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domingo, 26 de agosto de 2012

ADELMO CARNEIRO LEÃO; CAMINHO DO POVO NO ALVORECER DA PAZ E DA ALEGRIA

                         Jorge Bichuetti

Aluno e amigo de Adelmo Carneiro Leão, relembro que com ele aprendi a sonhar, lutar e construir no caminho, com o nosso povo, a vida de dignidade e cidadania, solidariedade e ternura, paz e justiça social, compaixão e partilha...
Homem terno, humilde e culto... dedica-se aos que carregam no calvário do dia-a-dia as dores do mundo... É a voz que clama por um novo mundo possível...
Nela, direitos humanos e o direito à diferença não são palavras que colorem um discurso político: são vida no caminho da história de suas lutas...
Saúde e educação, segurança pública e direitos sociais, ecologia e desenvolvimento sustentável, moradia e alimentação... são valores da vida que ele sempre entendeu como patrimônio de um povo, direitos da nossa gente que excluída na margem nada possui... Idealista, luta... crê na possibilidade de se construir um jeito de viver onde a inclusão social seja a primavera alegre do cotidiano diário das pessoas e da nossa cidade...
Muitos o sentem distante: assim, são os homens simples que trabalham fora dos holofotes de neon das vaidades passageiras e fúteis.
Que podemos esperar de sua gestão?...
Humanização da vida, participação popular, qualidade de vida, felicidade multiplicada na caminhada de um povo que apesar de sofrido, sabe o que pode a poesia do amor quando esta gere os bens públicos...
O neoliberalismo forjou um mundo individualista, solitário, competitivo, consumista e banal...
Com ele, a vida plena que nasce dos encontros alegres florescerá... Descobriremos no outro o nosso irmão de estrada...
Ético e transparente; proseando com o nosso povo e a nossa história fará Uberaba continuar avançando...
Tecerá o alvorecer de um tempo de paz...
E nas manhãs de cada dia, junto com os passarinhos, cantaremos... o direito de ser feliz...


 ...OS MENINOS E O POVO NO PODER!!!
NO HORIZONTE, O SOL DA ESPERANÇA...
E O SOL NASCERÁ... COM E PARA TODOS!!!


sexta-feira, 20 de julho de 2012

FILOSOFIA DA SIMPLICIDADE: QUAL O OFÍCIO DE UM POETA?

                      Jorge Bichuetti


É um lixeiro-ecologista: varre, limpa e recicla a podridão da vida que nos marcam com feridas e cicatrizes, lágrimas e mágoas...
E, igualmente, é um mágico: bruxo: semeador: materializa o novo, a ternura radical e o amor sem fronteiras do porvir no solo árido do presente...



quarta-feira, 20 de junho de 2012

PRECONCEITO ZERO...INCLUÇÃO SOCIAL É A POTÊNCIA DO AMOR SEM FRONTEIRAS...

                              Jorge Bichuetti


... é moda falar em bullyng; contudo, o bullyng é um modernismo para suavizar na psicopatologia os crimes sociais que cometemos nos processos de exclusão, marginalização e descriminação... Preconceito é crime de ódio; desamor institucionalizado; negação cruel e nefasta da vida.
O preconceito segrega, violenta, danifica...cria sub-humanidades artificiais que expressam a nossa (des)umanidade.
... é violência... violação dos direitos humanos....
... é negação da diversidade; é negação do direito à diferença.
... é microfascismo; normatização excludente e verticalizante.
... é a supressão da riqueza da vida que floresce como singularidade e multiplicidade...
Forma uma elite cinzenta, robotizada, uniformizada...
A vida é compromisso e ética de todos...
Não lutar contra o preconceito é apoiá-lo na omissão cúmplice.
Lutemos: PRECONCEITO ZERO...


NO PRIMEIRO SÁBADO DE AGOSTO, 07/08/2012, NA PRAÇA DA ESTAÇÃO EM BELO HORIZONTE... A VIDA ALI ESTARÁ... DIZENDO NÃO AO FASCISMO; EXIGINDO PRECONCEITO ZERO... VIDA E LIBERDADE, JUSTIÇA SOCIAL E CAMINHADA DE PARTILHA....


O EVENTO ESTA SENDO ORGANIZADO PELA FUNDAÇÃO GREGORIO F BAREMBLIT, JUNTO COM DIVERSAS ONG's...


PARTICIPE... DIVULGUE... ORGANIZE NA SUA CIDADE...
VIVER É LUTAR; POIS SÓ A MORTE CONVIVE SILENCIOSA COM A INDIGNIDADE... SÓ A COVARDIA NOS SILENCIA DIANTE DA DA INDIGNAÇÃO...


