quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

SOCIEDADE DE AMIGOS: A POESIA INSURGENTE DE PAULO CECÍLIO. nAS MARGENS, UM RIO...

          A NAU DOS MALDITOS
                                  Paulo Cecílio

acabei de descobrir que sou um anjo.mau.
mau. destes que tem veneno no ferrão brasa na saliva.
sou um anjo moderno milenar.
uso métodos infernais .
faço fechar a conta essencial.
invento línguas novas pra enganar o bicho,
o diabo, deixá-lo desconsertado.
sei que fui poupado pra navegar mais um pouco
dar carona pra outros como eu
encher meu barco de miseráveis desesperados
doentes desfrangalhados com seus olhos molhados
me ajudando a velejar.
todos os malditos juntos
montados na caravela
tomando sol cheirando a peixe , mar e luz.
expelindo fel amargura até esvaziar o saco.
lavando as asas do veneno
ficando leves para voar de volta ao ninho
com a bussola que caiu do céu, do nosso lar.


4 comentários:

  1. Eu, como o Paulo também... 'sei que fui poupado pra navegar mais um pouco' Adoro me meter em seus textos, gostaria de ter escrito este, Abraço para os dous, meus poetas queridos, com carinho, Concha

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  2. Concha: você e o Paulo escrevem desnudando nossa vida nas dores e ardores, um canto visceral da vida que movimenta nas pulsações da luta e do sonhar... Abraços com imenso carinho, minha eterna ternura, jorge

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  3. AMAR É PRECISO

    ÁS VEZES COM
    A PRECISÃO
    DE UM ANJO

    ÀS VEZES COM
    A PRECISÃO
    DA BORBOLETA

    ÀS VEZES
    É PRECISO QUE
    O VENTO LEVE

    ÀS VEZES
    É PRECISO QUE
    O VELHO VÁ

    TODAS ÀS VEZES,
    TANTAS VEZES
    QUANTAS VEZES...

    FOR PRECISO
    PARA SEMPRE E NUNCA
    DEIXAR DE AMAR

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  4. sumaia, belo poema: o amor é o barco que segue ondeando...mas, nunca deixando de se encantar com o horizonte azul. Paz e alegria, jorge

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