Jorge Bichuetti
Acreditávamos que nossa vida psíquica fosse autónoma e soberana. Depois, a vimos afetada pelo social: subjetividade imersa e ressoante das contradições e paradoxos da sociedade em movimento, da história.
Agora, vemos Felix Guattari e outros dizerem de uma outra ecologia, a ecologia mental...
Ecologia; ecossistema; sustentabilidade; desequilíbrio; poluição...
Nosso psiquismo não se realiza só: somos sociais e somos ecologia...
Ecologia - psiquismo, sociedade e natureza interagem e se afetam e nos subjetivam...
Novas linhas, novos questionamentos...
Nosso mundo mental é elemento que compõe , pertência e continência, o universo da ecologia; e a ecologia nos afeta e nos subjetiva...
Nossa subjetividade não é um produto mecânico do social, nem um reprodutor permanente do édipo, dos traumas infantis e bloqueios íntimos.
Somos metamorfoseantes, rizomas abertos e pulsantes...
Nossa subjetividade preserva ou danifica a ecologia, da qual somos parte; e a ecologia influi, afeta, compõe ou decompõe nossa vida.
Um campo verdejante, com sinfonia de aves cantantes, bichos e matas nos afeta: vitaliza, energiza, asserena, desperta desejos e sonhos...
Um ar cinza, desmatado, de concreto, bichos extintos e ruídos estonteantes, lixo nauseante, também nos afeta: fragiliza, irrita e angustia, nos retrai e inibe, nos coloca apáticos, sisudos ou acelerados e robôticos, explosivos...
Medo e raiva, tristeza e pânico, implosão e explosão se dão num dinamismo complexo onde não se pode excluir
o papel da ecologia mental...
As lendas e o saber popular já havia profetizado...
O campo asserena; a chuva nos faz pachorrentos; a cachoeira renova; os bichos nos socializam; a lua - oh! a lua e suas fases -, cria paixões e governa a fertilidade...
Um céu estrelado fermenta poesias, cantigas, paixões e boémias...
Os dias nublados e friorentos do inverno melancolizam...
Um homem-bomba emerge das fumaças, apitos, engarrafamentos, asfixia, toxicidade... cinza e cinzas, lixo e lixões... isto quando sua sensibilidade não o leva ao sofrimento mental, tirando-o do cenário que o desumaniza.
Agora, pensemos: se nossa subjetividade vincula-se com o processo da ecologia, nosso psiquismo repercute a nossa relação com o meio ambiente...
De modo, que é distinto para o funcionamento mental se na dinâmica do processo ecológico o ser humano se posiciona e vive: a. como um predador, destruidor, parasita,vilão... b.como um protetor, aliado, preservador, construtor de nova sustentabilidade... e c. como um presa, vítima apática e silenciosa, alienada...
O papel de destruidor reforça nossas culpas internas e corrói nossa autoestima e autoimagem... Dispara processos de autoaniquilamento que podem ser compensados, temporariamente, por uma agressividade externa, até que fale mais alto o próprio corpo.
O papel de preservado ativa o devir guerreiro, as conexões com a natureza, e as potências da vida que se refaz, permanentemente. criamos um valor íntimo de apoio e de autovalorização, nos subterrâneos da vida inconsciente, desconectando a antiprodução que se dá pelas culpas e auto-rejeições introjetados ao longo de uma vida... Saímos do reativo e do pólo dominador e liberamos nosso psiquismo para a sua produção desejante...
O papel de presa - apática acomodação alienada e alienante - nos põe no cenário da vida expostos a um grau maximizado de vulnerabilidade psíquica e física... Estamos aí soterrados no reativo e na subordinação...
Podemos perceber que não conseguimos fugir da vida que levamos nem do mundo que criamos...
Somos nos entres...
Entre eu e o outro, floras e faunas... Entre eu e meus muitos eus, floras e faunas... Entre o ego e socius, floras e faunas... Entre o riso e a lágrima, floras e faunas... Entre o medo e a raiva, floras e faunas... Entre a amizade e a paixão, floras e faunas...
"Somos todos desertos, povoados de tribos, floras e faunas." Deleuze
Assim, a questão ecológica adquire nova dimensão: cuidar do planeta é cuidar de si e cuidar de si é cuidar do planeta...
Se "a vida acontece em partos de dor",ela se transforma e se plenifica em atos de amor...
Mostrando postagens com marcador textos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador textos. Mostrar todas as postagens
terça-feira, 10 de maio de 2011
sábado, 22 de janeiro de 2011
O DEVIR MULHER NA PINTURA DE DI CAVALCANTI
Jorge Bichuetti
Ele retrata a sensualidade, a faceirice, o dengo... A ternura, e a valentia guerreira... O amor na pele, no olhar; no ventre, no movimento que serpenteia feita deusa que anda nas vielas da paixão.
É força, magia... Raça...
Suavidade, partilha... revolução.
Ele retrata a sensualidade, a faceirice, o dengo... A ternura, e a valentia guerreira... O amor na pele, no olhar; no ventre, no movimento que serpenteia feita deusa que anda nas vielas da paixão.
É força, magia... Raça...
Suavidade, partilha... revolução.
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
O DEVIR MULHER DE ANITA DARBALDI, UMA GUERREIRA REVOLUCIONÁRIA
Jorge Bichuetti
O devir mulher destrona o falocentrismo e o machismo, e institui um modo de viver:
- terno, meigo e carinhoso;
- faceiro, dengoso e sensual;
- mágico, intuitivo e artístico;
- guerreiro e indomável;
- cruel e destemido;
- suave e amoroso...
Anita Garibaldi é uma vida de intesidades e experimentações criativas, uma lutadora, uma guerreira... pela vida e pelo novo, pela revolução e pelo amor.
Clareou na ilha da magia
No esplendor era um ser de prata que surgia
E voou em busca da sabedoria
Os mistérios do oriente nas asas da poesia
Está em festa a aldeia da tribo Carijós
É força que semeia poder em nossa voz
Vêm desbravando mares
Corsários, aventureiros
Abrindo caminhos para a liberdade
De um povo guerreiro
Rufam os tambores mãe África
Nossa gente quer dançar
Invocando a magia
Com a paz de Oxalá
Heranças culturais nas etnias teus ideais
Nos verdes campos de Santa Catarina
Berço dessa menina, voa borboleta voa
Guerreira, brava loba romana
Heroína que encanta os dois mundos
Hoje o samba te aclama
Viradouro está aqui, vai sacudir
Agitar essa cidade inteira
E com Anita eu vou, é Garibaldi, amor
Espelho da mulher brasileira
O devir mulher destrona o falocentrismo e o machismo, e institui um modo de viver:
- terno, meigo e carinhoso;
- faceiro, dengoso e sensual;
- mágico, intuitivo e artístico;
- guerreiro e indomável;
- cruel e destemido;
- suave e amoroso...
Anita Garibaldi é uma vida de intesidades e experimentações criativas, uma lutadora, uma guerreira... pela vida e pelo novo, pela revolução e pelo amor.
A heroína brasileira Ana Maria de Jesus Ribeiro, que posteriormente ficou conhecida como Anita Garibaldi, nasceu em 1821, em Laguna, Santa Catarina. Possuía um espírito muito livre, era uma excelente amazona, percebendo isso, sua mãe optou por casá-la o mais rápido possível. Dessa forma, quando tinha entre 14 e 15 anos casou-se com um sapateiro, um homem simples cujo nome era Manuel Duarte de Aguiar. Eram muito diferentes, tinham até divergência política. Após três anos de casada, conheceu Garibaldi. Foi ele quem transformou Ana em Anita, na época ela tinha 18 e ele, 32. Quando se conheceram, o marido de Anita se encontrava junto às tropas imperiais.
Ao lado de sua nova paixão (Garibaldi), Anita lançou-se nos campos de batalha. As principais demonstrações de bravura de Anita Garibaldi foram durante a Revolução Farroupilha (1835-1845), onde passou por inúmeras privações e dificuldades. A união de Anita e Garibaldi foi oficializada somente três anos depois, no Uruguai, casamento que resultou em quatro filhos. Em certo momento da disputa, o grupo de rebeldes liderados por Garibaldi encontrava-se em desvantagem, por isso o líder decidiu mandar sua mulher em segurança para a terra. Para isso, disse a ela que descesse do barco e fosse para a terra em busca de reforços e permanecesse no continente. No entanto, não conseguiu ajuda e voltou. Ao perder a luta, o casal fugiu, mas não deixou de lutar, participou de outras batalhas no Brasil e no exterior. Em sua última fuga, Anita ficou doente. Em 4 de agosto de 1849, grávida de seis meses do quinto filho, Anita morreu, a causa de sua morte nunca foi esclarecida.
Na época em que Anita lutava a mulher não disfrutava de direito algum, muito pelo contrário era apenas um ''sexo fragil'' com finalidade reprodutiva. Anita Garibalde prova para si mesma e a todos qual a verdadeira face da mulher brasileira, enquanto as outras cuidavam do lar ela combatia em campos de batalha, atualmente as mulheres já têm essa concepção anitista e vão a luta, em decorrência ja conquistaram todos os direitos que só cabia aos homens, em nosso cotidiano a mulher se mostra um ser superior com força e intelectualidade elevada que as coloca em meio aos autos cargos na sociedade.
