sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

DIÁRIO DE BORDO: UTOPIA, CAMINHO EVIDA...

                       Jorge Bichuetti

Cinzas no céu; fuligens no chão... Tudo tenderia aos processos melancólicos.... Mas, algo há no ar que verdeja nossos corpos, aqui num cantinho da vida parece que a ternura das roseiras, a valentia dos álamos e a volúpia do limoeiro e do pé de romã... contagia-nos na recordação das auroras coloridas e do céu azulado no brilho do sol... A Luinha aninhada no meu colo e coração, mostra-se dengosa e com ânsia de vida -passarinheiras... Eles piam, agora... Dormiram demasiado.
Meu corpo não nota as feridas do tempo; minha alma voa nas esperanças cultivadas que já pintam o horizonte, anulando as cinzas e as fuligens... 
Paulo Freire via na educação um processo de impregnar-se e impregnar de sentido o coração da vida...
Na madrugada, escura e silenciosa, fala alto a poesia viva das utopias generosas e solidárias...  Não são ideias e ideais, são mais... São caminhos; sentidos... 
Quanta serenidade!!! A alegria do triunfo é passageira; ela é duradoura quando galopa no nosso corpo, dando-nos caminho e direção... um rumo, motivação...
Firmeza e ternura: o paradigma de Che... funciona acalentando nossa vida e energizando nosso corpo nas lutas diárias...
Generosidade e amor: os valores de Che para os que desejam guerrear pela vida... funcionam fertilizando nossos sonhos com compaixão e solidariedade... Alegram o existir... Nos dão compreensão e tolerância; afabilidade e doçura; diálogo e poesia...
Viver é exorcizar, diariamente, os fantasmas da culpa e do ressentimento... E, ativamente, guerrear pela vida... Pela vida que se deseja liberdade e comunhão...
É preciso aprender a voar...
Há pedras, há abismos... nas dificuldades, se hipertrofiamos nosso narcisismo, rodopiamos em torno de nós mesmos... se o superamos, ouvimos os clamores do horizonte azul que canta e seduz, mobilizando no ser humano o desejo e a coragem de novos passos...
Assim, conseguimos perguntar, com clareza e claridade: o que a vida espera de mim?...
Todos nós, no caminho, podemos realizar algo de especial... Podemos fazer o mundo ser tocado pelos ventos da mudança... Podemos colorir o dia; iluminar as noites... Potencializar a alegria e a paz nas entranhas da existência...
Filhos dos nossos sonhos, mudamos a vida e transformamos o mundo, com a força e a vitalidade germinativa de nossos atos... Militar é agir - já dizia Felix Guattari...
Agir, transformando... é tecer na realidade a vida azulado do horizonte e os voos encantados da vida-passarinheira...
Escoar o nosso lixo mental e reciclar nossos pensamentos, aprendendo a viver com simplicidade, lealdade, ternura, espírito guerreiro, bondade, com-paixão... Devir-se anjo e guerreiro... Ser u'a flor no deserto; um lírio no pântano... Um canto de alegria e paz alumiando os dias cinzentos e as noites sem luar...

POESIA: VIVER É VOAR... VIDA-PASSARINHEIRA.

                  HÁ UMA ESTRELA
                             Jorge Bichuetti

Há uma estrela
brotando viva
no coração do fogo
que faíscando centelhas
afugenta a escuridão...


Há uma estrela
germinando luz
no coração do silêncio
que escuta no vento
a poesia do amanhã...


Há uma estrela
na vida que sonha;
nos sonhos que alimentam
no horizonte azul
a fúria da esperança...


Há uma estrela...
nos passos cansados
do guerreiro altivo
que se faz vida dada
na sementeira do porvir...


                            SE NÃO SONHO...
                                        Jorge Bichuetti

Se não sonho, eu
morro... de vida encadernada
no baú das ilusões...


Se não sonho, eu
morro... com amores negados
nos jazidos das desilusões...


Assim, por viver, voo
entre nuvens e estrelas... no luar
que me desperta... lasca de vida
no corpo da paixão...


                              VIDA-PASSARINHEIRA
                                          Jorge Bichuetti

Voar, pousar no amanhã...
Cantar, entre lágrimas a
alegria de novas manhãs...


Vida-passarinheira: ofício
tecido entre o sonho e a paixão...


No pio de um pardal escuto
a vida nascendo no ninho onde
florescem um novo tempo de
suavidade, ternura e compaixão...

