sábado, 30 de outubro de 2010

DEVIR MULHER: A CAPTURA MASCULINA

                                                                                 JORGE BICHUETTI

Se todo devir é minoritário, pode-se, facilmente, perceber os movimentos majoritários que exercem o controle e moblizam as capturas...
No devir mulher, é inegável as capturas do machismo, majoritário.
O próprio podder fálico, a dominação masculina e a submissão histórica das mulheres forjam um campo estriado e cheio de controles e capturas.
A exclusão do mercado, ou,hoje, desvalorização salarial, a dupla jornada de trabalho, os assédios sexuais e a violência doméstica executtam uma função de manutenção do instituído: a dominação do homem, a posição servil da mulher, o falocentrismo, a monogamia feminina e a poligamia masculina, uma sexualidade genital-orgástica. E este modo de existir inibe o devir mulher...
Empobrece o mundo que perde: ternura, sensualidade, maternagem, acolhimento, cuidado, faceirice, sedução e autodefesa viril.
Como o homem, o masculino, consegue anular a força da mulher, se todos carecem do devir mulher?
Não realizaremos um estudo, deixaremos aqui, a palavra do Nietzsche e lúcida compreensão de como os homens lidam com as mulheres:
- " Até agora, as mulheres foram tratadas pelos homens como pássaros que, provindos de alguma região excelsa, junto a eles se extraviariam: como algo muito delicado, mais vulnerável, mais selvagem, mais extranho, mais doce e mais cheio de alma - mas como algo que se precisa trancafiar para que  não fuja voando" 237a, In Além do Bem e do Mal.
Deixa -nos Nietzsche sugestivas pistas sobre o devir mulher ( delicadeza selvagem, doce , cheia de alma) que é inibida nos seus vôos de se devir linhas de diferença, sendo engaioladas..
Ficando para todos uma nova pergunta: qual é a gaiolla que me aprisiona e me afastada das minhas potências?
.... Oh! pobres mulheres quão violentas, doutras vezes quão sedutoras são estas tristes gaiolas...
Nelas, se canta sempre um canto melancólico, um lamento, uma tristeza: saudade do território excelso do devir mulher

2 comentários:

Marta Rúbia de Rezende disse...

Jorge, o que acho mesmo é que as mulheres devem falar mais de sí mesmas. A filosofia é muito machista, inclusive a de Nietzsche. Há excessões, claro! Muitas.

Vc sabe como eu amo Nietzsche, mas meu amor não é cego. É Nietzsche mesmo quem ensina: crespúsculo dos idolos. Nietzsche não quer discípulos. Quer amigos. E que é preciso respeitar o inimigo que há no amigo.

Então, eu vejo em Nietzsche um medo da mulher, uma frustração de não mulher, uma aspereza com a mulher, um pensamento-imagem da mulher. Há momentos da obra dele em que se mostra menos arisco às mulheres, mas são raros. Só restou Adriadne e, mesmo assim, não deu. O devir mulher em Nietzsche sofre, Jorge. Como dói.

Se eu tiver tempo nessa vida, vou estudar Nietzsche e a mulher. Devem já haver estudos belíssimos sobre.

A mulher não é tudo isso que os homens dizem não. É muito mais. E elas é que precisam falar quem são elas. Eu estou tentando me falar aqui.

Se as mulheres dependessem da filosofia, estaríamos fudidas.

Não estamos assim tão mal como os homens falam. Há muita mulher interessante nesse mundo. Como nunca. Despontam. Estrelas. Rainhas. Deusas. Bruxas. Presidentas. Feiticeiras. Filósofas!!!

Viva as mulheres!!! Viva aqui e agora. O passado é ser. O presente é devir.

beijo Jorge
da
Marta Beauvoir

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

marta, ele era medroso; as mulheres o deixava meio sem controle, e ele era branco-europeu e intelectual...
talvez, porisso retratou tão bem com a imagem da gaiola o que os homens fazem para evitar a mulher e o devir mulher.
Beijos jorge