quinta-feira, 14 de outubro de 2010

MESTRES DO CAMINHO: ORLANDI E AS LINHAS DE AÇÃO DA DIFERENÇA

O professor Luis Orlandi apresenta contribuições fecundíssimas para uma compreensão da esquizoanálise. Citaremos trechos do Texto, As linhas de ação da diferença" do livro, Gilles Deleuze: uma vida filosófica.
"...as obras de Deleuze implicam linhas de ação da diferença, que são não apenas praticadas como também tematizadas.Vê-se que essas linhas, enquanto fluxos intensivos e enquanto portadoras depotências expressivas e interrogativas, vivem num constante estado de experimentação: vê-se que elas experimentam a si mesmas nos encontros por elas provocados ou nos encontros que lhes são impostos po outras linhas da diferença em ação, linhas constitutivas disto ou daquilo, constitutivas deste ou daquele signo, deste ou daquele acontecimento, ou até de um novo tipo de relaçãoesportiva com a água, com o ar etc." p 49
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E para ele , então, o marco é a da constante liberação de algo:
"... libera-se o pensar do pensamento, libera-se o pensamento dos pressupostos de sua imagem representativa. Diferença e questão são liberadas do ser e do ser do negativo. Libera-se a diferença de sua subordinação à "identidade do conceito", à "analogia de juízo", à "oposição de predicados" e a " semelhança do percebido, quatro "aspectos, ou " quádrupla raíz" de uma robusta arborificação metafísica. Do bom senso libera-se um para-senso.Libera-se, como substantiva, uma multiplicidade não mais circunscrita aos jogos do Uno e do Múltiplo.É liberado o tempo de suas amarras cronológicas.... Libera-se o desejo de sua determinação pela falta.Em muitos platôs,  o corpo sem órgãos é liberado da organicidade do corpo biológico ou da intencionalidade do corpo próprio.Libera-se o inconsciente de sua reterritorialização familiar... O acontecimento, ele próprio, é liberado do estado decoisas em que este se efetua.... Línguas menores, como em Kafka, liberando-se da gramaticidade de uma língua maior etc, etc." p54
"Com as operações de liberação, os liberados são como que levados a variados reencontros de suas virtualidades" p54
No mesmo texto, aponta algo fundamental para os esquizodramatistas: " diferença e repetição fundam o processo de atualização como linhas de " diferenciação criadora. Então, não temos apenas diferenciação no virtual e diferenciação do atual." Acresenta: " Deleuze procura um "terceiro aspecto", que corresponde ao " elemento de potencialização da idéia", "uma dramatização", diz ele..."p59
*É valiosa a leitura do texto integral.

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