Ao lado de sua nova paixão (Garibaldi), Anita lançou-se nos campos de batalha. As principais demonstrações de bravura de Anita Garibaldi foram durante a Revolução Farroupilha (1835-1845), onde passou por inúmeras privações e dificuldades. A união de Anita e Garibaldi foi oficializada somente três anos depois, no Uruguai, casamento que resultou em quatro filhos. Em certo momento da disputa, o grupo de rebeldes liderados por Garibaldi encontrava-se em desvantagem, por isso o líder decidiu mandar sua mulher em segurança para a terra. Para isso, disse a ela que descesse do barco e fosse para a terra em busca de reforços e permanecesse no continente. No entanto, não conseguiu ajuda e voltou. Ao perder a luta, o casal fugiu, mas não deixou de lutar, participou de outras batalhas no Brasil e no exterior. Em sua última fuga, Anita ficou doente. Em 4 de agosto de 1849, grávida de seis meses do quinto filho, Anita morreu, a causa de sua morte nunca foi esclarecida.
Na época em que Anita lutava a mulher não disfrutava de direito algum, muito pelo contrário era apenas um ''sexo fragil'' com finalidade reprodutiva. Anita Garibalde prova para si mesma e a todos qual a verdadeira face da mulher brasileira, enquanto as outras cuidavam do lar ela combatia em campos de batalha, atualmente as mulheres já têm essa concepção anitista e vão a luta, em decorrência ja conquistaram todos os direitos que só cabia aos homens, em nosso cotidiano a mulher se mostra um ser superior com força e intelectualidade elevada que as coloca em meio aos autos cargos na sociedade.
As lutas alisam o espaço quadriculado do lar que, instiucionalmente, perpetua a submissão,a servidão e a redução da mulher à maternidade.
Uma vida de paixão e devires, ousadia e ternura, destemor e carinho... Uma paixão revolucionária, uma revolução apaixonada...
Eis um samba-enredo que a louva com beleza e justiça:
Letra da musica Samba Enredo 1999 - Anita Garibaldi, Heroína Das Sete Magias:Clareou na ilha da magia
No esplendor era um ser de prata que surgia
E voou em busca da sabedoria
Os mistérios do oriente nas asas da poesia
Está em festa a aldeia da tribo Carijós
É força que semeia poder em nossa voz
Vêm desbravando mares
Corsários, aventureiros
Abrindo caminhos para a liberdade
De um povo guerreiro
Rufam os tambores mãe África
Nossa gente quer dançar
Invocando a magia
Com a paz de Oxalá
Heranças culturais nas etnias teus ideais
Nos verdes campos de Santa Catarina
Berço dessa menina, voa borboleta voa
Guerreira, brava loba romana
Heroína que encanta os dois mundos
Hoje o samba te aclama
Viradouro está aqui, vai sacudir
Agitar essa cidade inteira
E com Anita eu vou, é Garibaldi, amor
Espelho da mulher brasileira
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
DEPENDÊNCIA QUÍMICA : AVENTURA VIAGEM OU SERVIDÃO( III )
A FISSURA ( II )
JORGE BICHUETTI
Um espectro de morte ronda os lisérgicos vôos da fissura... A morte impessoal... Um acontecimento...
Na fronteira, os tempos se enovelam e se impera uma presentificação do futuro e do passado.
Só uma grande saúde livra e libera o indivíduo de efetuar uma inscrição, uma incorporação, uma tatuagem desta "porcelana esfacelada" no corpo, interiorizando uma feroz e incontrolável destrutividade.
O endurecimento absoluto do presente inibe a caminhada e o processo de vida.
para limitar, impedir , inibir a inscrição deste acontecimento no corpo, é necessário uma contra-efetuação:" dar a chance da fissura sobrevoar seu campo de superfície incorporal sem se deter na quebradura de cada corpo", pois "a fissura é nada se não compromete o corpo"( p. 164).
Deleuze determina sua análise, num movimento de esperança e afirmação das potência inventivas da vida:
-" Não podemos renunciar à esperança de que os efeitos da droga ou do álcool( suas "revelações") poderão ser revividos e recuperados por si mesmos na superfície do mundo, independentemente do uso das substâncias, se as técnicas de alienação social que os determinam são convertidas em meios de exploração revolucionários" ( p. 164-165)
- Metralhamento da superfície para transmutar o apunhalamento dos corpos, ò psicodelia" (p. 165)
Uma sobriedade psicodélica, surreal e insurgente
A sobriedade cinzenta, alienada, de repetições restritivas e normôticas vulnerabilizam o indivíduo que na fissura se vê desarmado e não contra-efetua uma desterritorialização criativa e inventiva, multicolorida e estelar, sem expor seu corpo, que é um corpo estriado com quebraduras ávidas dos miasmas da fissura...
Um vida metamorfoseante, de singularidade e multiplicidade, de corpo alisado pelas experimentações que se realiza e gera linhas de fuga, torna-se um corpo apto à contra-efetuação, ou seja, um corpo onde as lavas do vulcão não o penetra, nem corre em suas veias a porcelana pulverizada da fissura...
A fissura não se inscrevendo, nem penetrando as entranhas do seu corpo, é estrela cadente, vagalume moribundo ou fogo fátuo...
Cuidar, assim, é liberar o homem das alienações que o distancia da diferença, da singularidade, da multiplicidade, das redes rizomáticas e dos devires... Liberado destas alienações ele toma posse do que pode uma vida que livre borboleteia nos horizontes mágicos do novo, da criatividade e das atualizações insurgentes de virtualidades transcósmicas.
"Prefiro morrer de vodka do que de tédio" Maiakovsiky
JORGE BICHUETTI
Um espectro de morte ronda os lisérgicos vôos da fissura... A morte impessoal... Um acontecimento...
Na fronteira, os tempos se enovelam e se impera uma presentificação do futuro e do passado.
Só uma grande saúde livra e libera o indivíduo de efetuar uma inscrição, uma incorporação, uma tatuagem desta "porcelana esfacelada" no corpo, interiorizando uma feroz e incontrolável destrutividade.
O endurecimento absoluto do presente inibe a caminhada e o processo de vida.
para limitar, impedir , inibir a inscrição deste acontecimento no corpo, é necessário uma contra-efetuação:" dar a chance da fissura sobrevoar seu campo de superfície incorporal sem se deter na quebradura de cada corpo", pois "a fissura é nada se não compromete o corpo"( p. 164).
Deleuze determina sua análise, num movimento de esperança e afirmação das potência inventivas da vida:
-" Não podemos renunciar à esperança de que os efeitos da droga ou do álcool( suas "revelações") poderão ser revividos e recuperados por si mesmos na superfície do mundo, independentemente do uso das substâncias, se as técnicas de alienação social que os determinam são convertidas em meios de exploração revolucionários" ( p. 164-165)
- Metralhamento da superfície para transmutar o apunhalamento dos corpos, ò psicodelia" (p. 165)
Uma sobriedade psicodélica, surreal e insurgente
A sobriedade cinzenta, alienada, de repetições restritivas e normôticas vulnerabilizam o indivíduo que na fissura se vê desarmado e não contra-efetua uma desterritorialização criativa e inventiva, multicolorida e estelar, sem expor seu corpo, que é um corpo estriado com quebraduras ávidas dos miasmas da fissura...
Um vida metamorfoseante, de singularidade e multiplicidade, de corpo alisado pelas experimentações que se realiza e gera linhas de fuga, torna-se um corpo apto à contra-efetuação, ou seja, um corpo onde as lavas do vulcão não o penetra, nem corre em suas veias a porcelana pulverizada da fissura...
A fissura não se inscrevendo, nem penetrando as entranhas do seu corpo, é estrela cadente, vagalume moribundo ou fogo fátuo...
Cuidar, assim, é liberar o homem das alienações que o distancia da diferença, da singularidade, da multiplicidade, das redes rizomáticas e dos devires... Liberado destas alienações ele toma posse do que pode uma vida que livre borboleteia nos horizontes mágicos do novo, da criatividade e das atualizações insurgentes de virtualidades transcósmicas.
"Prefiro morrer de vodka do que de tédio" Maiakovsiky
domingo, 5 de dezembro de 2010
DEPENDÊNCIA QUÍMICA: AVENTURA, VIAGEM OU SERVIDÃO ( II )
A FISSURA (I)
JORGE BICHUETTI
Madrugada, seresta, sereno... Estrela da manhã...
Silêncio nos ruídos;
ruídos no silêncio...
Uma taça de cristal na mesa, luz vermelha...
Um corpo nu na calçada, sedução...
A vida gira e girando move-se,
não vê, nem escuta o que se dá na escuridão...
Luzes vermelhas clareiam, mas só clareiam o beijo e a conjunção...
De repente, um canto... Canto de sereia? ...
Um diabo do redemoinho? uma encruzilhada...
A sobriedade de muitos hoje não, se corrompe,,,
E a taça de cristal se quebra, caindo nua no chão...
A fissura se impôs, feito um vulcão...
***
Um homem vivendo sóbrio durante longos dias...
Um casal amando-se como se o amor fora um bem da eternidade...
Sem motivos, sem causalidade, uma fissura quebra a sobriedade e põe fim na ilusão de uma felicidade sem fim.
***
Como entender? Como cuidar?