PRECONCEITO ZERO...
DIREITOS HUMANOS E DIREITO À DIFERENÇA...
A VIDA VOA NAS ASAS DA LIBERDADE...


domingo, 17 de junho de 2012

A FORÇA DA ESPERANÇA

                               Jorge Bichuetti

Muitos enxergam na esperança uma força passiva que acomoda, gera apatia e imobilismo...
A fé cega e a depositação fatalista num poder mágico nos paralisa... Contudo, a esperança é fé e luta, espera ativa... Consciência desperta, crítica, discordante... questionadora...resistente e insurgente...
Os crentes que pensam no que Deus fará por nós; jamais questionam o que Deus espera de nós...
Os políticos gerenciam o próprio poder; esquecidos que são interlocutores dos interesses populares e da vida...
A academia asséptica tergiversa e nada diz...
A voz da esperança ativa é o canto da lágrima dos excluídos que indignados, sonham com um novo mundo possível...
Militar é agir, diz Guattarri...
Che dizia que toda injustiça é violência em nós, ainda que as vítimas padeçam distantes dos nossos caminhos...
Viver é cuidar da vida... e a vida não é um valor particular....
A esperança, assim, é a força dos que rebelados, sonham... dos que indignados, lutam...
Cuidado: esperança é vida... para que não nos percamos no caminho, escutemos o eco da vida-farolde Frei Betto:
SEQÜESTRO DA LINGUAGEM
                              Frei Betto


   Primeiro, disseram que não haveria mais guerrilhas. Acreditei e, junto às botas, abandonei sonhos revolucionários.
   Em seguida, disseram que terminara a luta armada. Tornei-me violento pacifista.
   Depois, disseram que a esquerda falira. Fechei os olhos ao olhar dos pobres.
   Enfim, disseram que o socialismo morrera. E que uma palavra basta: democracia.
   Então, nasceu em mim a liberdade de ser burguês.
   Sem culpa.
In: A arte de semear estrelas; ed Rocco


14/07/2012 - encontro mensal da universidade popular juvenal arduini 
o sonho não acabou... a vida voa nas asas da liberdade...

segunda-feira, 11 de junho de 2012

AFORISMOS DA PAZ

                        Jorge Bichuetti

A roseira alcançou a paz quando, humildemente, aceitou os espinhos; amando-os como guardiões das suas belas e singelas flores... A rosa perfuma os espinhos, não negando orquestrar-se na diversidade, embrenhando-se na plenitude trans-sideral da própria primavera... Tolerar é incluir; incluir é desbravar no diverso a potência da vida que é o infinito nas conexões criativas do ad-verso... Magia da diversidade no jardim da imensidão.
                          ***
Longe da tolerância, do direito à diferença, o amor é exclusão e possessividade, simbiose e competição mortífera... Só o amor incondicional que é ternura persistente e compaixão includente, é amor... Amor é partilha solidária no caminho... O ódio é a loucura do eu que alijado do próximo, substitui Deus e subjuga o dia-a-dia sob a jurisprudência cruel da inclemência, da discriminazão e da marginalização do outro. Império do espelho quebrado, com o ser humano convivendo como se buscasse e tentasse colar no próprio corpo os cacos da vida estilhaçada no preconceito.
                          ***
Paz é compreensão, conjunção, carinho partilhado... Nela, o ser humano vê no outro um além de si mesmo: a vida de humanidade...
                          ***
Se somos inacabamento, não existe paz sem o legado do perdão...
                          ***
Adoecemos, psiquicamente, toda vez que criamos o costume de negar na vida a riqueza da vida de diversidade... O crítico severo e inclemente da vida alheia não suporta em si as nuvens de intolerância e os miasmas de severidade que tece manuseando leis de idolatria egóica e de segregação marginalizante do outro.
                         ***
A paz é indignação rebelde ante as injustiças sociais...
                         ***
Alienar e reprimir o diferente é criar charcos pestilentos no caminho; e, assim, a paralisia da nossa própria caminhada... Quem exclui, alimenta um réptil no próprio coração.
                         ***
A paz é fruto do diálogo... O silêncio dos excluídos e marginalizados ecoam e chicoteiam o sono da humanidade.. A paz é sonho de fraternidade...
                         ***
O canhão está para guerra, assim, como flores, poesias e canções estão para a paz...
                         ***
A paz exige uma nova norma jurídica no interior de cada um: a suavidade que irmana, inclui e liberta... A repressão é o sustentáculo do espírito belicoso; o pão sanguinolento das guerras...



DIA 12/06201 - GRUPO DE ESTUDOS DA OBRA DE JUVENAL ARDUINI ( 19:00 ÀS 20:30) E SOBRE DEPENDÊNCIA QUÍMICA ( 20:30 ÀS 22:00).
RUA CAPITÃO DOMINGOS, 1079. BAIRRO ABADIA, 1079.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

SOBRE O CRACK: ALGUNS APONTAMENTOS...

                                         Jorge Bichuetti

1. Diabolizar o usuário de crack e reprimi-lo é uma postura desumanizada e desumanizante; anti-terapêutica e estigmatizante. Uma violência aos direitos humanos e ao direito à diferença... è uma postura fascista, manicomial e  inibidora dos projetos de cuidado.
2. O cuidado na dependência química deve respeitar algumas contribuições que já permite ver no horizonte clareiras libertárias:
- Ninguém suporta a normalidade ( Frei Betto );
- Só se combate a problemática da drogadição, sendo mais sedutor do que o universo das drogas ( Rotelli );
- As ditas drogas são amplificadores do nível de consciência e propiciam experimentações vitais; contudo, por n fatores, passam a funcionar como um buraco negro - vida esvaziada de sentidos e compulsão onde se existe em função da próxima dose ( Rotelli e Deleuze );
- O desejo na contemporaneidade se reterritorializou; abandonou o campo das representações e da memória e se concentra nas percepções e micropercepções ( Deleuze );
- Para se libertar deste jogo de dependência e autodestrutividade, é necessário que o usuário se apaixone por uma causa - política, artística, amorosa, espiritual, existencial... um projeto de vida ( Frei Betto);
- Urge construir planos de vida onde as intensidades vividas no uso, possam gerar caminhos existenciais( Deleuze)...
3. O crack é clinica de acolhimento e inclusão; de singularidade e devir...
Fazemos, muitas vezes, um projeto de cuidado fadado ao insucesso: são normativas e repressivas, com atividades cinzentas, desvinculadas do mundo sociocultural da juventude, com sisudez e alegria anêmica e fugaz...
Urge aceitar alguns elementos que compõe a subjetividade dos jovens e dos que se aventuram no universo das drogas, e usá-las na sua potência de emancipação:
- coletivismo tribalista;
- arte insurgente;
- desejo de autogestão;
- rebeldias indignadas;
- criticidade ativa;
- criatividade e alegria;
- companheirismo e solidariedade...
Assim, é clinica do amor... da liberdade... dos sonhos e da poética de reinvenção da vida e do socius...
Senão, simplesmente, repetimos o mundo e os caminhos já negados...
Eis uma clínica da ternura e da compaixão, da partilha e da libertação...
Não é... não pode ser... canibalismo educado da morte civil...





