Jorge Bichuetti. Médico, Psicoterapeuta. Analista Institucional e esquizoanalista. Diretor Clínico da Fundação Gregorio F. Baremblitti/ Uberaba. Professor do Instituto Felix Guatarri/ BH.
Autor de Lembranças da Loucura, Crisevida e Estrelas Cadentes. Poeta, militante, sonhador...
... Entre amigos, madrigais e a Lua é um nômade caçando o seu devir passarinho.
O tempo pára num beijo, Num suspiro de amor Ou num orgasmo,
Meu bem... Não se espante E nem se encante Com as coisas que lhe digo.
O amor é uma coisa frágil, Aguça o desejo, Esvai-se num desatino, Às vezes rápido como um espasmo, Outras, o dom do divino, Ou desilusão e desencontros Entre a rosa e o cravo...
Mas... O tempo pára num beijo, Num suspiro de amor Ou num orgasmo.
14/07/2012 - ENCONTRO MENSAL DA UNIVERSIDADE POPULAR
Tristes, cinzentos... Vemos nossas vidas corroídas pelo tédio e pela angústia.
Todo dia repetimos a mesma rotina aborrecida e desgastante... Robóticos, seguimos... e só paramos para rever o vivido quando inundamos nosso coração num redemoinho de dor. Então, deprimidos, ansiosos, delirantes, panicados queremos uma saída... Um remédio, um milagre... uma ilusão.
Acreditamos vítimas de u'a obscura patologia...
Ou, servos de u'a maldição...
Na realidade, a vida que temos é a vida que produzimos...
Na tempestade das nossas lágrimas, cremo-nos impotentes e incapazes de dar um salto sobre o abismo.
Acostumamos a nos ver passivos, reativos e servis...
Desconhecemos nossa capacidade criativa, inventiva... Vivemos desconectados de nossas potências.
Antes, o hospício nos recolhia e silenciados, agonizávamos num calvário de desvalia e devastação.
Hoje, nos sedam... e vegetativos, balbuciamos feridos.
Urge que aprendamos a cuidar de nós...
Entre mil faculdades que nos permite valentes e ousados na reinvenção da nossa alegria, nos roubaram um dom... uma propriedade curativa do nosso próprio corpo, da nossa própria vida: a arte de sonhar...
É preciso resgatar a nossa capacidade de sonhar e voar sobre abismos...
No abismo, nossos monstros: bloqueios, frustrações, inibições, repetições tediosas...
Sonhar é tecer asas... é voar... é saltar sobre abismos e escalar as pedras do caminho.
No ato de sonhar, despertamos nossos corações adormecidos, hipnotizados... Redescobrimos novos sentidos para o existir.
Sonhar é vencer as barreiras do status quo, da vida negada...
Sonhar é redesenhar nossos caminhos e horizontes, escutando as vozes dos nossos desejos e a própria sinfonia do infinito.
Através dos sonhos, adubamos o território das nossas vidas para a gestação dos nossos eus não-paridos.
Acercamo-nos do novo... Tornamo-nos capazes de gerenciar nossas dores e de tecer redes de amizade, alegrias inéditas... voos na imensidão do que pode um corpo.
O nosso pesadelo é a acomodação, o fatalismo, a nossa submissão...
O sonho é a primavera existencial que insurgente reinstala em nós as floradas da vida em abundância...
Ousemos, sonhar...
Ousemos, mudar a vida e transformar o mundo... semeando no caminho das nossas lutas diárias um chão de estrelas...
10/07/2012 - 19:00: grupo de estudos da obra de Juvenal Arduini e sobre dependência química. Rua Capitão Domingos. 1079. Abadia. Uberaba, MG / Brasil
Para captação de financiamento para a organização do IV CONGRESSO INTERNACIONAL DE ESQUIZOANÁLISE E ESQUIZODRAMA, UBERABA, 25,26,27 E 28 DE OUTUBRO DE 2012, serão organizados atividades no dia 28 deste mês: ESQUIZODRAMA " O QUE ESTAMOS FAZENDO DE NÓS". Um espaço de cuidar-se, reinventar-se e desbravar novos horizontes de vida... O Esquizodrama é uma oficina esquizoanalítica que agencia o novo, por isso, é denominado de Drama do Devir. *** Esquizodrama "O QUE ESTAMOS FAZENDO DE
NÓS" Data: 28/07/2012 Local: Fundação Gregório Baremblitt/Caps Maria
Boneca, Rua Capitão Domingos, 418, Bairro Abadia. Uberaba / MG Horário: 10:00 às 15:00 Valor: 60,00 (incluso café e almoço)
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VIVER É A ARTE DE SE REINVENTAR, POTENCIALIZANDO SONHOS E ALEGRIAS...
Passarinheiro, aninho num canto do teu coração onde sonho a liberdade entre carícias e beijos, ternura e paixão...
Engaiolado, não canto... soluço mi'a amargura desenhando co'carvão nos muros do país onde rabisco sob o luar os versos insurgentes que clamam a bravura, o florir da revolução...
Um passarinho só vive, se sonha aninhado ou se voa na aurora, poetizando a esperança, tecendo na flor: ventos de vida no cio da inovação...