" A fissura não é nem interior nem exterior, ela se acha na fronteira, insensível, incorporal, ideal." p 158
Se é da fronteira, pode-se inferir que é produtudo de uma desterritorialização maximizada...
Desterritorializada, mantêm relações complexas com o universo das interferências e dos cruzamentos; vivenvia junções saltitantes...onde o o direito ao risco e à liberdade são agenciadas pela idéia da da morte como acontecimento, uma morte impessoal...
***
Valendo-me de Foucault, para resgatar aqui a idéia de caixa-de ferramentas, recordo Pierre Weil que identificava no desejo de autodestruição, um desejo de morte do ego e de reinvenção da vida..
***
De fato. a fissura recria a gramática e a pessoa passa a se pensar num passado composto; que é um passado que incuindo o presente permite bifurcações...
***
A fissura é um vulcão...
Dela, não se pode sair retrocedendo-se... pois o cristal está fragmentado, a porcelana quebrada...
***
Que fazer?
Deleuze propõe uma contra-efetuação...
Se o canto da sereia seduziu...
Se o redemoinho do diabo nos capturou...
Se algo rompeu e se esfacelou... E se isssi ocorreu na superfície, e não nas profundidades que estamos acostumados a reprimir, Só há uma uma saída...
Ele a nomeou de psicodelismo....
Desterritorializamos tanto, que ou inventamos sem agentes deletérios e mortíferos uma nova vida, ou não sobrevivemos...
A loucura, a alegria, o prazer e a utopia sempre estão condicionados a agenciamentos químicos: e daí a fissura como morte...
Necessitamos de incorporá-los como modo de vida e horizonte de sonhos...
O cristal continuará quebrando-se, mas teremos asas para voar além dos próprios cacos.
O vulcão lançará sua chamas, mas já teremos construído uma vida para além dos ocos e abismos das toxinas vulcânicas...
Uma vez que a liberdade será um plano afirmativo construído na desterritorialização,contudo gerando uma nova territoialidade solidária , terna, meiga e psicodélica.
JORGE BICHUETTI
Madrugada, seresta, sereno... Estrela da manhã...
Silêncio nos ruídos;
ruídos no silêncio...
Uma taça de cristal na mesa, luz vermelha...
Um corpo nu na calçada, sedução...
A vida gira e girando move-se,
não vê, nem escuta o que se dá na escuridão...
Luzes vermelhas clareiam, mas só clareiam o beijo e a conjunção...
De repente, um canto... Canto de sereia? ...
Um diabo do redemoinho? uma encruzilhada...
A sobriedade de muitos hoje não, se corrompe,,,
E a taça de cristal se quebra, caindo nua no chão...
A fissura se impôs, feito um vulcão...
***
Um homem vivendo sóbrio durante longos dias...
Um casal amando-se como se o amor fora um bem da eternidade...
Sem motivos, sem causalidade, uma fissura quebra a sobriedade e põe fim na ilusão de uma felicidade sem fim.
***
Como entender? Como cuidar?
" A fissura não é nem interior nem exterior, ela se acha na fronteira, insensível, incorporal, ideal." p 158
Se é da fronteira, pode-se inferir que é produtudo de uma desterritorialização maximizada...
Desterritorializada, mantêm relações complexas com o universo das interferências e dos cruzamentos; vivenvia junções saltitantes...onde o o direito ao risco e à liberdade são agenciadas pela idéia da da morte como acontecimento, uma morte impessoal...
***
Valendo-me de Foucault, para resgatar aqui a idéia de caixa-de ferramentas, recordo Pierre Weil que identificava no desejo de autodestruição, um desejo de morte do ego e de reinvenção da vida..
***
De fato. a fissura recria a gramática e a pessoa passa a se pensar num passado composto; que é um passado que incuindo o presente permite bifurcações...
***
A fissura é um vulcão...
Dela, não se pode sair retrocedendo-se... pois o cristal está fragmentado, a porcelana quebrada...
***
Que fazer?
Deleuze propõe uma contra-efetuação...
Se o canto da sereia seduziu...
Se o redemoinho do diabo nos capturou...
Se algo rompeu e se esfacelou... E se isssi ocorreu na superfície, e não nas profundidades que estamos acostumados a reprimir, Só há uma uma saída...
Ele a nomeou de psicodelismo....
Desterritorializamos tanto, que ou inventamos sem agentes deletérios e mortíferos uma nova vida, ou não sobrevivemos...
A loucura, a alegria, o prazer e a utopia sempre estão condicionados a agenciamentos químicos: e daí a fissura como morte...
Necessitamos de incorporá-los como modo de vida e horizonte de sonhos...
O cristal continuará quebrando-se, mas teremos asas para voar além dos próprios cacos.
O vulcão lançará sua chamas, mas já teremos construído uma vida para além dos ocos e abismos das toxinas vulcânicas...
Uma vez que a liberdade será um plano afirmativo construído na desterritorialização,contudo gerando uma nova territoialidade solidária , terna, meiga e psicodélica.
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
DEPENDÊNCIA QUÍMICA: AVENTURA, VIAGEM OU SERVIDÃO ( I )
JORGE BICHUETTI
Comumente, diabolizamos a problemática da dependência química... Vemos desvio, delinqüencia, autodestrutividade, mimetismo social, rebeldia, marginalidade...
Normôticos, olhamos para os que vivenciam as experiências com drogas e os condenamos... Dizemos simplificando o problema: procuram a morte com as próprias mãos...
Este é o pensamento policialesco e normatizante, higienista e moralizante.
Não é um consenso...
Frei Beto , no texto " Vida, sim; drogas, não", para a revista Caros Amigos, declara que ninguém suporta a normalidade. Sugere que só possível superar uma dependência química através de uma paixão, de uma causa amorosa, política, ética, estética ou existencial...
"A normalidade é a mediocridade institucionalizada" ( Miziara, L. In: A Salamandra)
Rotelli chama a atenção para a função de amplificador da consciência das drogas; e assinala que elas não são em si o problema, mas a compulsão que gera um funcionamento à maneira dos buracos negros que esvaziam o sentido da vida e da caminhada. Eles a procuraram porque desejam algo mais do que lhe era oferecido pelo sistema, pela racionalidade técnico-instrumental, pelo modo de viver da subjetividade capitalística. Assim, conclui que aos processos de reabilitação necessitam serem mais sedutores do que o mundo das drogas...
Cuidamos e , depois, os vemos recaídos; contudo, nosso cuidado é um arranjo ortopédico de recuperação da vida anterior , já esgotada no momento da busca da droga.
Deleuze chega com contribuições valiosas...
O uso da droga , para ele, é uma experimentação vital; cujo perigo mora no buraco negro da repetição compulsiva, na ausência de uma linha e fuga( plano de consistência) que permitiria o indivíduo voltar desta dsterritorialização de alta intensidade e incomensurável velocidade, sem cair no vazio novamente ou na rotina cinzenta negada.
Acrescenta mais: antes o homem funcionava investindo sua energia e desejo no campo mnésico e dos afetos, que se mantinham eternizados no inconsciente como representações...
Agora, diagnostica uma mudança neste investimento: investimos nas percepções...
Percepções micro e macro que dilatam o mundo e o subtrai do terrível desencantamento imposto pela lógica mercantil, prática e funcional.
Deste modo, podemos dissolver os preconceitos e pensar o uso compulsivo e a própria fissura.
O uso compulsivo de drogas pode vincular:-se:
- a própria química;
- cultura do tudo posso, um funcionamento narcísico, onipotente e fálico;
- reverberações dos fantasmas da cena primaria;
- o efeito gangue - grupalidade/ tribo/ grupo assujeitado;
- a ausência de planos de consistência para sustentar novos investimentos no universo das percepções;
-e o império das reproduções com esgotamento do instituído;
- falta de uma paixão e causa-paixão;
- e a própria insufiência de uma vida que permanece desencatada, estriada e cinzenta.
A fissura e desejo de uso que retorna com voracidade, inexplicavelmente, após, a vivência de uma desintoxicação, estando a pessoa sóbria.
Quais as hipóteses possíveis: n:
- a sobriedade é uma vida amputada;
- funcionamento normôtico, sem vitalidade, alegria e bons encontros;
- e , especificamente, a problemática das percepções.
As sensações brutas e as paixões estão sob o domínio do cronos, não retornam...
Já as percepções e a arte são experiências que ocorre na ruptura com o tempo cronológico, podendo ser reativadas...
A ressônancia desta reativação gera uma forte vontade de uso... a fissura.
Então, a autonomia está em se produzir uma vida com singularidade, solidariedade , multiplicidade e investimentos potentes no universo perceptivo.
E o aprendizado de se bifurcar, criar outras saídas, quando do retorno destas percepções, protegendo-se não pela falta ou negatividade, mas pela criação, luta e afirmação de vida.
Re-encantemos a vida e o mundo...
Comumente, diabolizamos a problemática da dependência química... Vemos desvio, delinqüencia, autodestrutividade, mimetismo social, rebeldia, marginalidade...
Normôticos, olhamos para os que vivenciam as experiências com drogas e os condenamos... Dizemos simplificando o problema: procuram a morte com as próprias mãos...
Este é o pensamento policialesco e normatizante, higienista e moralizante.
Não é um consenso...