sexta-feira, 13 de abril de 2012

DEPENDÊNCIA QUÍMICA: ENTRE A VIDA E O ABISMO

                              Jorge Bichuetti

Pouco sabemos sobre os processos sociais e existenciais que tornam a dor da dependência química um grave problema da contemporaneidade...
Há os que diabolizam o usuário... e nem mesmo percebem que economia marginal do tráfego é uma força institucionalizada no funcionamento do capitalismo mundial integrado...
Outros criminalizam o uso... não percebendo que, assim, discriminam, marginalizam e mortificam... um corpo que passa, então, a ser mais frágil... fadado a impotências... Quanta hipocrisia!... Se a luta pela superação da destrutividade das drogas exigem um corpo valente, audaz, criativo e guerreiro, primeiro, o anula; depois lhe exige forças que foram danificadas em nome dos bons costumes...
Sejamos sinceros: assim, como a ameaça do inferno não criou a santidade, a repressão não logrará sucesso da produção da sobriedade, na reinvenção da alegria e da vida afirmativa...
Dependência química é dor humana que clama por práticas clínicas e sociais inventivas e includentes...
Vendo o despenhadeiro, o que faz a repressão? amarra pesos e espinhos no corpo sofrido e este despenca com maior velocidade e com feridas mais profundas...
Dependência química pede cuidado: cuidado é acolher; acolher é incluir...
O que não queremos ver é que vida banal e cinzenta da globalização neoliberal é insuportável...Exclui, isola, robotiza... marca o ser humano com os signos do desalento, das desilusões e da tristeza... gera vazio e solidão...
Não queremos aqui reduzir à esquerda, diante dos reducionismos estreitos da direita...
Urge reinventar práticas de cuidado e novo socius...
Queremos convencer nossos jovens a abandonar suas viagens sobre o abismo, acorrentando-os num brejo cinzento de areia movediça...
Reduzir danos, cuidar... é reinventar a nossa potência ativa, insurgente... Uma clínica não-normôtica se faz necessário...
Temos que cuidar colorindo o caminho, desbravando o azul do horizonte numa clínica da alegria e dos bons encontros...
Não é com armas que venceremos; mas, sim, com com arte, carinho, ternura e compaixão...
Já dizia Nietzsche, o velho passarinheiro, não domamos o diabo com palavras... como não se voo sobre abismos com as mãos e pés acorrentados...
Voa-se na potência da liberdade que reinventa-se vida de harmonia na alegria e de companheirismo na solidariedade...
Há de se empoderar de audácia e criar um clínica rebelde: que nos permita sonhar e amar, poetizar e borboletear na pura coragem de tecer asas...
Uma clínica que seja cais e ninho... Novos voos não cunhados pelas inscrições de morte da voracidade clínica...
Inventar voos cura; cortar asas cria vidas amputadas...
Eis o nosso grande desafio... Uma obra de arte e amor...


terça-feira, 10 de abril de 2012

SOMOS MULTIDÕES: NOSSOS EUS NÃO-PARIDOS...

                                                 Jorge Bichuetti

A ideia de uma identidade rigidez, uniforme e imutável, parece, cada vez mais, insuficiente para dar conta da complexa realidade que nossa existência... A impermanência, a multiplicidade de linhas de vida, a a capacidade de se reinventar são realidades que notamos, com clareza, na nossa vida.
O Vir-a-Ser, o devir, é nossa própria "natureza" íntima... Somos metamorfoseantes...
Somos capazes de nos fazer, de nos desfazer e de nos refazer, como assinala o filósofo Juvenal Arduini.
O mundo, contudo, organiza-se para evitar, bloquear, inibir, capturar, suprimir e mortificar nosso movimento de mudança... E o ego é um, entre tantos, guardião da estabilidade, da manutenção da vida na mediocridade da mesmice.
Todavia, a própria vida no mundo vai nos revelando que o narcisismo tirânico do ego nos fragiliza, nos vulnerabiliza... não nos permite flexibilidade e transformações que a vida e suas intempéries nos exige, para que possamos sustentar a nossa capacidade de existir... e viver.
Eis a razão que leva Deleuze afirmar que é imprescindível a morte do ego.
Fala do ego nuclear, de identidade unitária, monolítico...
Senão, vejamos...
Quantas vezes na vida rompemos, criamos inimizade,nos isolamos, porque não soubemos brincar com a situação vivida; e ao dramatizá-la, caímos no pólo paranóico e já conseguimos desanuviar o ar?...
Quantas vezes, deixamos de amar e viver uma grande paixão por não saber manusear o erótico e  o sensual?
Doutras vezes, nos percebemos vítimas indefesas na nossa posição onde o guerreiro está suprimido?
Na vida, se a miramos de perto, vemos que a vivemos pouco... por não possuirmos disponíveis um poco de arte, de magia, de loucura...
Devir não é imitar estes personagens que, quase sempre, surgem no socius já impregnado dos vícios da identidade egocêntrica...
Devir é acessá-los como emergência de eus não-paridos...
Não nos perderemos... Potencializaremos nossa vida, vida singular... sendo a singularidade uma rede de multiplicidades...
Assim, intensifica-se e amplifica-se uma vida... Vida de potências.
Uma diversidade que se conecta num paradigma ético-estético que é a um só tempo, um cuidar de si e um transformar o mundo...
Há uma imensidão cósmica, dentro e fora de nós, que espera nossa atitude ativa de explorá-la para fazer a vida crescer e brilhar, bailar e voar nos páramos da alegria e dos bons encontros, do amor e da liberdade. Ousemos...

