sexta-feira, 23 de março de 2012

MESTRE DO CAMINHO: UM CADINHO DE PAZ...

                            REFLEXÕES:

- "Em tempo de paz o homem belicoso ataca-se a si próprio." Friedrich Nietzsche

- "A paz não é um estado primitivo paradisíaco, nem uma forma de convivência regulada pelo acordo. A paz é algo que não conhecemos, que apenas buscamos e imaginamos. A paz é um ideal." Hermann Hesse

- Não se acha a paz evitando a vida." Virginia Wolf

- "Ou você se cansa lutando pela paz ou morre." John Lennon

- "Para que fazer guerra, se a paz não custa nada?" Poncho Herrera


quinta-feira, 22 de março de 2012

NANA CAYMMI: ENTREVISTAS, CANÇÕES E POESIAS... NA ESTRELA, O BRILHO DA PAIXÃO...

NANA CAYMMI, UMA ENTREVISTA... A VOZ DAS ESTRELAS NA MAGIA DO CAMINHO...


No mar, peixes  e  conchas:
dádivas da  paixão morena,
o amor no luar de Iemanjá.

Mergulho no teu corpo    e
me encontro mar,   um céu
estrelado...    meus  sonhos


a vida é     feita para amar...
     
                   Jorge Bichuetti


Partirei...  meu coração
não mais comporta  tua
presença ausente, tanta
      desilusão...


Se um dia eu voltar, eu
        nos teus braços só
descansarei, se já souberes
            amar sem medo da paixão...

                   jorge bichuetti



Tempo...  a vida que caminha
e se desnuda, amor que reluz
e transcende moldando além
no coração do minuto,   a luz
do fogo, paixão, ou   o escuro
do adeus,   vazio,     uma seca 
                 desilusão...

                                  jorge bichuetti



ENTRE PEDRAS, FLORES...

DIÁRIO DE BORDO: A VIDA NO CAMINHO...

                                  Jorge Bichuetti

Luinha me acaricia e me mantém junto dela... Juntos vamos ao quintal... Há uma multidão de pássaros. Silenciosos, parecem a espera... Uma serena espera... Esperam o sol... Pouco a pouco, gorjeiam anunciando o recomeçar do caminho na alegria de um novo dia... Voarão; fabricarão ninhos... Estarão entre flores e frutos... Viverão... Leves, suaves e ternos... Singelos... 
Assim, que um começa, a cantoria multiplica-se e as nuvens do outono já consegue esconder com suas nuvens o brilho do sol...
Ficamos ali um longo tempo... Um eterno agora... Um mergulho na beleza da vida...
As rosas se entregam dadivosas aos que a amam...
Os álamos valsam com graciosidade e ternura... Tão altivos e tão imersos na alegria da vida que se realiza no canto dos passarinhos, no perfume das flores, no frescor do orvalho... A vida amanhece com ânsia de ser vida no caminho...
Caminhamos, mas nossos passos acostumam-se e automatizam e seguindo nem sentimos a estrada... Repetimos o dia anterior, como amanhã repetiremos o hoje...
Não entendemos o valor do instante, do agora, da vida pulsando cheia de desejos e sonhos...
Aliás, a muito abandonamos nossos desejos e sonhos... Assim, parece até normal e rotineiro que não escutemos as vozes da vida que cantam nos passos do caminho.
Sabemos de tanta coisa... Quase nada sabemos da vida...
Não sabemos por exemplo que para vida nenhum instante é igual ao outro, cada instante é especial e impar... um vulcão totêmico de possibilidades de reinvenção do destino, da vida real que nos acinzenta os dias...
Caminhamos... porém, não aprendemos a nos guiar pelos clamores do horizonte azul...
Queremos a felicidade, mas a buscamos no nevoeiro das ilusões passageiras...
Queremos crescer e vencer, mas esperamos a felicidade e a vida remoçada na apatia de quem acostumou-se a colher sem semear, a conquistar sem o valor da labuta que unge os triunfos de merecimento e gratidão...
Acumulamos bens que não usufruímos... Buscamos aplausos que não acalentam nem dão acolhimento aos nossos corações...
Caminhamos... seguimos o rebanho. Não perguntamos sobre o verdadeiro sentido da vida...
Queremos o mundo e o conquistamos... E só muito tarde, começamos a ver que o mundo é vazio... Que o próprio mundo já nada cansado e exausto de ser somente a realização narcísica de alguns, sustentada pelas lágrimas da multidão dos excluídos e tristes...
Caminhamos... para na exaustão perceber que rodopiamos em torno de nós mesmos... Não buscamos ir além... Encontrar-se e tecer redes de ternura e amizade... Semear floradas de vida nova...
Assim, caminhamos sem sair do lugar, e acabamos encismesmados, tristes e ansiosas... Vivendo sem a vida... pois a vida floresce no sentido que lhe damos...
Caminhar é mais do que andar, rodopiar, seguir sem direção...
Caminhar é viver, impregnando com nossos passos a própria vida, dando-lhe cor, sabor e sentido...
Tecemos nosso destino...
Todavia, apáticos, acomodados e fatalistas... Não nos conectamos com os anseios de mudança e vida que pulsam luminosos no coração da própria vida...
Consequentemente, sempre nos pegamos cheios de angústia, vazio e tristeza...
Urge acordarmos... Urge compreendermos que a vida é um caminho de produção de sentidos... Um caminho de inovação e de procriação de vida nova...
Eis a grande diferença entre vida ativa e reativa... Eis a nossa ruína: caminhamos reativos e no rebanho cinzento da mesmice e assim agonizamos, minuto a minuto, na asfixia de uma vida vegetativa... Pobre de desejos e sonhos... Pobre de vida na potência da alegria que é tecida nos encontros de ternura e solidariedade...