Frei Beto , no texto " Vida, sim; drogas, não", para a revista Caros Amigos, declara que ninguém suporta a normalidade. Sugere que só possível superar uma dependência química através de uma paixão, de uma causa amorosa, política, ética, estética ou existencial...
"A normalidade é a mediocridade institucionalizada" ( Miziara, L. In: A Salamandra)
Rotelli chama a atenção para a função de amplificador da consciência das drogas; e assinala que elas não são em si o problema, mas a compulsão que gera um funcionamento à maneira dos buracos negros que esvaziam o sentido da vida e da caminhada. Eles a procuraram porque desejam algo mais do que lhe era oferecido pelo sistema, pela racionalidade técnico-instrumental, pelo modo de viver da subjetividade capitalística. Assim, conclui que aos processos de reabilitação necessitam serem mais sedutores do que o mundo das drogas...
Cuidamos e , depois, os vemos recaídos; contudo, nosso cuidado é um arranjo ortopédico de recuperação da vida anterior , já esgotada no momento da busca da droga.
Deleuze chega com contribuições valiosas...
O uso da droga , para ele, é uma experimentação vital; cujo perigo mora no buraco negro da repetição compulsiva, na ausência de uma linha e fuga( plano de consistência) que permitiria o indivíduo voltar desta dsterritorialização de alta intensidade e incomensurável velocidade, sem cair no vazio novamente ou na rotina cinzenta negada.
Acrescenta mais: antes o homem funcionava investindo sua energia e desejo no campo mnésico e dos afetos, que se mantinham eternizados no inconsciente como representações...
Agora, diagnostica uma mudança neste investimento: investimos nas percepções...
Percepções micro e macro que dilatam o mundo e o subtrai do terrível desencantamento imposto pela lógica mercantil, prática e funcional.
Deste modo, podemos dissolver os preconceitos e pensar o uso compulsivo e a própria fissura.
O uso compulsivo de drogas pode vincular:-se:
- a própria química;
- cultura do tudo posso, um funcionamento narcísico, onipotente e fálico;
- reverberações dos fantasmas da cena primaria;
- o efeito gangue - grupalidade/ tribo/ grupo assujeitado;
- a ausência de planos de consistência para sustentar novos investimentos no universo das percepções;
-e o império das reproduções com esgotamento do instituído;
- falta de uma paixão e causa-paixão;
- e a própria insufiência de uma vida que permanece desencatada, estriada e cinzenta.
A fissura e desejo de uso que retorna com voracidade, inexplicavelmente, após, a vivência de uma desintoxicação, estando a pessoa sóbria.
Quais as hipóteses possíveis: n:
- a sobriedade é uma vida amputada;
- funcionamento normôtico, sem vitalidade, alegria e bons encontros;
- e , especificamente, a problemática das percepções.
As sensações brutas e as paixões estão sob o domínio do cronos, não retornam...
Já as percepções e a arte são experiências que ocorre na ruptura com o tempo cronológico, podendo ser reativadas...
A ressônancia desta reativação gera uma forte vontade de uso... a fissura.
Então, a autonomia está em se produzir uma vida com singularidade, solidariedade , multiplicidade e investimentos potentes no universo perceptivo.
E o aprendizado de se bifurcar, criar outras saídas, quando do retorno destas percepções, protegendo-se não pela falta ou negatividade, mas pela criação, luta e afirmação de vida.
Re-encantemos a vida e o mundo...
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
A CLÍNICA SEGUNDO LAS MADRES
JORGE BICHUETTI
No sofrimento, necessitamos cuidado e aconchego... Na superação das dores e lágrimas da vida podemos inventar uma clínica, um modo de cuidar e de reinventar a vida: este é a experiência e a herança legada pelas Mães da Praça de Maio.
Já dizia Guattari que o inconsciente não escolhe onde nem a quem falar, e suas pulsações criativas geram o novo, linhas de singularização e diferença, de superação do mal...
Vítimas, choravam o desaparecimento de seus filhos... Vítimas do estado de Terror que impunha silencia e aceitação, resignação passiva e obediências aos abutres que lhes levavam seus filhos... 30000 desaparecidos...
Sobrevivem... e sobrevivem, inventando uma clínica que aqui exporemos sinteticamente em cinco linhas de ação:
Linha 1. De vítimas à resistentes: a vítima sofre, chora, reclama, mas não consegue fugir de uma paralisia que leva pouco a pouco a uma cronificação... Elas saíram à luta... Foram de porta em porta, exigindo seus filhos, os queriam e os buscavam... Percorrem igrejas, quartéis, juízes, gabinetes de governo... Na praça, concentraram seus esforços de denúncia e reclamação... Marchavam... Enfrentavam as forças do terror... Ameaçadas, sequestradas, e assassinadas... persistiram... No caminho, descobriram por si mesmas que uma uma vítima só se cura se lutando, se converte numa resistente.NENHUM PASSO ATRÁS...
Linha 2. Da dor individual à maternidade coletiva: inicialmente, eram mães em busca de seus filhos... Nesta busca, se encontraram.. e eram muitas mães e muitos filhos... Lutando juntas quebraram o individualismo e o narcicismo e passaram a funcionar coletivamente, assumindo que todos eram filhos de todos, a maternidade coletiva, a coletivização da dor e da esperança, as evitaram de serem capturadas pelos complexos que todos nós temos e que nos mantêm subjetividade edípica, individualista e narcísica, que nos enovelam nos adoecimentos paralisantes que trazemos nas raízes do nosso ego. Descobriram a potência de vida-saúde da solidariedade- MATERNIDADE COLETIVA.
Linha 3. Da resistência à afirmação de vida: Resistindo, se constituíram num força indomável... Se crescemos para a vida e o novo, logo, o sistema tenta nos capturar... Então, capturados, logo, recaímos e somos de novo fragilidade vulnerabilidade...O governo macabro tenta negociar a vida de seus filhos por uma reparação financeira e um perdão mútuo que era jogar no esquecimento suas histórias e as histórias de seus filhos... Elas avançam e inventam a clínica do virtual e do devir, exigindo aparição com vida. neste momento, se descobrem carregando a memória e os sonhos de seus filhos, e, assim, prosseguem numa prática política de solidariedade e luta, onde buscam em cada sofredor e em cada lutador, seus filhos redivivos e eternizados no ideal e no sonho de um mundo justo e fraterno, libertário e de direitos humanos. APARIÇÃO COM VIDA.
Linha 4. Da morte do ego à sociabilidade socialista: Caminhando, trabalhando, suportando suas feridas e dores, com o sorriso de quem acha sentido de vida nas ações de luta, resistência, solidariedade e partilha, já não segmentarizam na fragilidade egóica, descobre a magia do encontro e no outro, elas mesmas... E, assim, singularizam-se e radicalizam um projeto de vida, vivem conectando suas dores e sonhos com as dores e sonhos de sua gente... Agora, caminham com a multidão, visceralmente, devindo-se a luta e sonho dos outros. O OUTRO SOU EU...
Linha 5. Passo a passo, foram tornando-se nômades, caminhando pelas veredas da utopia ativa, já não sou um redemoinho verbal que se sustenta na reverberação de uma dor que nunca passa... São o sonho... Sonho prático: revolução se faz, fazendo... revolução se faz, partilhando... e revolução se faz, dando-se... a militância como via de cura e libertação... SONHOS COMPARTIDOS.
No sofrimento, necessitamos cuidado e aconchego... Na superação das dores e lágrimas da vida podemos inventar uma clínica, um modo de cuidar e de reinventar a vida: este é a experiência e a herança legada pelas Mães da Praça de Maio.
Já dizia Guattari que o inconsciente não escolhe onde nem a quem falar, e suas pulsações criativas geram o novo, linhas de singularização e diferença, de superação do mal...
Vítimas, choravam o desaparecimento de seus filhos... Vítimas do estado de Terror que impunha silencia e aceitação, resignação passiva e obediências aos abutres que lhes levavam seus filhos... 30000 desaparecidos...
Sobrevivem... e sobrevivem, inventando uma clínica que aqui exporemos sinteticamente em cinco linhas de ação:
Linha 1. De vítimas à resistentes: a vítima sofre, chora, reclama, mas não consegue fugir de uma paralisia que leva pouco a pouco a uma cronificação... Elas saíram à luta... Foram de porta em porta, exigindo seus filhos, os queriam e os buscavam... Percorrem igrejas, quartéis, juízes, gabinetes de governo... Na praça, concentraram seus esforços de denúncia e reclamação... Marchavam... Enfrentavam as forças do terror... Ameaçadas, sequestradas, e assassinadas... persistiram... No caminho, descobriram por si mesmas que uma uma vítima só se cura se lutando, se converte numa resistente.NENHUM PASSO ATRÁS...
Linha 2. Da dor individual à maternidade coletiva: inicialmente, eram mães em busca de seus filhos... Nesta busca, se encontraram.. e eram muitas mães e muitos filhos... Lutando juntas quebraram o individualismo e o narcicismo e passaram a funcionar coletivamente, assumindo que todos eram filhos de todos, a maternidade coletiva, a coletivização da dor e da esperança, as evitaram de serem capturadas pelos complexos que todos nós temos e que nos mantêm subjetividade edípica, individualista e narcísica, que nos enovelam nos adoecimentos paralisantes que trazemos nas raízes do nosso ego. Descobriram a potência de vida-saúde da solidariedade- MATERNIDADE COLETIVA.
