própria vida uma obra de arte.
Não enlouquece, pois já é a própria loucura criativa e inovadora, a diferença num processo de fermentação da vida -sonho e de consubstanciação do sonho-vida.

6 comentários:

  1. O proj. Vênus é uma organização q deseja nada menos q uma civilização global pacífica e sustentável, procurando atualizar a sociedade p/ o conhecimento atual e métodos modernos. Seus princípios são essencialmente baseados na aplicação da Ciência e Tecnologia p/ o interesse humano e social. Esta estrutura social proposta é chamada de Economia Baseada em Recursos. A qual, utiliza os recursos existentes, em vez de comércio. Todos os bens e serviços são disponibilizados sem o uso de moeda, crédito, permuta ou outra forma de dívida ou servidão.

    Sobre o projeto Vênus:
    http://www.thevenusproject.com/

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  2. Amigo , vênus-amor, multiplicidade de carícias e ternuras, que faz do encontro uma epopéia de alegria e vida. O técnico é a razão matemática que quadricula o querer.
    Sonhemos... Com um devir /vênus, e pela paz. abraços jorge

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  3. Oi Jorge,
    pra dar um petéco na sua matéria sobre loucura e Nietzsche, um versinho da fantástica poeta Viviane Mosé:

    Lúcifer e os lúcidos
    "Lúcido deve ser parente de Lúcifer
    a faculdade de ver deve ser coisa do demônio
    lucidez custa os olhos da cara."

    Por falar nisso , Jorge, hoje acordei assim: um ser lúcido, dona da razão. Duas horas depois, estava um ser louco, nem mesmo razoável. Agora,nem sei se sou.
    beijo
    Marta Artaud

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  4. Marta, de nietzsche relido por Gilberto Gil: em mim , a natureza ficou louco... sou todo...todo coração...
    De uma usuária do CAPS" a loucura é o vazio da solidão de quem ama"
    De G Rosa: uns só dóido deixa de ser é no ato de coragem ou no instante de amar. Ou ainda na hora de rezar"
    Se ando louco, vôo livre entre nuvens e estrelas; se lúcido, somo, divido, soletro, arrastando-me no chão". Beijos jorge

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  5. SEM PÉS NEM CABEÇA
    Minha mãe ordenava: "pés no chão, cabeça no céu". Mas, mãe... (há sempre mas na boa mãe). Vem a desordem do chão, arrasto-me. Morro sem céu. Renasço sem mãe.

    Marta

    Jorge querido, não sou poeta. Apenos traço linhas para o encontro e também para o desencontro. Ontem fiz essa pra aquele que acha que eu não o mereço.

    Você zen.
    Eu nem.

    Em Nova York, as folhas caem, bate um vento frio. Bonito ver as pessoas sendo: mães com seus bebês, namorados apaixonados, outros acostumados, a moça de patins corre na 5a. avenida, o velho caminha devagar. É a obra da vida, que dobra, desdobra, redobra.

    beijo meu querido e parabéns por tantas matérias bonitas neste blog cheio de utopias ativas

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  6. marta, zen-nem; zé nem; ze mem...
    As folhas caem e o chão coberto nos dá a sensação de que nossa alma andarilha já não dormirá e sonhará no frio do asfalto ou no fogo do assalto.
    Tenho aprendido muito com o seu blog, e nele descobri sábios que hoje me alimentam de vida frutífera. Um deles é Daniel Lins, que já havia lido, porém desconhecia sua produção atual.
    Seus pensamentos, suas viagens me encantam: encantamento e bifurcações inusitadas.
    Vamos juntos.. no caminho surreal dos sonhos-vida e da vida-sonhos e neles encontraremos alisamentos para os devires que nos farão um dia estrelas bailarinas e võo de pássaro no azul infinito. beijos com carinho. jorge

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