Longe da mágoa, da fria gaiola - 
dourada prisão... voam os sonhos,
germinam as flores... ergue u'a prece
nas asas da ave, revoada poética
do amor que é canto, canto de libertação...




 caminho, longe... nos pés da aurora, fingo meu coração...

BONS ENCONTROS: LIÇÕES DE PAULO FREIRE; A DIGNIDADE ETERNIZADA NA LUTA...

PAULO FREIRE SOBRE ÉTICA E UTOPIA...


                    VIDA-EDUCAÇÃO NO HORIZONTE AZUL DA LIBERTAÇÃO




A DOR DA MISÉRIA, NO CAMINHO DE PAULO FREIRE: O MARXISMO E O CRISTIANISMO


PAULO FREIRE; UM EDUCADOR NA CAMINHADA DO POVO...



EDUCAR É IMPREGNAR-SE DE SENTIDOS - PAULO FREIRE

SOCIEDADE DE AMIGOS: PAULO CECÍLIO; A POESIA NO CANTO GUERREIRO DA MÃE ÁFRICA

CONGO
      Paulo Cecílio

hoje vou dar um grito 
que vai comer teu ouvido
imolar teu pensamento
embotar tua alegria insana
pra que como eu não durmas.

pra que sem fôlego sintas
a voz dos meninos africanos
que arrebentam meus pulmões 
e tiram o fôlego das minhas noites,
façam tambores dos teus tímpanos...

MESTRES DO CAMINHO: NO CAMINHO, A VIDA E SEUS VALORES...

                             REFLEXÕES:


- "A ambição é o último recurso do fracassado." Oscar Wilde


- "Se de noite chorares pelo sol, não verás as estrelas." Rabindranath Tagore

- "Há triunfos que só se obtêm pelo preço da alma, mas a alma é mais preciosa que qualquer triunfo." Rabindranath Tagore

- "A noite abre as flores em segredo e deixa que o dia receba os agradecimentos" Rabindranath Tagore






quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

AMORES E ILUSÕES NO MEDO DAS PAIXÕES...

Acordei belo -
sapo orvalhado
nos teus pés, sob o luar...


O divina roseira -
encanto e magia
onde meu corpo,
batráquio banal,
pode nos teus pés, amar...


                           jorge bichuetti


voei, amei...
bailei nas nuvens
beijei anjos e deuses 
cantei sonhos de vida
na aurora boreal nas esquinas vadias
entre humanos,  marginais pardais e réstias
de alegria, pulsações viscerais dos corpos dados,
pão e vinho no cibernético carnaval dos becos vazios...


na sala-de-jantar, a santa ceia
entre a cruz e o crucificado, entre
as cartas embaralhadas no jogo da morte:
cinzas no pó, migalhas das ilusões e perfídias
dos que invejam as estrelas, queimando o cio da vida...


                       jorge bichuetti



ENTRE PEDRAS, FLORES...

DIÁRIO DE BORDO: LONGE, CANTAM OS SABIÁS...