Linha 3. Da resistência à afirmação de vida: Resistindo, se constituíram num força indomável... Se crescemos para a vida e o novo, logo, o sistema tenta nos capturar... Então, capturados, logo, recaímos e somos de novo fragilidade vulnerabilidade...O governo macabro tenta negociar a vida de seus filhos por uma reparação financeira e um perdão mútuo que era jogar no esquecimento suas histórias e as histórias de seus filhos... Elas avançam e inventam a clínica do virtual e do devir, exigindo aparição com vida. neste momento, se descobrem carregando a memória e os sonhos de seus filhos, e, assim, prosseguem numa prática política de solidariedade e luta, onde buscam em cada sofredor e em cada lutador, seus filhos redivivos e eternizados no ideal e no sonho de um mundo justo e fraterno, libertário e de direitos humanos. APARIÇÃO COM VIDA.
Linha 4. Da morte do ego à sociabilidade socialista: Caminhando, trabalhando, suportando suas feridas e dores, com o sorriso de quem acha sentido de vida nas ações de luta, resistência, solidariedade e partilha, já não segmentarizam na fragilidade egóica, descobre a magia do encontro e no outro, elas mesmas... E, assim, singularizam-se e radicalizam um projeto de vida, vivem conectando suas dores e sonhos com as dores e sonhos de sua gente... Agora, caminham com a multidão, visceralmente, devindo-se a luta e sonho dos outros. O OUTRO SOU EU...
Linha 5. Passo a passo, foram tornando-se nômades, caminhando pelas veredas da utopia ativa, já não sou um redemoinho verbal que se sustenta na reverberação de uma dor que nunca passa... São o sonho... Sonho prático: revolução se faz, fazendo... revolução se faz, partilhando... e revolução se faz, dando-se... a militância como via de cura e libertação... SONHOS COMPARTIDOS.
domingo, 14 de novembro de 2010
ESQUIZOANÁLISE E SOCIALISMO: A QUESTÃO DA REVOLUÇÃO
JORGE BICHUETTI
A esquizoanálise absorve o capitalismo e abandona o sonho da utopia socialista, quando enfatiza os processos da revolução molecular? Não, a revolução molecular acrescenta no horizonte das lutas o ideal e a necessidade de uma transformação social.
Quando da chegada do Antiédipo, Guattari afirmou categórico que ele se destinava à uma contenção do terrorismo suicida, que emergiria face o refluxo dos movimentos sociais no pós-maio de 68 e passou dois anos de sua vida tentando organizar uma federação de grupos de esquerda, agora, entendidos na amplitude da política do desejo, como grupos socialistas, anarquistas, de lutas moleculares e movimentos sociais...
Se questão anda esquecida, julgo que acontece algo muito peculiar ao marxismo: o pessimismo...
e, assim, lucraremos muito se no enfretamento da questão resgatamos o debate marxistas-surrealistas. Os surrealistas- que une amor louco, poesia do maravilhoso e revolução - imputavam a paralisia geral ao pessimismo que inibia a caminhada de luta pelo socialismo.Advogavam, então, o otimismo antecipatório.
Hoje, penso que , também, cabe incluir no debate o institucionalismo com suas ideias de autogestão e autoanálise, transversalidade e grupo sujeito, pois muitos se temem a vertente vertical e autoritária dos estados operários burocratizados. Igualmente, me parece que necessitamos para esta interlocução de recolocar em cena o jovem Marx, Marietegui, a oposição de esquerda e Che, marxistas mais próximos à singularidade e a diferença inerentes ao pensamento esquizoanalista.
Vejamos o que pensa a esquizoanálise:" O objeto transcendente da sociabilidade é a revolução.É neste sentido que a revolução é a potência social da diferença , o paradoxo de uma sociedade, a cólera própria da Ideia social.A revolução de modo algum passa pelo negativo.(...) A luta prática não passa pelo negativo, mas pela diferença e sua potência de afirmar.( Deleuze, In: Diferença Repetição,p. 335).
Já havia afirmado Deleuze, em Instintos e Instituições, que a atualização do virtual não se dá movido pela falta ou pela negatividade, mas sim, pela afirmação, divergência e criatividade.
De Guattari, temos: " militar é agir". Paradigma da luta revolucionária que se traduz com propriedade e grandeza na afirmação de Hebe de Bonafini: " A revolução se faz, fazendo-a... A revolução se faz, partilhando... A revolução se faz, dando-se..."
A esquizoanálise se alimenta da sua intempestiva e apaixonada vinculação com o novo.
Guattari, militante indomável, justifica a produção esquizoanalítica num constante enfrentamento com o estado capitalista, com o ego-subjetividade capitalística; e se deslumbrava com o poder de fogo das redes sociais rizomáticas.
Há entre a esquizoanálise conexões fulgurantes com o pensamento de Che:
- o nomadismo e a guerra de guerrilhas;
- a subjetivação e o homem novo
- e militância como ato afirmativo...
Creio que falta reviver a concepção política de Espinoza como paixão alegre.
E reafirmar a utopia como ato vivo de afirmação da vida e da luta como vontade de potência...
Novos campos enriquecem nossas reflexões e devemos incorporá-los: o Zapatismo, Madres de Plaza de Mayo, o MST, a teologia da libertação e tantos outras experiência de sonho-luta pelo socialismo.
Sintetizando, dizemos: Nós, esquizoanalistas, cremos, sonhamos e lutamos "POR UMA NOVA TERRA, POR UM POVO POR-VIR...
Que há de-vir...
Socialismo ou barbárie! Hasta la Victoria!...
A esquizoanálise absorve o capitalismo e abandona o sonho da utopia socialista, quando enfatiza os processos da revolução molecular? Não, a revolução molecular acrescenta no horizonte das lutas o ideal e a necessidade de uma transformação social.
Quando da chegada do Antiédipo, Guattari afirmou categórico que ele se destinava à uma contenção do terrorismo suicida, que emergiria face o refluxo dos movimentos sociais no pós-maio de 68 e passou dois anos de sua vida tentando organizar uma federação de grupos de esquerda, agora, entendidos na amplitude da política do desejo, como grupos socialistas, anarquistas, de lutas moleculares e movimentos sociais...
Se questão anda esquecida, julgo que acontece algo muito peculiar ao marxismo: o pessimismo...
e, assim, lucraremos muito se no enfretamento da questão resgatamos o debate marxistas-surrealistas. Os surrealistas- que une amor louco, poesia do maravilhoso e revolução - imputavam a paralisia geral ao pessimismo que inibia a caminhada de luta pelo socialismo.Advogavam, então, o otimismo antecipatório.
Hoje, penso que , também, cabe incluir no debate o institucionalismo com suas ideias de autogestão e autoanálise, transversalidade e grupo sujeito, pois muitos se temem a vertente vertical e autoritária dos estados operários burocratizados. Igualmente, me parece que necessitamos para esta interlocução de recolocar em cena o jovem Marx, Marietegui, a oposição de esquerda e Che, marxistas mais próximos à singularidade e a diferença inerentes ao pensamento esquizoanalista.
Vejamos o que pensa a esquizoanálise:" O objeto transcendente da sociabilidade é a revolução.É neste sentido que a revolução é a potência social da diferença , o paradoxo de uma sociedade, a cólera própria da Ideia social.A revolução de modo algum passa pelo negativo.(...) A luta prática não passa pelo negativo, mas pela diferença e sua potência de afirmar.( Deleuze, In: Diferença Repetição,p. 335).
Já havia afirmado Deleuze, em Instintos e Instituições, que a atualização do virtual não se dá movido pela falta ou pela negatividade, mas sim, pela afirmação, divergência e criatividade.
De Guattari, temos: " militar é agir". Paradigma da luta revolucionária que se traduz com propriedade e grandeza na afirmação de Hebe de Bonafini: " A revolução se faz, fazendo-a... A revolução se faz, partilhando... A revolução se faz, dando-se..."
A esquizoanálise se alimenta da sua intempestiva e apaixonada vinculação com o novo.
Guattari, militante indomável, justifica a produção esquizoanalítica num constante enfrentamento com o estado capitalista, com o ego-subjetividade capitalística; e se deslumbrava com o poder de fogo das redes sociais rizomáticas.
Há entre a esquizoanálise conexões fulgurantes com o pensamento de Che:
- o nomadismo e a guerra de guerrilhas;
- a subjetivação e o homem novo
- e militância como ato afirmativo...
Creio que falta reviver a concepção política de Espinoza como paixão alegre.
E reafirmar a utopia como ato vivo de afirmação da vida e da luta como vontade de potência...
Novos campos enriquecem nossas reflexões e devemos incorporá-los: o Zapatismo, Madres de Plaza de Mayo, o MST, a teologia da libertação e tantos outras experiência de sonho-luta pelo socialismo.
Sintetizando, dizemos: Nós, esquizoanalistas, cremos, sonhamos e lutamos "POR UMA NOVA TERRA, POR UM POVO POR-VIR...
Que há de-vir...
Socialismo ou barbárie! Hasta la Victoria!...
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
O DEVIR MULHER NAS BRUXAS
JORGE BICHUETI
As bruxas se revelam mulheres que não se dobravam ao poder fálico masculino, e advogavam ul lugar e um valor-função para elemento femenino.
