terça-feira, 3 de janeiro de 2012

MESTRES DO CAMINHO: A ROSA DO ROSA

                             REFLEXÕES:

- "O correr da vida embrulha tudo.
A vida é assim: esquenta e esfria,
aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem" João Guimarães Rosa

- "Só se pode viver perto de outro, e conhecer outra pessoa, sem perigo de ódio, se a gente tem amor. Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura." Guimarães Rosa

- "Viver é um rasgar-se e remendar-se." Guimarães Rosa



 "VIVER É ETECÉTERA" ROSA


BONS ENCONTROS: VINICIUS DE MOTAES - POESIA E CANÇÃO

Poética
    Vinicius de Morais

De manhã escureço

De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.

A oeste a morte

Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.

Outros que contem

Passo por passo:
Eu morro ontem

Nasço amanhã

Ando onde há espaço:
– Meu tempo é quando.


segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

CONVIVER É O AMOR NA ENCRUZILHADA...

                                       Jorge Bichuetti

Se convivemos, partilhamos um grau de intimidade que nos desnuda e que desnuda o outro... Ai, a vida é espinho e flores; pedras e sonhos... Ninguém é o espelho do outro; a metade perdida, nem o ideal tecido nas projeções mentais...
Humanos: decepcionamos e somos decepcionados; frustramos e somos frustrados...
O vínculo consolida-se na medida que logra conter um ao outro na singularidade que os caricterizam... Vidas partilhadas com diferenças e contradições; porém, harmonizadas na ternura, na lealdade, na partilha e cumplicidade...
Vincular-se é mais do que adicionar, conectar, conhecer... O vínculo é alicerce de relação comporta caminhada, trocas, diálogos, partilhas... cuidado mútua; tolerância recíproca... amor...
O amor é sol que nasce no alvorecer das caminhadas partilhadas... Se amor, não morre...
Já as relações  mobilizadas pela necessidade, pelo interesse, e pelo oportunismo tendem a sofrer  a prova de fogo das encruzilhadas...
Ali, onde redomoinho tudo embaralha, somos chamados a dar um sentido ao nosso relacionamento...
Ou ele se dilui nas banalidades da pós-modernidade, onde o ser e a relação é líquida; ou solidifica ganhando uma dimensão ética de afirmação da vida, alegria e bons encontros...
Se toda relação liberta é ativa e guarda poder... qual é poder que subexiste no vínculo? o poder e potência de amar... Se afirmamos nosso poder/potência no ser amado... aniquilamos o vínculo; pois, o forjamos servil às nossas necessidades interiores. Reservamos para o outro o aviltamento da passividade... Lhe negamos a capacidade de protagonismo...
Vê-se que o vínculo que não vitimiza nem oprime; é uma linha que nega o narcisismo e a onipotência...
Conviver é viver... viver é amar...
Somos, entretanto, todos, aprendizes desta arte, arte que nos conecta com a imensidão...
O amor é a fonte dos vínculos criativos, nas diversas esferas da vida...
Amar é um condicionante das convivências criativas e libertárias.
Muitos convivem sem amar...  Muitos se encontram sem ternura... Muitos se conectam sem respeito mútuo...
Pura banalização da possibilidade de estar com... sem corresponsabilizar pelo vínculo criado...
Amor não é prisão... tampouco, festejo alegre que emerge na total marginalidade da vida inclusão, cidadania, e cuidado mútuo...
Neste sentido, de se pensar o amor na paixão, na amizade e nas redes, podemos dizer que o umbigo não é o espaço de conexão... é a ternura e o carinho, os sonhos e a partilha de caminho e vida...
Conviver é versar o caminho da vida na poesia da inclusão, da ternura e compaixão... Um sonho que se tece na loucura fraternal da vida que é vida de humanidade.... Tribo dos voos suaves e ternos no horizonte azul.