segunda-feira, 2 de abril de 2012

REFLEXÕES DO LUAR NUMA CARTA - ODE À AMIZADE...

                                   Jorge Bichuetti

Amigos,
a ausência de postagens, durante minha permanência em Aracaju, esteve marcada pela debilidade das minhas condições físicas... Nada grave. A alergia e as dores  articulares, se viram acompanhadas de insuficiência respiratória e de uma intensa astenia, devido a uma gripe... Como também houve um outro fator: a intensidade dos trabalhos...
Não há nada preocupante no horizonte... que azul me revela na minha fragilidade que não podemos viver e caminhar, longe da força insurgente da esperança que é utopia, vida parideira de sonhos...
Nem sobrevivemos se não pudéssemos contar com a sustentação que chega do carinho e vitalidade que por excesso de bondade nos agraciam os amigos...
Quanto o ar me faltava... via no olhar de cada amigo faíscas do luar... havia mar... no carinho e aconchego.
Assim, meu corpo arredio pelas obstruções pulmonares ao ar, viu me alma oxigenada no vento que nascia bailarino do coração dos amigos.
No último dia, deitado, escutei um piano tocando na pele da minha alma... Ouvi canções que me anunciava para além da noite escuro o clarão da aurora...
O vivido me leva, agora, afirmar, que fascina caminhar e lutar para que superemos o nosso mundo cinzento e possamos produzir juntos um novo mundo, um mundo pautado no compasso da ética da amizade.
Este mundo de mais-valia é um mundo de desvalia e vida minguante... desconhece o que pode a ternura e a compaixão...
Lá fora, muitos sofrem... Lágrimas ácidas corroem o coração da nossa gente.
Um outro chora...
Mas, não há outro... Somos muitos, contudo somos, acima de tudo, uma humanidade...
Precisamos liberar nossa humanidade...
Urge que acolhamos e cuidemos da humanidade...
Faz-se necessário que reinventemos nossas relações, subsumindo num nós todos nossos eus e tus, todos os meus e teus num nosso... sem negar as singularidades, potenciando para tanto o direito à diferença...
Um outro mundo é possível e necessário...
Por ele, vejo minhas dores anestesiadas, e somente enxergo num delírio amoroso a vida florida na poética da inclusão social, nos voos da cidadania e na arte da solidariedade... O luar brilha no coração da vida rebelde e insurgente que teima e crê no alvorecer...
Podemos enternecer nossos vínculos...
Podemos acolher e cuidar, incluir e amar...
podemos sonhar... caminhar e lutar...
Lá fora, uma lágrima nos espera... É a lágrima dos oprimidos e excluídos... Lágrima da vida.
A vida é o sonho do horizonte azul... Sonho passarinheiro...
A ternura pode onde hoje a exclusão aniquila...
A solidariedade pode onde hoje a exploração e opressão mortifica...
Tomemos o céu de assalto...
Façamo-lo aqui e agora, com todos e para todos...
Vivamos a potência do tempo do amor...
Assim, a dor, nossa e do outro, será, tão-somente uma triste recordação no museu da história...

segunda-feira, 26 de março de 2012

COMO SER FELIZ ENTRE LÁGRIMAS?...

                          Jorge Bichuetti

A lágrima só corrói e aniquila, se cai solitária sem a ternura-cúmplice de alguém que recolha no silêncio do cuidado...
O desespero nasce, não da lágrima que é, na vida e na morte, uma autêntica expressão humana; a lágrima enlouquece quando o mundo a nega, coisifica-a e a torna invisível... tornando lágrima oculta na escuridão das masmorras onde é suprimida com as chibatas da negação...
A vida é riso e lágrima... Voo e queda... experimentação... é florada primaveril, tanto quando é a vida, não vista, porém, presente no encanto das folhas secas que bailam e rodopiam no movimento do vento.
Ninguém é... somos metamorfoseantes... Assim, o corpo caído se sustentado no carinho, será amanhã mão ativa no erguimento dos voos necessários ao trabalho de superação dos abismos...
Nem a lágrima nem riso consegue , por si mesmo, criar no corpo da vida a magia da felicidade... que na verdade é nascente no solo da compreensão que humaniza a vida, libertando asas ocultas que esperam a oportunidade de emergirem no tempo... como voo da liberdade...
Cuidar é amar; semear felicidade... nos pântanos onde um lírio clama e canta poético, desnudando a realidade de que para a vida ali há potência e fertilidade...
A felicidade pede ombro, mãos dadas... companheirismo, amizade...
A felicidade é a alegria que se instaura na gente quando desrobotizado nos vemos e vemos os outros na ternura insurgente de um devir humanidade...