Inegavelmente, assumiam a rebeldia, o indomável e instintivo das mulheres. Carregavam orgulhosas a insubmissão. Lidavam comgrande vitalidade com a sexualidade e com a própria magia, não eram codificadas pelo racional-lógico.Sedutoras, sensuais e mágicas foram perseguidas e nomeadas de as grandes meretrizes...
A leitura das tradições das bruxas celtas mostram um universo rico, fecundo e mágico que as localizam perto e harmânicas com a natureza.
Seus rituais são festas onde o fogo e círculo desempenham papéis congruentes às suas funções na sociedade e no mundo celta.
Cabe a elas a definicição de Deleuze-Guatari: figuras estéticas, pura potência de afetos que transbordam as afecções e percepções ordinárias.
Suas festas:
- Ano novo - Samhain ( haloween) - um momento de poder espiritual, onde o véu entre o mundo material e esperitual cai, deixando todos ricos de conhecimentos ancestrais para o próximo ano.Se alimenta os mortos com pães. É a celebração dos mortos. morte e ressureição.
- Lammas - festa da colheita, gratidão à terra abundante e se realiza jogos esportivos.
- Mabon - dia de alinhamento psíquico e espiritual e dos movimentos de fluxo e refluxo da vida.
- Yule - Alegria e divertimento
- Candelária -preparação do período de jejum e purificação. doam alimentos aos desvalidos..
- Ostara - tempo de regeneração do velho e do desabrochar da sexualidade.plantam seus jardins de ervas, flores e legumes que desempenharão um papel importante nos rituais, feitiços e poções.
- Beltane - ritos de sexualidade e fertilidade.A natureza celebra a grande fecundidade da terra em rituais de sexo, nascimento e nova vida.. os vínculos conjugais ficam suspensos neste período
- Litha - Grande poder e magia, onde se confunde sonho e realidade, dedicada as deusas da fertilidade e da sexualidade; todos festejam alegres, se dá os grande festivais ao ar livre...
Nota-se, claramente, o elemento feminino não-submisso ao falocentrismo, e com seu explendor em sexualidade e magia, sensibilidade... Vivem sintonizadas com a natureza...
O devir mulher emerge e propaga, contagiante...
As bruxas se revelam mulheres que não se dobravam ao poder fálico masculino, e advogavam ul lugar e um valor-função para elemento femenino.
Inegavelmente, assumiam a rebeldia, o indomável e instintivo das mulheres. Carregavam orgulhosas a insubmissão. Lidavam comgrande vitalidade com a sexualidade e com a própria magia, não eram codificadas pelo racional-lógico.Sedutoras, sensuais e mágicas foram perseguidas e nomeadas de as grandes meretrizes...
A leitura das tradições das bruxas celtas mostram um universo rico, fecundo e mágico que as localizam perto e harmânicas com a natureza.
Seus rituais são festas onde o fogo e círculo desempenham papéis congruentes às suas funções na sociedade e no mundo celta.
Cabe a elas a definicição de Deleuze-Guatari: figuras estéticas, pura potência de afetos que transbordam as afecções e percepções ordinárias.
Suas festas:
- Ano novo - Samhain ( haloween) - um momento de poder espiritual, onde o véu entre o mundo material e esperitual cai, deixando todos ricos de conhecimentos ancestrais para o próximo ano.Se alimenta os mortos com pães. É a celebração dos mortos. morte e ressureição.
- Lammas - festa da colheita, gratidão à terra abundante e se realiza jogos esportivos.
- Mabon - dia de alinhamento psíquico e espiritual e dos movimentos de fluxo e refluxo da vida.
- Yule - Alegria e divertimento
- Candelária -preparação do período de jejum e purificação. doam alimentos aos desvalidos..
- Ostara - tempo de regeneração do velho e do desabrochar da sexualidade.plantam seus jardins de ervas, flores e legumes que desempenharão um papel importante nos rituais, feitiços e poções.
- Beltane - ritos de sexualidade e fertilidade.A natureza celebra a grande fecundidade da terra em rituais de sexo, nascimento e nova vida.. os vínculos conjugais ficam suspensos neste período
- Litha - Grande poder e magia, onde se confunde sonho e realidade, dedicada as deusas da fertilidade e da sexualidade; todos festejam alegres, se dá os grande festivais ao ar livre...
Nota-se, claramente, o elemento feminino não-submisso ao falocentrismo, e com seu explendor em sexualidade e magia, sensibilidade... Vivem sintonizadas com a natureza...
O devir mulher emerge e propaga, contagiante...
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
ARTE-VIDA: A VIDA COMO OBRA DE ARTE ( 1)
JORGE BICHUETTI
Usemos aqui o processo de tempestade mental, e coloquemos aleatoriamente vários interlocutores,, expremirem seus pensamentos::
Vejamos outroas provocativas afirmações:
- É na arte que o homem se ultrapassa definitivamente ( Simone de Bevouair )
*********************
Respiro fundo, miro o infinito... A arte e suas n expressões de vida, captadas pela sensibilidade e pela íris própria de cada um...
Percebe-se que ela é continente, desveladora de possibilidades de vida, antes ocultas ou negadas... Ela desnuda... o real e o virtual... Nos afeta potencializando a nossa própria auto-superação... Gera vida e a faz brilhar...
**********************
Que vida é essa que é obra de arte?
Tendo a pensar que para inventá-la, devemos auscultar as artes performáticas, o teatro-inensidades( Deleuze)... Bricolar Artaud e Brecht... E mergulhar no sonho surrealista... E mais , mais e mais outros mais...
Gente é feita para brilhar... para encantar e se encantar...
Como construir um corpo-arte e uma vida-arte? Um devir arte na vida, na rua, na esquina, na fábrica e nos leitos de amor...
... O caminho descobriremos... no entre da arte que encanta os céus e nos céus que encanta as artes.
AMIGOS, CONSTRUAMOS UM COLETIVO... DIVULGUEM O BLOG!
INSCREVAM-SE... O SONHO PULSA NO CHÃO FLORIDO DE OUSADIAS E
A subjetividade capitalista é racional, lógica, matemática, verbal, sensorial-positiva, instrumental e mercantil... Nega a experimentação e o que pode um corpo... Evita o mágico, o poético, o místico, o delirante...
Em crise, rodopia-se nas amarras da normatização, captura e domesticação... É uma subjetividade assujeitada...
Jung nos cuidados da crise, ousando o novo, já avaliava o valor da imaginação criativa.
Deleuze chega a afirmar que a arte é terapia, em si, penso que na sua potência libertária...
Michel Foucault pensa os dispositivos e deles a subjetivações livres, concebendo um valor essencial à arte.
Mahatma Gandhi ilumina este debate, provocando-nos:
"A arte da vida consiste em fazer da vida uma obra de arte." Usemos aqui o processo de tempestade mental, e coloquemos aleatoriamente vários interlocutores,, expremirem seus pensamentos::
"A arte é uma revolta contra o destino." (André Malraux)
"A arte é feita para perturbar; a ciência tranqüilizar." (Georges Braque)
"Os espelhos são usados para ver o rosto; a arte para ver a alma." (George Bernard Shaw)
"A arte saiu da caverna e caminha em direção ao divino. É o Deus que há em nós, a grande mola que propulsiona o homem para a frente e para cima."
(Olga Savary)
(Olga Savary)
"A arte vence a monotonia das coisas assim como a esperança vence a monotonia dos dias." (Gilbert Keith Chesterton)
"Todas as artes contribuem para a maior de todas as artes, a arte de viver." (Bertold Brecht)
De Fernando Pessoa: - A arte é a auto-expressão lutando para ser absoluta.
- A arte consiste em fazer os outros sentir o que nós sentimos, em os libertar deles mesmos, propondo-lhes a nossa personalidade para especial libertação.
- A ciência descreve as coisas como são; a arte, como são sentidas, como se sente que são.
- O fim da arte inferior é agradar, o fim da arte média é elevar, o fim da arte superior é libertarVejamos outroas provocativas afirmações:
- É na arte que o homem se ultrapassa definitivamente ( Simone de Bevouair )
- A arte é uma flor nascida no caminho da nossa vida, e que se desenvolve para suavizá-la. ( Schoupenhauer)
- A arte não é um espelho para reflectir o mundo, mas um martelo para forjá-lo. ( Maiakovsky)
- A finalidade da arte é, simplesmente, criar um estudo da alma. ( Wilde )
- A arte diz o indizível; exprime o inexprimível, traduz o intraduzível. ( Da Vinci )
- Temos a arte para não morrer da verdade. ( Nietzsche)*********************
Respiro fundo, miro o infinito... A arte e suas n expressões de vida, captadas pela sensibilidade e pela íris própria de cada um...
Percebe-se que ela é continente, desveladora de possibilidades de vida, antes ocultas ou negadas... Ela desnuda... o real e o virtual... Nos afeta potencializando a nossa própria auto-superação... Gera vida e a faz brilhar...
**********************
Que vida é essa que é obra de arte?
Tendo a pensar que para inventá-la, devemos auscultar as artes performáticas, o teatro-inensidades( Deleuze)... Bricolar Artaud e Brecht... E mergulhar no sonho surrealista... E mais , mais e mais outros mais...
Gente é feita para brilhar... para encantar e se encantar...