                                 Jorge Bichuetti

Madrugada chuvosa... Entre meus olhos e o azul do horizonte, nuvens... Chove e a chuva seduz minhas plantas e o meu quintal... Festeiros, madrugam... Porém, os pássaros se protegem... Longe, cantam os sabiás... Andorinhas e pardais, os vejo, aninhadas nos álamos e no pé de romã... O cheiro de mato e o tamborilar da chuva no telhado convida: pede sono... Mas, é preciso caminhar e sonhar... Não sei se a minha pequena Luinha, por ter ouvido ontem poesias de Neruda e Benedetti, amanheceu com alma guerrilheira... Está sapeca... afugenta meu sono, indo pela casa, com seus brinquedos... 
Muitas vezes, já quis dizer: é hora de parar... já dei os passos que o meu corpo suportava...
Contudo, a vida não concorda e me desafia... Diz, silenciosa, que caminhar não é opção, exercício saudável, nem disciplina apolínea: é princípio ontológico... Somos do caminho; estradeiros... somos chamados a ser caminho...
A vida, a Luinha e a boniteza do meu quintal andam lendo Juvenal Arduini, o Monsenhor dos Direitos Humanos...
Parar é estagnar-se, cristalizar-se, petrificar-se... Não desejo ser uma pedra no caminho da vida que a sei amante do horizonte azul, o azul que pulsa, pedindo novos passos...
Também, hoje, sei que não basta não dar nenhum passo atrás... Urge seguir adiante, desbravar clareiras... Buscar a aurora...
A chuva é maliciosa, dengosa e sedutora... Pede sossego, sono vegetativo, vida acomodada...
Nosso coração,nossos sonhos... eles almejam seguir... caminhando: passarinheiros ; sementeiras...
A vida voa... Lá fora, as dores do mundo... somos mundo; as dores nos cortam e nos ferem...
Urge inventar um novo mundo... Secar lágrimas, multiplicar risos, cantos e poesias...
Que loucura! acreditamos que viveríamos sem os nossos sonhos...
O ser humano já foi definido pelo trabalho, pelo desejo e pelo ócio... Porém, o que nos faz saltar, voar sobre abismos, descortinar um novo tempo... é nossa capacidade de sonhar... Sonhar na magia do céu estrelado e do luar... sonhar na poesia da aurora... e sonhar nos vendavais quando a vida nos pede resistência e valor... dignidade e ousadia...
Lá fora, chove... Aqui, no bailado dos álamos, a vida germina e sonha... desnuda-se e se revela na sua ânsia por caminhos de libertação e paz...
Chora as guerras, os hematomas dos excluídos, as cicatrizes dos oprimidos...
A vida clama por um novo mundo... se encanta com os sonhos das flores e anima com as flores dos nossos sonhos...
A vida é mãe carinhosa num lamento doído onde reclama a presença dos filhos roubados dos seus abraços maternais...
Viver é caminhar, sonhando... viver é mudar a vida e transformar o mundo para que caiba na vida e no mundo os voos e os nichos do amor incondicional...


POESIA: FLORES E REVOLUÇÃO

                             MINHA VELHICE
                                Jorge Bichuetti


Minha velhice não está nos joelhos
que titubeam, diante dos morros e
das grandes escadas entre o sotão
e o porão...


Minha velhice se ata no rádio mudo,
onde alucino palavras, poesias e canções...
Ali, auscuto, no silêncio, vulcânicas revoluções...


Minha velhice não mora nos meus
livros amarelos,
canções esquecidas,
poetas já canonizados no sepulcro
das enciclopédias...


Minha velhice chora, tropeça e vê
a morte e o na morte, o descanso:
quando, nas praças, já não encontro
o amor na paixão de mãos dadas, nem escuto
na rua, rebeldes desenhando um paraíso,
na poesia de um só verso que já brilhou nos olhos 
da multidão...


Ressuscitem a palavra e o sonho,
gritem socialismo já...
Não serão presos, nem torturados; 
mas, ali, então, eu me renecontrarei
com a minha juventude eterna...


Na primavera, as flores fecundam os sonhos...


                           O PÃO E A FLOR
                                         Jorge Bichuetti

Muitos perguntam pelo sonho,
cínicos, declaram: o socialismo morreu...


E eu, louco, o vejo
no pão multiplicado;
como o encontro na indignação da vida,
diante da fome... no pão negado...


Delirante, o pressinto nas flores...
que brotam nos jardins e quintais...
Nascem, perfumam e esperam
a ousadia do amor
que as roubarão
na quietude rebelde da paixão,
loucura na arte das serestas e serenatas...


A vida nova chegará no orvalho
de u'a manhã qualquer, quando a loucura
libertar o amor e a compaixão,
trincheiras poéticas da musicalidade viva
que mora nos átrios da insurgência,
dá vigor e viço a vida, vulcamiza a poesia
e abre as comportas da revolução...






BONS ENCONTROS: LIMA DUARTE; A ARTE ENTRE AS AVES DO CERRADO E AS SOMBRAS DE U'A JABOTICABEIRA...

                LIMA DUARTE E BIBI FERREIRA; A ARTE NA PELE DAS ESTRELAS QUE BAILAM ENTRE FLORES E NA IMENSIDÃO -



LIMA DUARTE DECLAMA CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE... E NOS DEIXA COM A CERTEZA DE NA VIDA, UNS PASSAM... OUTROS, FICARÃO...


lima, limoeiro das palavras
brotadas no verde das campinas;
na arte, caminheiro... entre a pequenez do instante
e as cortinas do infinito abertas ao sem fim das flores
que estrelam a imensidão...


estrela do cerrado no palco da imensidão...

SOCIEDADE DE AMIGOS: NA POESIA DE CONCHA ROUSIA; AS PULSAÇÕES DA AURORA...

                      AMANHECENDO

cavalga o sol
no lombo do horizonte
portando o dia

Concha Rousia

FONTE:republicadarousia.blogspot.com