BÊNÇÃOS AOS QUE CAMINHAM TECENDO O PORVIR

 A benção
a alegria e a utopia
que vê na tristeza u'a esperança
um sonho na encruzilhada e amores
no canteiro onde pulsa e brilha o coração...
A benção Josie, Cauí, Renatto, Mara, Augusta, Camila, Rose, Marta, Alzimara, Celso, Kamila, Lia, Antônio, Paulinho, Allan, Beck e todos que voam na Upop-JA...
A benção,
Adilson, Marta Rúbia, Concha Rousia, Mila, Eduardo, Paulo Francisco, Paulo Cecílio, Sol De Esteva,
a doce e guerreira Anne, Tânia, Alzira, Evacira, Maria Alice, Rose, e tantos e tantos outros que louvam as manhãs, construindo o novo nas trilhas estelares dos sonhos do Utopia Ativa...
A benção, Patricia Ayer, Mollas, Baremblitt, Fátima, Odila, Samara, Kazi, Guilherme, Thiago, Clarissa, e esta multidão que voam na reada do devir...
A Benção,
ao Rosa e as Roas,
A Cartola e Bethânia,
aos passrinhos e à aurora...
A benção... aos que lutam, sonham e tecem novas manhãs com a ousadia de ver no horizonte
o sol do amanhã...
A benção, Saravá, aos deuses e poetas... aos povos indígemnas e ao povo da rua...
A benção a Vânia e a OA.S... pelos encantos de cada dia e as cantigas do coração...
A benção aos orpimidos, razão de dor e luta... impulso na valentia que nos tecem guerreiros da utopia no orvalho da poesia, teritória de vida remoçada na luz que brilha nos olhos dos que enxergam na vida outras manhãs...
A benção...




Abençoada 
vida de sonhos e ousadias;
esperança e magias que nascem
na pele guerreira da paixão enluarada,
vida que carrega lágrimas
vida que floresce sonhos,
vida que que é presente
armando o alvorecer do porvir...



 UM Feliz 2012, amigos do utopia ativa...


Viver é recomeçar,
lutando nas manhãs
para que não finde
na noite o luar e o
nosso jeito de amar...


Alegria e paz... Utopia ativa
                                  jorge bichuetti


           

ENTRE PEDRAS SONHOS...

DIÁRIO DE BORDO: NO RECOMEÇO, A MAGIA DA LUTA...

                         Jorge Bichuetti

A chuva deixou o meu quintal silencioso na madrugada. Só, agora, os passarinhos cantam e dão alegria e paz; antes a quietude, estava encismesmada...Talvez, introspectiva...
Os álamos molhados, verde, alteiam e miram, longe... Enxergam a vida de cima...Nós sempre a vemos de baixo... com os pés no chão. Chão molhado ou seco; fértil ou estéril... Cada flor que nasce é uma magia: a vida remoça-se e com charme, contagia... nos pedindo mudança e renovação.
Renovar-se é o grande tesouro escondido na arte de recomeçar...
Tendemos à inércia, à acomodação, à apatia... Um dia depois do outro, todos nivelados pela nossa preguiça de ousar sonhar uma vida de alegria e paz, comunhão e compaixão, ternura e suavidade; uma vida nova... Novos
caminhos, novos projetos, novos amigos, novas canções...
Queremos tanto... cultivamos tão pouco...
No nosso mundo mental... elaboramos novos projetos; optamos por novos caminhos... almejamos novas alegrias...
Contudo, esperamos... não buscamos, não construímos, não lutamos...
A vida não se renova por geração espontânea...
A pede passos na caminhada...
Ela clama por lutas...
A luta é o caminho das mudanças, do novo, da vida remoçada...
Há de se devir Dom Quixote para acionar os moinhos de vento e no voo do vento, abandonar nosso baú de quinquilharias e entesourar uma nova bagagem para a nossa existência remoçada: flores e sonhos, canções e estrelas, luares e poesias...
Iniciando um novo ano, abandonemos o nosso lixo mental: mágoas, ressentimentos, ciúmes, invejas, egoísmo, orgulho, vaidade... pesa demais; acorrenta, escraviza...
Busquemos leveza, ternura, suavidade...
Só, assim, voaremos... E voando... nos impregnaremos de vida estelar e horizontes azuis... Território fecundo do novo e dos sonhos...
Ser novo é reinventar-se numa caminhada inovadora, germinativa, parideira de novas alegrias e nova paz...