Como construir um corpo-arte e uma vida-arte? Um devir arte na vida, na rua, na esquina, na fábrica e nos leitos de amor...
... O caminho descobriremos... no entre da arte que encanta os céus e nos céus que encanta as artes.
AMIGOS, CONSTRUAMOS UM COLETIVO... DIVULGUEM O BLOG!
INSCREVAM-SE... O SONHO PULSA NO CHÃO FLORIDO DE OUSADIAS E
VALENTIAS ESPUMANTES DOS QUE AMAM O CAMINHO...
O DEVIR MULHER NA MITOLOGIA GREGA
JORGE BICHUETTI
O devir mulher não flui nítido nos deusees e deusas gregas. A guerra e as disputas de poder o travam...
Afrodite, bela e encantadora, vaidosa e inúmeros amores, o vivencia em momentos chaves da sua vida...
Sensualidade e potência sedutora, inegáve.... Vaidosa...No casamento com Hefesto, aprece na sua audácia de romper a passividade submissão, com os aborrecimentos da vida doméstica.
Tem um filho com seu amante Ares, Eros... Eros vive de agenciar amores... Não sabemos aqui definir se nele o devir mulher se atualiza ou se ele é um efeito do devir mulher de Afrodite...
Na paixão de Afrodite pelo peloâdonis, o devir mulher se manifesta na vida e na morte: amor intenso e terno, sensual e protetor, quando este morre suas lágrimas caem e produziam a magia das flores perfumadas que encantam, as frágeis anêmonas...
Em Apolo, o devir mulher, inesperadamente, se atualiza potente e intenso... Jovem belo, de corpo másculo-escultural, corpo de atleta com traços delicados de um mulher... Teve amoes infelizes, embora, causasse o amor em homens e em mulheres... Apaixonado por Dafne, mesmo quando um feitiço a transforma numa árvore, persiste amando-a eternamente. Laborioso, disciplinado, se mostra sensível e intuitivo, tornando-se o protetor das artes( da poesia, da música, do teatro e das artes plásticas)..
Um parentêsis precioso: é ingável no amor incondicional de Gaia aos seus filhos um devir mulher...
Na crueldade de Medéia, um traço grotesco e exagerado na devir mulher que se mostra vingativo e cruel quando seu território é violado...
Há uno caos da vida de Dionísiio, um devir mulher que não se atualiza, pois o mesmo vive imerso na embriaguês dos prazeres e do vinho.
Ariadne - com seus fios driblando os enigmas do labirinto e hhoje, uma constelação, permanece coo quem conserva em si os segredos do devir mulher..
O devir mulher não flui nítido nos deusees e deusas gregas. A guerra e as disputas de poder o travam...
Afrodite, bela e encantadora, vaidosa e inúmeros amores, o vivencia em momentos chaves da sua vida...
Sensualidade e potência sedutora, inegáve.... Vaidosa...No casamento com Hefesto, aprece na sua audácia de romper a passividade submissão, com os aborrecimentos da vida doméstica.
Tem um filho com seu amante Ares, Eros... Eros vive de agenciar amores... Não sabemos aqui definir se nele o devir mulher se atualiza ou se ele é um efeito do devir mulher de Afrodite...
Na paixão de Afrodite pelo peloâdonis, o devir mulher se manifesta na vida e na morte: amor intenso e terno, sensual e protetor, quando este morre suas lágrimas caem e produziam a magia das flores perfumadas que encantam, as frágeis anêmonas...
Em Apolo, o devir mulher, inesperadamente, se atualiza potente e intenso... Jovem belo, de corpo másculo-escultural, corpo de atleta com traços delicados de um mulher... Teve amoes infelizes, embora, causasse o amor em homens e em mulheres... Apaixonado por Dafne, mesmo quando um feitiço a transforma numa árvore, persiste amando-a eternamente. Laborioso, disciplinado, se mostra sensível e intuitivo, tornando-se o protetor das artes( da poesia, da música, do teatro e das artes plásticas)..
Um parentêsis precioso: é ingável no amor incondicional de Gaia aos seus filhos um devir mulher...
Na crueldade de Medéia, um traço grotesco e exagerado na devir mulher que se mostra vingativo e cruel quando seu território é violado...
Há uno caos da vida de Dionísiio, um devir mulher que não se atualiza, pois o mesmo vive imerso na embriaguês dos prazeres e do vinho.
Ariadne - com seus fios driblando os enigmas do labirinto e hhoje, uma constelação, permanece coo quem conserva em si os segredos do devir mulher..
sábado, 30 de outubro de 2010
DEVIR MULHER: A CAPTURA MASCULINA
JORGE BICHUETTI
Se todo devir é minoritário, pode-se, facilmente, perceber os movimentos majoritários que exercem o controle e moblizam as capturas...
No devir mulher, é inegável as capturas do machismo, majoritário.
O próprio podder fálico, a dominação masculina e a submissão histórica das mulheres forjam um campo estriado e cheio de controles e capturas.
A exclusão do mercado, ou,hoje, desvalorização salarial, a dupla jornada de trabalho, os assédios sexuais e a violência doméstica executtam uma função de manutenção do instituído: a dominação do homem, a posição servil da mulher, o falocentrismo, a monogamia feminina e a poligamia masculina, uma sexualidade genital-orgástica. E este modo de existir inibe o devir mulher...
Empobrece o mundo que perde: ternura, sensualidade, maternagem, acolhimento, cuidado, faceirice, sedução e autodefesa viril.
Como o homem, o masculino, consegue anular a força da mulher, se todos carecem do devir mulher?
Não realizaremos um estudo, deixaremos aqui, a palavra do Nietzsche e lúcida compreensão de como os homens lidam com as mulheres:
- " Até agora, as mulheres foram tratadas pelos homens como pássaros que, provindos de alguma região excelsa, junto a eles se extraviariam: como algo muito delicado, mais vulnerável, mais selvagem, mais extranho, mais doce e mais cheio de alma - mas como algo que se precisa trancafiar para que não fuja voando" 237a, In Além do Bem e do Mal.
Deixa -nos Nietzsche sugestivas pistas sobre o devir mulher ( delicadeza selvagem, doce , cheia de alma) que é inibida nos seus vôos de se devir linhas de diferença, sendo engaioladas..
Ficando para todos uma nova pergunta: qual é a gaiolla que me aprisiona e me afastada das minhas potências?
.... Oh! pobres mulheres quão violentas, doutras vezes quão sedutoras são estas tristes gaiolas...
Nelas, se canta sempre um canto melancólico, um lamento, uma tristeza: saudade do território excelso do devir mulher
Se todo devir é minoritário, pode-se, facilmente, perceber os movimentos majoritários que exercem o controle e moblizam as capturas...
No devir mulher, é inegável as capturas do machismo, majoritário.
O próprio podder fálico, a dominação masculina e a submissão histórica das mulheres forjam um campo estriado e cheio de controles e capturas.
A exclusão do mercado, ou,hoje, desvalorização salarial, a dupla jornada de trabalho, os assédios sexuais e a violência doméstica executtam uma função de manutenção do instituído: a dominação do homem, a posição servil da mulher, o falocentrismo, a monogamia feminina e a poligamia masculina, uma sexualidade genital-orgástica. E este modo de existir inibe o devir mulher...
Empobrece o mundo que perde: ternura, sensualidade, maternagem, acolhimento, cuidado, faceirice, sedução e autodefesa viril.
Como o homem, o masculino, consegue anular a força da mulher, se todos carecem do devir mulher?
Não realizaremos um estudo, deixaremos aqui, a palavra do Nietzsche e lúcida compreensão de como os homens lidam com as mulheres:
- " Até agora, as mulheres foram tratadas pelos homens como pássaros que, provindos de alguma região excelsa, junto a eles se extraviariam: como algo muito delicado, mais vulnerável, mais selvagem, mais extranho, mais doce e mais cheio de alma - mas como algo que se precisa trancafiar para que não fuja voando" 237a, In Além do Bem e do Mal.
Deixa -nos Nietzsche sugestivas pistas sobre o devir mulher ( delicadeza selvagem, doce , cheia de alma) que é inibida nos seus vôos de se devir linhas de diferença, sendo engaioladas..
Ficando para todos uma nova pergunta: qual é a gaiolla que me aprisiona e me afastada das minhas potências?
.... Oh! pobres mulheres quão violentas, doutras vezes quão sedutoras são estas tristes gaiolas...
Nelas, se canta sempre um canto melancólico, um lamento, uma tristeza: saudade do território excelso do devir mulher
ESQUIZOANÁLISE: A PALAVRA INESPERADA...
JORGE BICHUETTI
Se estamos aqui entre deuses e magias alquímicas, me parece valioso apontar algumas assttivas da esquizoanálise, de imenso valor prático, e que permanecem pouco exploradas.
Ela pensa pela vida e vida é conexão imanente entre desejo e produção.
Não há quem inveje o mundo dionísico: prazeres, festas, danças,teatrovinhos, orgias... O território da alegria.
e nos acusamos, frequentemente, por nossa filiação à Apolo: o ferreiro, o trabalhador laborioso e organizado, mas, igualmente, a poesia e a música.
Diz Deleuze que se fazemos uma imersão em dionísio, podemos facilmente cair num plano de alegria autodestrutiva - um buraco negro - pois careceríamos de apolo , o agenciador dos planos de consistência...
