segunda-feira, 5 de março de 2012

DIÁRIO DE BORDO: PALAVRA E SILÊNCIO

                              Jorge Bichuetti

Meus passarinhos cantam... O luar e a Luinha me acariciam e ninam... Meus amigos se devém anjos e me cuidam... E, assim, retomo nossos encontros, superando dores e lágrimas que não suportaram o encanto das rosas... Venceram o sorriso de Che, o canto de Cartola, a força guerreira e insurgente das Geraes na palavra proseada de Guimarães Rosa...
A vulnerabilidade da minha velhice caiu, arruinada pela força rejuvenescedora dos sonhos...
Com sonhos e pelos sonhos, aqui estou... Com a bênção dos que tecem a aurora, aliados ddos que encantam o brilho das estrelas...
As palavras desnudam o conhecido... por isso me faltam, pois queria conversar sobre o que pode a vida pulsante no carinho, na ternura e no aconchego... 
Disso pouco sei... E luinha e os meus altivos álamos ainda não se comunicam nos idiomas racionais do alfabeto desenhado maquinalmente longe das pulsações viscerais...
Não sei escrever pois as palavras não conseguem dar conta do infinito que brilha no olhar de cuidado terno e carinhoso... Nem sabem do beijo, do silêncio acolhedor...
Muito se conquista com fuzis e condicionamentos midiáticos... Mas, o que pode a amizade é só consigo aproximar-me pelo que gritam as palavras mudas de pintura... o canto e as coisas conversam, as escuto, porém, não sei traduzi-las...
Na sombra de uma jabotibeira, ouvindo as pássaros vadios... Mirando o céu azul... escutando velhas cantigas... penso que mantive minha presença na ausência... 
A vida é um permanente caminhar... No caminho, encruzilhadas... Nelas, a germinação...
Não nego o peso da solidão e da saudade... Quando decidi maquinar o blog, pensei que ia parir um filho... Hoje, sou um menino que nasce aqui... nos nossos encontros: palavra e silêncio...
Aqui, sinto que nos reinventamos... outramo-nos guerreiros, anjos... passarinhos e sonhos, luares e roda... no meio da roda, uma fogueira... Calor humano; fluxos cósmicos...
Buscamos o além-do-homem... Buscamos simplicidade e ternura, compreensão e carinho, compaixão e solidariedade...
 Um dia, lhes explico melhor... consultarei o vento e os passarinhos; eles, mestres do voo hão de nos ensinar a magia do amor que floresce no chão, estrelando de sonhos o céu azul...
 A arte de amar é nosso caminho... nunca dado; busca sonhada na experimentação viva das lutas por ser gente-passarinheira... voando no horizonte dos mais singelos e belos sonhos que nos recriam poesia e canto, magia do porvir na relva que medra entre as pedras do caminho...


VIVER É RECOMEÇAR...

4 comentários:

  1. Boa tarde amigo Jorge,
    Diário de bordo: palavra e silêncio
    E os seus passarinhos cantam
    Que lindo é o cachorrinho
    Mais alto os passarinhos voando.

    Muito lindo seu poema.
    Um abraço,

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  2. Hoje o recado é para Lua, saudades do sr. com carinho Clara

    Melodia Sentimental


    Acorda, vem ver a lua
    Que dorme na noite escura
    Que surge tão bela e branca
    Derramando doçura
    Clara chama silente
    Ardendo meu sonhar

    As asas da noite que surgem
    E correm o espaço profundo
    Oh, doce amada, desperta
    Vem dar teu calor ao luar

    Quisera saber-te minha
    Na hora serena e calma
    A sombra confia ao vento
    O limite da espera
    Quando dentro da noite
    Reclama o teu amor

    Acorda, vem olhar a lua
    Que brilha na noite escura
    Querida, és linda e meiga
    Sente meu amor e sonha

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  3. Clara, a Luinha lhe agradece lhe abraço; abs ternos, jorge

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  4. Eduardo, suas palavras me aconchegam e vitalizam... Grato pelo carinho; abraços ternos; jorge

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