POESIA: MIRAGENS DO VENTO...

                         BAÚ VELHO
                              Jorge Bichuetti

Por quanto tempo, carregarei
este meu velho baú... peso nas
costas, punhal nos pensamentos...

Nela, lembranças e sonhos já
amarelados pelo eco do tempo,
camimhos percorridos, vida


vivida no cipoal das ilusões...


Ei que dá-lo ao vento, ainda
que voe junto metade de mim;
para que minha inteireza seja

as águas límpidas do porvir,
alheias à lama do meu passado:
lágrimas secadas  no horizonte azul...




                  AMANHÃ
                              Jorge Bichuetti

Amanhã, um novo dia, inicia-se
ávido de sol, orvalho e cantoria;
ele, brilhará com os pássaros e
chorará comas flores murchas...

Um amanhã tecido na utopia e
um caminho parido no desejo,
a vida renova-se na flor que
brota o oco doído da angústia;

e, assim, germina-se o novo no
chão rude que se encharca de
alegria... poesia do horizonte
azul na magia renovadora do 

tempo... voo de passarinho na
no infinito que mora
no coração da aurora...

BONS ENCONTROS: REITA PARA UM NOVO ANO

RECEITA DE ANO NOVO
            Carlos Drummond  de Andrade

Para você ganhar belíssimo Ano Novo

cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa

fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo

que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.


BPNS ENCONTROS: ORAÇÃO AO DESCONHECIDO

Oração ao DEUS desconhecido.
 
Antes de prosseguir em meu caminho e lançar o meu olhar para a frente, uma vez mais elevo, só, minhas mãos a Ti de quem eu fujo. A Ti das profundezas de meu coração, tenho dedicado altares festivos para que, em cada momento, Tua voz me pudesse chamar. Sobre esses altares estão gravadas em fogo palavra s: "Ao Deus desconhecido". Teu, sou eu, embora até o presente tenho me associado aos sagrilégios. Teu, sou eu, não obstante os laços que me puxam para o abismo. Mesmo querendo fugir, sintos-me forçado a servir-Te.eu quero Te conhecer, desconhecido. Tu, que me penetras a alma e, qual turbilhão, invades a minha vida. Tu, o incompreensível, mas meu semelhante, quero te conhecer, quero servir só a Ti.

                    Friedrich Nietzsche


MESTRES DO CAMINHO: O DOM DE RECOMEÇAR

                           REFLEXÕES:

- "Bendito quem inventou o belo truque do calendário, pois o bom da segunda-feira, do dia 1º do mês e de cada ano novo é que nos dão a impressão de que a vida não continua, mas apenas recomeça..." Mário Quintana

- "Chego a chorar , manso de tristeza. Depois levanto e de novo recomeço" Clarice Lispector




SOCIEDADE DE AMIGOS, A GEOGRAFIA DA SAUDADE NA POESIA DE CONCHA ROUSIA...

                        AINDA A SAUDADE
                                 Concha Rousia


Ainda os meus olhos procuram teu nome
ainda leio letras ao invés do que elas ditam
ainda atos falhos terei que cometer
só por curar da tua ausência, mesmo aceitada

ainda a música goteja notas com teu sorriso

teu sorriso maroto, e as estrelas...
ahhhh dessas melhor nem falo
elas estão na origem de tudo
quando a beleza de nós surgiu 

mas depois o mundo ardeu
o tempo ardeu
arderam os rios que nos levam
ardeu a memoria
ardeu a fé

Mas a fé tanto faz porque
a fé não me dá paz
hoje poucas cousas me dão paz
hoje eu não quero paz
ainda os meus dedos repassam
a tua imagem na memória
ainda há apenas ausência pura
onde em breve estará a saudade
fonte: republicadarousia.blogspot.com