Elementar, meu caro amigo... O surprendente está afirmação de Deleuze de para esta síntese ou maquinação, devemos entender que nunca a iniciativa parte de Dionísio... apolo é o agenciador deste encontro e a ele que devemos recorrer no sentido de inventar uma vida de conexão entre dsejo e produção...
****
Em la Borde, uma clínica revolucioonário, há´algo que refere imprescindível à vida: a clínica dos transtornos mentais, mas, também, ao enriquecimento de todos nós, inclisive, do nosso processo de singularização e multiplicidades.
Se alguém vive de trabalhos braçais, obrigatoriamente, é levado ao choque de uma atividade intelectual-artística; e se um intelectual chega na sua programação necessariamente conterá algo de braçal...
Por exemplo, sou bancário, manuseio computadores e faço academia: na minha programação constará hipoteticamente o balé, a horta, a música, a pescaria...
Um operário do campo terá que vivenciar o computador, a pintura, o clube de poesia...
Estamos falando da potência que uma atividade extrangeira ao nosso universo de vida tem sobre o nosso psiquismo, abrindo canais e permitindo a emergências de desejos que se encontravam inacessíveis...
****
Discutindo dependência química, a esquizoanálise pontuou dois novos elementos fundamentais para entender e intervir nesta problemática:
- o uso é uma experimentação vital, um desejo de amplificar o psiquismo, que pode cair no buraco negro da repetição e ,assim, na antiprodução;
- e que é mais valioso é que as drogas são reveladores da superação do funcionamento psíquico baseado no sensorial, nas sensações; - dominante na análise freudiana - e que marca um novo momento onde começa os investimentos mentais se concentrarem no intuitivo, nos modos de percepção para-lógicos...
**********
Todos queremos ter a solução para o outro, e Guattari de forma brilhante diz que se trata de NÂO ATRAPALHAR...
*************
Estas pequenas reflexões nos fala do quando podemos tornar potentes nossas vidas, escutando e vivenciando - com ousadia e prudência - a esquizoanálise que reintroduzindo a diferença, a multiplicidade e o devir nos convoca para que reinventemos nosso próprio existir.
Se estamos aqui entre deuses e magias alquímicas, me parece valioso apontar algumas assttivas da esquizoanálise, de imenso valor prático, e que permanecem pouco exploradas.
Ela pensa pela vida e vida é conexão imanente entre desejo e produção.
Não há quem inveje o mundo dionísico: prazeres, festas, danças,teatrovinhos, orgias... O território da alegria.
e nos acusamos, frequentemente, por nossa filiação à Apolo: o ferreiro, o trabalhador laborioso e organizado, mas, igualmente, a poesia e a música.
Diz Deleuze que se fazemos uma imersão em dionísio, podemos facilmente cair num plano de alegria autodestrutiva - um buraco negro - pois careceríamos de apolo , o agenciador dos planos de consistência...
Elementar, meu caro amigo... O surprendente está afirmação de Deleuze de para esta síntese ou maquinação, devemos entender que nunca a iniciativa parte de Dionísio... apolo é o agenciador deste encontro e a ele que devemos recorrer no sentido de inventar uma vida de conexão entre dsejo e produção...
****
Em la Borde, uma clínica revolucioonário, há´algo que refere imprescindível à vida: a clínica dos transtornos mentais, mas, também, ao enriquecimento de todos nós, inclisive, do nosso processo de singularização e multiplicidades.
Se alguém vive de trabalhos braçais, obrigatoriamente, é levado ao choque de uma atividade intelectual-artística; e se um intelectual chega na sua programação necessariamente conterá algo de braçal...
Por exemplo, sou bancário, manuseio computadores e faço academia: na minha programação constará hipoteticamente o balé, a horta, a música, a pescaria...
Um operário do campo terá que vivenciar o computador, a pintura, o clube de poesia...
Estamos falando da potência que uma atividade extrangeira ao nosso universo de vida tem sobre o nosso psiquismo, abrindo canais e permitindo a emergências de desejos que se encontravam inacessíveis...
****
Discutindo dependência química, a esquizoanálise pontuou dois novos elementos fundamentais para entender e intervir nesta problemática:
- o uso é uma experimentação vital, um desejo de amplificar o psiquismo, que pode cair no buraco negro da repetição e ,assim, na antiprodução;
- e que é mais valioso é que as drogas são reveladores da superação do funcionamento psíquico baseado no sensorial, nas sensações; - dominante na análise freudiana - e que marca um novo momento onde começa os investimentos mentais se concentrarem no intuitivo, nos modos de percepção para-lógicos...
**********
Todos queremos ter a solução para o outro, e Guattari de forma brilhante diz que se trata de NÂO ATRAPALHAR...
*************
Estas pequenas reflexões nos fala do quando podemos tornar potentes nossas vidas, escutando e vivenciando - com ousadia e prudência - a esquizoanálise que reintroduzindo a diferença, a multiplicidade e o devir nos convoca para que reinventemos nosso próprio existir.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
O DEVIR MULHER NO MUNDO ENCANTADO DOS ORIXÁS ( i )
JORGE BICHUETTI
Percorreremos o mundo encantado dos orixás e buscaremos elementos clarificadores do devir mulher...
OXUM - Cheia de vontades e vaidades, bela e voluntariosa, cuja maior característica era o seu indomável poder de sedução: sensual, faceira e meiga, conseguiu domar o violento Ogum com sua dança , dança do amor; ela e o seu inseparável espelho...na inveja, vingava com crueldade... " E ia cantando, dançando, provocando". Seduziu inclusive Iansã...Com magia, libertou jovens prisioneiras. presa numa torre, magicamente, se liberta, tornando-se uma pomba...Amante ardorosa. posui o segredo intuitivo do oráculo. guarda o poder da fecundidade.
IEMANJÁ - Violentada numa relação incestuosa gerou os orixás.Através de uma poção mágica conseguiu ir para o mar. Dela nasceram as estrelas: " Assim, graças a iemanjá, o Sol pode dormir. À noite, as estrelas velam por seu sono, até que a madrugada traga outro dia.".Dona de rara beleza, caprichosa e apetites extravagantes.Mata seus amantes - pescadores jovens e bonitos - no mar...Diante da injustiça, é furiosa.Seduz, também, com atos histéricos, profundamente dramáticos.recusou a servidão doméstica e se fez a senhora das cabeças.
OXUMARÊ - "é visto no céu com sua faca de bronze, sempre se fazendo no arco-íris para estancar a chuva "." Todos se queriam aproximar-se de oxumarê, mulheres e homens, todos o queriam seduzi-lo"era bonito e invejado e suas roupas tinhma todas as cores do arco-íris.Para não ser violentado por Xangô, foi transformado numa cobra...Seis meses é um monstro, os outros seisuma linda mulher...Não tendo assim relação estável. O arco-íris... sempre vivo no céu. Tem a beleza do homem, e tem a beleza da mulher..
Nota-se na mitologia dos orixás: sensualidade, sedução, magia, sensibilidade, intuição, enfretamento do poder fálico, não existe o império da monogamia... Cultua-se o belo... e a sexualidade não é previamente castrada ou reprimida...
Percorreremos o mundo encantado dos orixás e buscaremos elementos clarificadores do devir mulher...
OXUM - Cheia de vontades e vaidades, bela e voluntariosa, cuja maior característica era o seu indomável poder de sedução: sensual, faceira e meiga, conseguiu domar o violento Ogum com sua dança , dança do amor; ela e o seu inseparável espelho...na inveja, vingava com crueldade... " E ia cantando, dançando, provocando". Seduziu inclusive Iansã...Com magia, libertou jovens prisioneiras. presa numa torre, magicamente, se liberta, tornando-se uma pomba...Amante ardorosa. posui o segredo intuitivo do oráculo. guarda o poder da fecundidade.
IEMANJÁ - Violentada numa relação incestuosa gerou os orixás.Através de uma poção mágica conseguiu ir para o mar. Dela nasceram as estrelas: " Assim, graças a iemanjá, o Sol pode dormir. À noite, as estrelas velam por seu sono, até que a madrugada traga outro dia.".Dona de rara beleza, caprichosa e apetites extravagantes.Mata seus amantes - pescadores jovens e bonitos - no mar...Diante da injustiça, é furiosa.Seduz, também, com atos histéricos, profundamente dramáticos.recusou a servidão doméstica e se fez a senhora das cabeças.
OXUMARÊ - "é visto no céu com sua faca de bronze, sempre se fazendo no arco-íris para estancar a chuva "." Todos se queriam aproximar-se de oxumarê, mulheres e homens, todos o queriam seduzi-lo"era bonito e invejado e suas roupas tinhma todas as cores do arco-íris.Para não ser violentado por Xangô, foi transformado numa cobra...Seis meses é um monstro, os outros seisuma linda mulher...Não tendo assim relação estável. O arco-íris... sempre vivo no céu. Tem a beleza do homem, e tem a beleza da mulher..
Nota-se na mitologia dos orixás: sensualidade, sedução, magia, sensibilidade, intuição, enfretamento do poder fálico, não existe o império da monogamia... Cultua-se o belo... e a sexualidade não é previamente castrada ou reprimida...
Assinar:
Postagens (Atom)