POESIA: RABISCOS NO CAMINHO

                      CAMINHO...
                           Jorge Bichuetti

Caminho. Sigo ziguezagueando
cego e mudo; deixo, nas marcas dos meus passos,
tão-somente os rabiscos da minha vida...
Vida tragada no labirinto dos adeuses...
Vida solfejada no gotajar das lágrimas...
Vida triturada na espera da aurora permeada de sonhos...


Caminho. Feliz e infeliz, sigo
longe das horas... todo dado
aos atalhos que recortam no caminho
a vida, esta aventura errante,
este mal necessário...


Mas, no caminho, desconheço
o abismo peçonhento da tristeza...
Erro na santidade do vento
que me leva alto, junto às nuvens,
onde cantam os estribilhos do tempo...


Caminho, tecendo com flores e estrelas
o pano branco que um dia tremulará
na solidão e na agonia do último suspiro,
como a mesma alegria que houve
quando um dia no sonho de amor dos meus pais,
eu nasci... rabisco do destino dado ao caminho...


              MINHA ESSÊNCIA
                            Jorge Bichuetti

No espelho do tempo me vejo
galopando errante entre pedras;
no caminho, sonho... mas meus sonhos,
são os sonhos da própria vida...

Minha essência, a deselegante inocência
dos rodopios do pião e da leveza da pipa,
feita de retalhos, 
pedaços de papéis 
onde escrevendo poemas... me descubri
vida nas miragens da fumaça do tabaco,
vida incendiada pelo fogo das paixões,
vida no hálito renitente do cravo e da canela
que chá fumegante alimentou meus saltos na estrada...


                     EU
                           Jorge Bichuetti


Eu nada quero
além da rosa na
janela entre a viola e o luar...


Eu tudo espero
menos a dor de ver
um mundo lúcido onde não caibam
poesias e canções...

BONS ENCONTROS: DRUMMOND, A POESIA NA MAGIA DO COTIDIANO...

DRUMMOND LENDO DRUMMOND:



PAULO AUTRAN E AS SETES FACES( DRUMMOND ):



TOM JOBIM LENDO O POEMA DA NECESSIDADE DE DRUMMOND...



O RIO SÃO FRANCISCO NA POESIA DE DRUMMOND - COM MARIA BETHÂNIA...


SOCIEDADE DE AMIGOS: O AMOR NA POESIA ALADA DE PAULO CECÍLIO

                                      ALMA MINHA
                                  Paulo Cecílio

agora sei que partiste:
como te pedi, 
sei que não voltarás,
como te implorei...

ainda que diga tudo que não sei,
jure a ti o mundo,
prometa montanhas, jardins suspensos,
mostre minhas asas, diga pra ti que estou livre,

agora sei que partiste. que silenciaste agora.

mostra-me destemida o tamanho do teu amor,
da tua alma, da tua beleza.
pediste apenas mais uma palavra
apenas uma e partiste.

como é grande teu amor...

talvez, minha paixão já soubesse,
e por isto me permiti uma noite,mas,

antes que me volte o animal
apenas deixa-me dizer um pouco disto:
nao me enganei,
expulsei de mim o verdadeiro amor de minha vida...
 
 

MESTRES DO CAMINHO: SOBRE A POTÊNCIA DA SIMPLICIDADE...

                             REFLEXÕES:


- "Tudo deveria se tornar o mais simples possível, mas não simplificado." Albert Einstein

- "A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo. Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade." Mário Quintana

- "Adoro as coisas simples.
Elas são o último refúgio
de um expírito complexo." Oscar Wilde

- "O óbvio é aquilo que nunca é visto até que alguém o manifeste com simplicidade." Kahlil Gibran





terça-feira, 20 de março de 2012

DIÁRIO DE BORDO: NO AZUL, O VOO...