segunda-feira, 19 de março de 2012

AFORISMOS PASSARINHEIROS DA TERNURA LIBERTÁRIA

                                   Jorge Bichuetti

O ego é o tirano que monopoliza nosso universo singular... Suprime, inibe, nega, mortifica, dilacera e mata nossos eus-não paridos... Bloqueia nossa busca, nosso parto da multidão de vidas que permanecem como potências não ativadas no nosso inconsciente...Parir-se novidades; parir novas singularidades é libertar-se da tirania egóica e afirmar-se nas florescências do devir... 
                                             ***
Manter-se longe da arte é encapsular-se, perpetuando-se identidade egóica - rígida e triste, castrada e cheia de impotências... Conquanto a arte martela no caminho o despertar do porvir...
                                             ***
O mundo estria-se, engavetando nossas potências... Ele nos condiciona a ser somente possível dado pela racionalidade da exploração, opressão e mistificação.
                                             ***
O novo exige ousadia e prudência... Ousadia de experimentá-lo, inventá-lo, germiná-lo... e prudência de arquitetar uma máquina de sustentação da sua potência inovadora e insurgente, diante do mundo que necessita para efetuara evitação da mudança de suprimi-lo.
                                             ***
Viver é transformar nosso corpo numa estrela bailarina; nossa vida, numa obra de arte...
                                             ***
O canto dos passarinhos é um agenciamento do devir que flores no nomadismo guerreiro dos sonhos alados.
                                             ***
Há palavras que acorrentam, escraviza... e há as que libertam, agenciam nossa produção desejante na ação de arquitetar no caminho as floradas primaveris do novo radical.
                                            ***
As flores são explosivos que corroem as teias que encapsulam as poesias vivas que sonhadores escrevem nossos corações.
                                           ***
Sem esperança, não caminhamos... não lutamos... assim, o fatalismo é o grande sustentáculo da tirania.
                                           ***
Vida passarinheira é voo e canto nas pulsações germinativas da aurora.

quinta-feira, 15 de março de 2012

CUIDADO E AMOR: A VIDA NA ENCRUZILHADA DO DEVIR...

                           Jorge Bichuetti

Cuidar é acolher; acolher é incluir... Mas, não podemos esquecer que incluir é produzir um mundo de vida, liberdade e alegria, de direito à diferença; uma vez que todo adoecimento físico ou psíquico é mortificado, negado ou desvalorizado pela exclusão das singularidades... E sendo a saúde e a doença um modo de andar a vida, é uma singularização excluída, uma insurgência rebelde que contesta a ditadura da normalidade...
                                         ***
Não é possível cuidar fora do espectro das relações transversais... Urge potencializar no corpo adoecido uma capacidade de afirmação ativa da vida... Romper a passividade e verticalidade do cuidado excludente, dando ao corpo singularizado numa dor voz e caminho para protagonize a reinvenção de novos modos de ser e estar no mundo... onde não seja estigmatizado e negado a vida singular na vulnerabilidade de um processo de reinvenção de si mesmo e do mundo instituído...
                                        ***
A corpo adoecido é um corpo profético: denuncia a falência da vida organizada no paradigma da opressão, exploração e mistificação... da vida de repetições cinzentas e vazias; e anuncia a necessidade de um novo mundo de ternura e compaixão, com corpos vitalizados na capacidade de sonhar e ser sonhados... voos da liberdade na intensidade dos bons encontros e das paixões alegres... um caminho e um horizonte de amor e solidariedade...
                                      ***
Assim, cuidar, como educar, é impregnar-se de sentidos...
                                      ***
Há um cuidado dominante que é basicamente adaptacionista e reducionista; nele, se restabelece a unidade robotizada em cheque com ataduras, recalchutagem e concertos resilientes...
O cuidado amoroso e terno, libertário, agencia a potência rizomática e singularizante da vida... Amplifica a vida com a emergência dos devires, eus não-paridos... E faz a vida florescer na primavera da aurora que instala no coração do mundo novas relações... um mundo que cabe anjos e guerreiros, índios e velhos, crianças e loucos... a arte e a magia... a vida desejante no voo alegre dos nossos corações de meninos...

quarta-feira, 7 de março de 2012

UMA PALAVRA NO ENCANTO DO ENTARDECER...

                                 Jorge Bichuetti

Não sabia o valor da palavra e do silêncio... Vivia entre verdades... Se escrevia sobre a potência da lentidão e da enfermidade, o fazia como um pensador que domina palavras e tece frases, orações... Agora, lentificado, busca a potência... e a descubro na beleza de reconhecer no próprio desconhecer... o que ativa para revitalizar meu corpo para caminhar, lutar e sonhar...
Certezas e verdades nos preenchem tanto que não nos permitimos o desconhecimento que se ergue para a alegria das novas descobertas, para o ainda não-pensável...
A educação, quase sempre, é uma relação de poder entre um saber e um não-saber... Assim, se reproduz a permanência da mesmice... 
O novo é parido no diálogo, escuta e criatividade...
Há um saber que nasce no silêncio... onde cantam as vozes das coisas e do próprio infinito...
Há caminhos que são tecidos na magia da ternura e no aconchego do carinho...
O devir é nossos eus não-paridos...
Não acessamos nossos devires na apatia, na acomodação e no fatalismo...
Tudo acontece no movimento... caminho permeado de sonhos... lutas energizadas na esperança ativa...
Mais do que sobreviver é necessário se reinventar...
Vivemos num mundo onde o mercado e fetichismo da mercadoria nos afastam das insurgências rebeldes...
A aurora é busca guerreira; arte de passarinhar o novo radical... 
Não basta viver... viver é pouco... urge afirmar a vida como processo inventivo e includente...
Reagir é aprisionar-se às encomendas do mundo dado na hegemonia do status quo...
É necessário agir, afirmativamente... 
Que fazer?...
Sair da lamúria das lágrimas pessoais e agir no caminho da ética do Bem Comum um novo mundo de ternura e compaixão, amor e solidariedade, paz e partilha...
O resto é borrões de ilusão... morte civil...

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

AFORISMOS DO CORAÇÃO NO CAMINHO DAS LUTAS... ENTRE A ESCURIDÃO E A AURORA...

                                     Jorge Bichuetti

Na escuridão, o coração pulsa e brilha... na musicalidade da ternura, canta... nos encantamentos da esperança, sonha... Assim, a aurora o encontra: rosa perfumada, abrindo-se nas carícias do orvalho; germinando-se na quentura do sol; e tecendo no caminho os sussurros que anotou na poesia do luar...
                                 ***
Viver é parir caminhos e horizontes; entre o rio e o mar... entre o ninho e voo... entre o cisco da poeira da estrada e os luminares riscos que desenham na imensidão a poesia do porvir.
                                 ***
O sonho é a semente das grandes lutas dos guerreiros do devir; tanto quanto as lutas são as floradas dos sonhos que povoam os desertos com a ternura a vida fecundada nos cios da solidariedade e da compaixão...
                                 ***
Não lhe posso dissecar a alma de Deus; mas, posso lhe oferecer a sua presença na magia do perfume das flores; na suavidade do voo dos passarinhos e na boniteza do caminho que segue partilhando-o no aconchego de u'a sincera amizade.
                                 ***
A poesia é ato de bruxaria: as palavras copulam com infinito e parem estrelas e flores, ninhos e cais... Minam águas cristalinas e embalam lágrimas doídas... Ela é magia, feitiço... ciranda e seresta... Festa e oratório na epiderme do devir...
                                ***
A aurora adormece os medos e desperta os sonhos... na corda do trapézio da vida de coragem e ousadia...
                                ***
A rosa é um eco mágico das trincheiras da paixão.
                                *** 
Viver é lutar... Caminhar e sonhar... é travessia; ponte e fonte: vida andarilha - passos dados nas pulsações viscerais do que pode um corpo... um corpo que não suprime o seu dom de amar e se dar...
                                ***
Lutar é parir o novo... voando entre o abismo e o céu estrelado.
                                ***
As poesias de amor são sempre menores que o brilho do amor que é, em si mesmo, a poesia da vida escrita no etéreo espaço da imensidão.

 

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

NOTAS MENORES SOBRE REVOLUÇÃO MOLECULAR E DEVIR

                           Jorge Bichuetti

Não é possível pensar os processos de uma revolução molecular, longe de um desafio lido por Foucault: a construção de uma vida não-fascista... 
O que liga a revolução molecular aos dispositivos de subjetivação: coletivos heterodoxos, transversais, espaços de germinação da subjetição libertária... um modo ativo e afirmativo de existir e cuidar de si...
Nela, prevalece as teses de que a transformação criativa e inovadora se dá na encruzilhada da morte do ego e da produção desejante de linhas de fuga...
As revoluções molares são permeadas de centralidade, hierarquia dura, estriamentos excludentes... narcisismo e onipotência... Enquanto as moleculares agenciam e são agenciadas, atiçam e são atiçadas por devires... Pululam no céu da solidariedade, da ternura e da suavidade... dionísicas; são alegres e marcadas pela potências dos bons encontros... Superam o funcionamento falocêntrico, submisso, tirânico e servil... Emergem de e geram grupos-sujeitos...
Particularmente, nelas vejo a presença das forças instituintes e da invenção de planos de vida que funcionam como uma contra-instituição ( Bauleo)...
Rizomatizam a vida e os caminhos... Transversalizam as relações... Dão viço e vigor à diferença...
Minoritárias... não numericamente... não são minimalistas nem ilhas isoladas da vida e do mundo... Minoritárias na compreensão sociológica de Tarde... Forças negadas, suprimidas ou mortificadas pelo poder hegemônico que estriam a vida, marginalizando-as...
Devido a subjetividade capitalista, exarcebado no neoliberalismo, negam o individualismo, o paradigma da culpa e do ressentimento, a competição e a ganância, a mais-valia, a alienação, a dominação opressiva e vida se movimentando pela falta e pela castração...
São afirmativas... inventivas... singularizantes e rizomáticas... Nômades, uma máquina de guerra não-bélica...
Desejantes, são construtivistas...
Realteridade que se atualiza num processo incensante de reinvenções do novo radical...
Caosmóticas: é o devir nas floradas primaveris dos eus não-paridos que escapulindo ou derrotando os estriamentos opressivos, liberam a vida como movimento metamorfoseante...
Alegria e partilha... instalam no coração da ética da amizade o alvorecer da liberdade que voa com os passarinhos e medra entre as pedras na ousadia dos caminhos que instalam o que pode um corpo na ousadia do amor incondicional e na alteridade da compaixão sem fronteiras...