                                    Jorge Bichuetti

Luinha, carinhosa e terna, me acompanha... Pouco lhe importa as palavras; ela sabe ler o enigmático livro tatuado do meu olhar... Sente que nos meus olhos permanecem o brilho encantador dos pássaros voando livre no azul da imensidão... Era ontem, mas permanece hoje... O céu azul e u'a multidão de passarinhos... Mirando-os, me vi contagiado pela serenidade ativa do infinito...embora, houvesse nos meus olhos os ciscos da vida que nublam nossa capacidade de perceber a alegria da vida no esplendor da poesia viva , escrita na natureza, no silêncio das coisas...
Amanheci, com delírios... Vi na aurora a voz da vida...
A vida é o silêncio profundo da pele que escuta e fala no encantamento da alegria.
Na seresta matinal, os passarinhos cantavam... entre sinos celestiais e roncos urbanos.
Pensativo, olhei meu quintal... Verde, colorido... com cheiro de orvalho... O senti espelho retratando o que sou, mas que poderia ser se me entregasse, sem medo e sem avareza, a poesia que a vida compõe no encanto do belo e do ético... literatura e filosofia nos manuscritos da mãe natureza...
Há um saber, há sonhos... na vida silenciosa, porém, pulsante da mãe natureza, feita de coisas miúdas, onde germinam as larvas do devir e as trilhas silvestres do porvir...
O vento sibilou, narrativo...
Dele, ouvi a teimosia da vida que dia-a-dia tenta procriar-se vida de paz e alegria no coração dos caminhos...
Vivemos atolados nas ruminações do nosso próprio ego...
Não falamos nem escrevemos, embora vivamos tentando ser o centro do universo...
Hipervalorizamos nossas dores e problemas; somos cegos na percepção dos anseios e ânsia da vida...
O vento sopra... Arreja o ar e leva consigo as sementes da vida remoçada...
E nós, racionais e imediatistas, nada fazemos... Buscamos o nosso trono, os nossos triunfos... Nos esquecemos. por completo, que somos tão-somente uma peça nesta máquina inovadora e criativa chamada vida.
Quase sempre identificamos o sentido da nossa vida na interpretação dos nossos interesses e necessidades...
A vida ressoa e tece sentidos que atravessam o nosso caminho; ela ressoa e tece o sentido que nasce da vida que se plenifica nas floradas de alegria que vitalizam e impreganm de novos sentidos a vida de todos, a vida da própria humanidade...
Lamuriamos, queixamos de angústia e solidão...
Tristes e cinzentos, queremos tudo... omitindo-nos diante dos que padecem despossuídos, arratando-se entre o pouco e o nada...
Assim, vivemos... Egoístas e destrutivos... Ainda que temerosos do fim...
Nem percebemos que no clarão da manhã a vida nos incita a aniquilar a profecia do fim, permitindo-nos devir vida remoçada na arte de recomeçar...

POESIA: SERESTA MATINAL

                      UM NOVO DIA
                           Jorge Bichuetti


Pássaros cantantes no azul
me avisam que já é um novo dia;
levanto-me só para ver o esplendor
da vida nascente... a seresta matinal,
a esperança no verde viçoso onde o
orvalho umidece a aridez do passado...


Um novo dia, cantam pássaros e sinos;
um novo dia, narra o bailado dos álamos...


A rosa desabrocha instando-se no chão
as alegrias da ternura e da suavidade, bela,
no seu silêncio reflete o sol no caminho...


Caminhando, busco a liberdade:
não quero no novo as amarras do ontem,
não quero no clarão da manhã as nódeas
que viscosas turvaram meu coração...


Enxugo uma última lágrima, pois se o
dia será novo, me quero na novidade
arteira de voar e brilhar, esquecido dos
dias que envelheceram minhas paixões
e entristeceram a inquietude da mi'a alma
que teima em conservar-se enraizada no ontem,
quando o canto vida já nos chama para as terras do amanhã...


Um novo dia começa... e se algo desejo, desejo
o total esquecimento... a vida recomeçando como se
meu corpo fosse tão-somente u'a ode à alegria na
sinfonia do tempo que remoçado vê nos calos da vida
brotos de flores e fragmentos de sonhos... o riso e a paz
da vida reinventada nas metamorfoses siderais
que nos fazem um risco de luz na poesia do porvir...


                                MINHA VIDA...
                                          Jorge Bichuetti


Não sou anjo nem demônio,
sou um batráquio no brejo
entre a lama e o lírio... sou
o silêncio das pedras e a espera
da vida... que na tempestade sonha
a insurgência poética de um singelo arco-íris...

BONS ENCONTROS: MANOEL DE BARROS; O POETAS SINGELO NO CAMINHO DAS PEDRAS MIÚDAS E DAS BORBOLETAS... ENTREVISTAS VIDA E POESIAS...

MANOEL DE BARROS, ENTREVISTA: A VOZ DA POESIA... O CANTO SINGELO DE UM PASSARINHO...



MANOEL DE BARROS, VIDA...



MANOEL DE BARROS, POESIA...

"Quando as aves falam com as pedras e as rãs com as águas - é de poesia que estão falando."
 
 - "Quem anda no trilho é trem de ferro, sou água que corre entre pedras: liberdade caça jeito."

-"  A maior riqueza do homem
é a sua incompletude.
Nesse ponto sou abastado.
Palavras que me aceitam como sou - eu não aceito.

Não agüento ser apenas um sujeito que abre portas,

que puxa válvulas, que olha o relógio,
que compra pão às 6 horas da tarde,
que vai lá fora, que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.

Perdoai

Mas eu preciso ser Outros.
Eu penso renovar o homem usando borboletas."