DIA 11 DE FEVEREIRO; 13:30 - ENCONTRO MENSAL DA UNIVERSIDADE POPULAR JUVENAL ARDUINI... 
A EDUCAÇÃO NOS CAMINHOS DA LIBERTAÇÃO...

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

RITA LEE E A LUTA PELA VIDA; LIBERDADE E CIDADANIA

                                          Jorge Bichuetti


Rita Lee no sábado dá uma lição de cidadania aos que assistem a política fascista que vem se impondo na relação das forças  repressivas com a juventude.
As forças repressivas com armamento e hostilidade revistava os jovens, buscando encontrar drogas ílicitas num concerto ao ar livre no Estado de Sergipe.
Ela se posicionou... Colocou seu corpo, sua históriaa e sua voz expressiva da ética da liberade entre a violência e a juventude.
Pediu que não incomodasse a meninada... e disse que os conhecia... que era os mesmos do terror da ditadura militar...
Foi detida por desacato e por estímulo ao crime...
Não se pode calar...
A violência vem se repetindo e se cristalizando como medida preventiva na política de enfrentamento da problemática da drogadição...
O efeito das  palavras do Supremo Tribunal de Justiça durou pouco....
A repressão não é medida que compõe um projeto ético e de acolhimento que se faz necessário na clínica  dos que na dependência química vivenciam dores e agonia que exigem cuidado e reabilitação pssicosocial.
Judicializar ou reprimir violentamente, violando os direitos humanos, é reedição do fascismo... ou melhor, é uma política microfascista que dissemina a noção de exclusão, marginalização e limpeza urbana... normatização neonazista... exclusão violenta - desumana e desumanizante...

Grande e valorosa é a sempre altiva e ousada Rita Lee...
Não é crime ser corajosa diante da violência opressiva e excludente; não é crime ser aliada dos que sofrem atitudes opressivas... A violência é ruptura com a política de direitos humanos...
A liberdade de Expressão exercido pela nossa diva retratou a história dos que colcam seu corpo e sua vida entre os oprimidos e a violência policial...
Que saibamos valorizar a ética da liberdade e dos direitos humanos...
Que saibamos repelir toda forma de repressão abusiva e excludente...
Que saibamos entender que a visão policealesca na saúde é um atravessamento que cria barreiras e obstáculos  ao processo de invenção de práticas amorosas e solidárias de cuidado.
Já dizia Guimarães Rosa: " Qualquer amor já é um cadinho de saúde, um descanso na loucura"
Repressão, violência, exclusão são expressões de desamor, negação e rejeição...
A vida voa nas asas da liberdade; e agoniza nas grutas e paredões do confinamento, da violência e da exclusão...
Ave, Rita Lee... Voz da magia da ternura corajosa; liberdade em movimento... num canto de carinho e amor...



segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

O QUE ESPERAMOS DA VIDA?...

                             Jorge Bichuetti

Por mais que certa seja nossa morte, temos um tempo: anos, meses, dias, ou, ainda, somente, o minuto presente...
Passamos... Porém, nossa passagem se dá mediante um caminho, a vida que vamos levando...
Vivemos, muitas vezes, autonomante... Robóticos, repetimos a mesmice, alienados das questões que angustiam a machucam o nosso tempo... e alienados, igualmente, dos nossos desejos e sonhos...
O ego acabou sendo u'a gruta onde nos acomodamos, evitando as possibilidades de reinvenção da vida...
Submissos, nem sonhamos... Absorvemos as miragens da mídia e passamos a projetar na aquisição destes bens a nossa felicidade...
Somos normóticos: a normalidade, mediocridade institucionalizada( Lineu Miziara)
A vida é genuinamente um projeto inacabado...
Nós a tecemos, a sustentamos no status quo ou a transformamos, produzindo novas relações, caminhos e sonhos...
O que esperamos da vida?...
Muitos tão só desejam egoisticamente suprir-se de bens e troféus...
Outros, miram a vida e sentem que ela é um clamor da imensidão que se almeja vida nova, remoçada na alegria de ser... amor e paz, solidariedade e partilha, sustentabilidade ecológica e inclusão social, ternura e amizade, justiça e paz...
Cuidar de si é potencializar nossa capacidade de ser feliz; de agir, transformando; de passar, fecundando um novo tempo de suavidade e delicadeza...
A infelicidade e a injustiça desconecta a potência criativa e inovadora da vida... atingindo, assim, a todos... que nos vemos inundados de tédio, angústia, depressão e falta de sentido.
O outro e mãe natureza nos agenciam, potencializando bons encontros e paixões alegres... Vitaliza, energiza, compõe... dá potência...
A felicidade, obsessão generalizado... não mora nem no nosso ego hipertrofiado, nem no outro idealizado... a felicidade floresce no entre... é devir, canto da aurora... cumplicidade e engajamento que nos rompe a nossa própria armadura e libera a nossa pele... Sensibilidade profunda que afeta e é afetada...
No entre, o que esperamos transcende o que mundo codifica como o reino do possível...
No entre, germina as alegrias impensáveis e os sonhos não-ousados... O novo radical...
A alegria singela da flor...
O canto dos passarinhos...
A força guerreira das cachoeiras...
A ternura das flores e frutos silvestres...
Não como um bem que adquirimos no mercado, mas como um caminho de vida e produção de sentido que nos singularizam, libertando-nos para amar, lutar, servir, bailar, brilhar,sonhar: viver com intensidade...
Enfim, o que queremos da vida?... Não esperemos muito para optar e seguir, lutando... amanhã é um novo tempo... e nem sempre sabemos o quanto de tempo possuímos para viver e escrever nossa poesia de amor à vida...

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

CRACOLÃNDIA: LIMPEZA URBANA VERSUS CUIDADO REABILITADOR... O FASCISMO ESTATAL...

                                Jorge Bichuetti

A vida me contagia e me leva a refletir... sobre temas que inundam meu mundo íntimo, com a voracidade das tempestades de verão...
Ligo a TV e u'a exército fortemente armado estão retirando o povo da rua da cracolândia...  Paro e me espanto...
Primeiro, não entendo a razão da medida policial, nem do modo como é conduzida...
O crack é um terror; na devastação que provoca nos que são dominados pela dependência... Mas, se acreditam que o terror suprime o terror... parece que vivemos num mundo de insensíveis...
A violência vertical, quando não respondida socialmente, inclusive, fomenta, um acréscimo hediondo nas violências horizontais...
A dor da dependência química pede: cuidado, criatividade, vínculo, amizade, alegria, sonhos, projeto de vida... Não se resolve com limpeza urbana... Não acaba gerando invisibilidade nas chagas que sangram nas entranhas do nosso socius...
Precisamos ser mais sedutores do que o mundo do tráfico - já dizia Rotelli
Urge inventar cuidados e vida de alegria e inclusão... A repressão, tão-somente, mortifica e humilha.... e para se superar o vício, a dependência, é necessário um corpo com coragem, ousadia, sonhos e dignidade íntegra...
Voar sobre o abismo pede asas... Acorrentá-los e condená-los a uma eterna submissão... é perenizar os mecanismos íntimos de incapacidade na luta...
Dizem que ali estão para conter o tráfico... Não viram a miséria, a fome, os corpos   mortificados e feridos... Soldados malhados e truculentos, armados versus o corpo da vida crucificado na fragilidade e na impotência...
Que traficantes tão pobres e maltrapilhos, tão adoecidos e feridentos!!!
Nada é lógico... nem ético...
A violência, reforça: a vulnerabilidade do corpo oprimido pela droga, os delírios paranóicos inerentes ao uso do crack, a violência intempestiva dos que humilhados, degradam-se moralmente... e adiciona fogo nos mecanismos dos que usam o crack numa rebeldia própria da tentativa de afirmar autonomia e singularidade ante o poder... Vide Totem e Tabu de Freud...
Cuidar é ato amoroso, terno, compassivo, de justa medida, de carinho, de alegria e de ativação das potências solidárias e singularizantes...
Cuidar não é varrer, limpar, confinar... excluir...
Cuidar é acolher, escutar, dialogar, reinventar no entre um novo caminho...
A exclusão é estigmatização reforçada; bullyng reafirmado... é fogo no estopim de uma bomba...
Há u'a cracolândia na alma da limpeza...
A limpeza é o pó debaixo do tapete... ou nas grutas fechadas da repressão...
O cuidado é a vida redimida na alegria de se ver vida reinventada num socius onde a cidadania e os direitos humanos não são pisoteados pelos pelotões da violência estatal...
Reflitamos... e tomemos nossa posição...
Mão estendida; sim; violência, não...

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

AFORISMOS SOBRE O TEMPO - MUDANÇA E VIDA NOVA...

                                      Jorge Bichuetti


Onde cantam os passarinhos, o tempo move-se suave: não atropela a vida... com ela, voa seguindo o clamor do horizonte, que é amor de mãos dadas...
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As rochas são esculturas do tempo... Guardam a ousadia dos guerreiras, irmã da ternura dos mártires...
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Nas encruzilhadas do tempo, o relógio ali para...Onde a vida pede decisão, propicia a prudência que é flor alva que nasce nos galhos da serenidade...
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As angústias do passado são cinzas que o vento carrega; para que se possa escrever o presente sob o clarão que é luz nas janelas do porvir...
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Se almejamos seguir, libertos das correntes que nos aprisionavam no passado... urge ouvir os sonhos que nos contam, sussurrando sobre as  asas que temos guardadas no coração e na mente... então, tecemos na poesia ternura e suavidade, que são para o guerreiro as chaves do cadeado das prisões hodientas que assombravam nosso passado...
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O porvir é um tempo exótico: para os que buscam a aurora é futuro antecipado...
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A arte é magia: demolição das sombras do  passado; efervescência criativa das potências do presente e erupção vulcânica dos alvoreceres do porvir...

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

AFORISMOS TRANSVERSAIS NO CAMINHO DO LUAR

                                  Jorge Bichuetti


Onde nasce uma flor, a vida se retrata: entre o luar da paixão e  a serenidade do orvalho houve o encontro do calor solar com os ventos da liberdade, fecundando no cio da vida os sonhos estelares do infinito que pulsam e brilham na valsa germinativa do amor... vida-procriação nas trilhas da imensidão...

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Entre o rio e o mar, o amor é semente que enluarada ondeia e fertiliza-se na poesia da espera...

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A saudade só sepulta o amor e o carinho, que não rompendo a gruta do narcisismo... não se encantaram com o brilho e a magia do luar e do céu estrelado...

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Na poesia do amor, assim, o outro é a semente do infinito e o infinito germinado na fecundação da semente...