NÃO CHORO... Jorge Bichuetti
entre pardais, não choro; pio no compasso do canto: esperando na hora do voo a germinação da mudança: outros céus, outros mares... novas flores, novos amores... a vida remoçada na arte de ser ninho, um ovo do sonhar...
O Fórum de São Paulo e a esquerda latinoamericana hoje
EMIR SADER
Desde sua primeira reunião, em 1990, em São
Paulo, o Fórum dos partidos de esquerda da América Latina – que levou o
nome da cidade onde fez sua primeira reunião – o Fórum de São Paulo
passou por diferentes etapas, até esta reunião em Caracas, de forma
paralela à trajetória da esquerda latino-americana.
1990 foi o
ano do lançamento do Consenso de Washington, expressão programática do
neoliberalismo e do seu “pensamento único”. Se sentiam suficientemente
seguros e vitoriosos, para que as forças neoliberais buscassem codificar
seu triunfo em normas obrigatórias “para qualquer governo sério”.
Na
própria América Latina encontraram eco na direita radical de Pinochet,
na socialdemocracia chilena, brasileira, venezuelana, passando pelos
nacionalismos peronista na Argentina e do PRI mexicano.
As forças
de esquerda, no plano social, político e ideológico, se encontravam na
defensiva, resistindo à avalanche neoliberal, que detinha a hegemonia no
continente e o governo de praticamente todos os países. O Fórum de São
Paulo era um espaço de resistência, de denúncia, mas também de
formulação de alternativas.
A situação mudou de uma década para a
outra, quando o campo popular passou da defensiva à disputa de
alternativas, ao embates eleitorais para conquistas governos e construir
concretamente alternativas posneoliberais.
Quando faz esta sua
reunião em Caracas, o Forum de São Paulo encara outra fase da esquerda
latino-americana. Basta dizer que estão presentes vários partidos que
estão nos governos dos seus países há já mais de 10 anos – como no caso
da PSUV da Venezuela -, ou quase isso – como o PT do Brasil, a Frente
Ampla do Uruguai, o MAS da Bolivia, a Aliança País do Equador.
Entre
outras preocupações, se coloca o problema do papel dos partidos diante
dos processos posneoliberais. Os grandes protagonistas desses processos
são governos de aliança, sob a direção de partidos de esquerda. O papel
dos partidos de esquerda é, antes de tudo, defender os interesses da
esquerda em alianças de centro-esquerda, para garantir a aprofundar as
posições da esquerda – as posições antineoliberais e anticapitalistas.
Fazê-lo é nao apenas lutar contra as sobrevivências do neoliberalismo – o
poder do capital financeiro, do agronegócio, da mídia privada, entre
outros -, mas articular o posneoliberalismo com o anticapitapitalismo e a
construção de um modelo alternativo na América Latina.
Esta
reunião do Fórum de São Paulo se faz no marco das eleições presidenciais
da Venezuela, quando Hugo Chavez deve conquistar um novo mandato e
consolidar a segunda década de governos neoliberais no continente. E, ao
mesmo tempo, quando governos neoliberais enfrentam várias dificuldades,
entre elas os conflitos em torno das necessidades incontornáveis de
desenvolvimento econômico e o equilíbrio meioambiental.
Não há
solução ótima, geral, que aponte para a resolução de todos os conflitos e
casos particulares. É uma das funções essenciais da atualidade que os
intelectuais e os dirigentes políticos e sociais construam os espaços
de debate entre os governos e os movimentos sociais – indígenas,
camponeses, ecológicos – para a solução concreta, política, negociada,
de cada um dos conflitos. E, ao mesmo tempo, organizar as formas de
pesquisa teórica, analítica, e enfoque mais geral, mais além dos dilemas
concretos, de modelos alternativos que compatibilizem, mesmo sob fortes
tensões teóricas e políticas e necessidades constante de sempre
renovadas formas de sínteses concretas entre o desenvolvimento economico
e a proteção do meio ambiente.
O Forum de Sao Paulo é um dos
lugares em condições de assumir essa tarefa, como contribuição essencial
ao avanço dos governos posneoliberais na direção do anticapitalismo e
do socialismo.
Nuvens densas e escuras; entre elas, a Lua: pequena, porém, brilhante, encantada. No meu coração, alegria... De volta, no meu quintal... senti o ruflar dos álamos, o suave perfume das rosas... E meus passarinhos, aconchegados por ninhos de ternura e proteção...
O vento frio não me intimidou...O que era ferida; tornou-se, tão-somente, cicatrizes...
O tempo rodopia e passa... tudo renova...
Em êxtase, deixei o vento sacolejar as folhas do meu coração.
Alegre, compreendi as formosas borboletas e as cantantes cigarras... não as vi, nem as escutei... mas, pela primeira vez, as compreendi.
Deusas da alegria vivem plasmando no mundo as lições da felicidade que se encontram apagadas dos compêndios da ciência.
Ensinam a voar, bailando no infinito...
Ensinam a cantar, dialogando co'as estrelas...
Nossa vida de rebanho no curral é vida cinzenta na amargura dos pecados e dos complexos psicológicos, ambos, artimanhas da mesmisse... evitação do novo; cinzas no olhar para que não vejamos o esplendor inovador da aurora.
Culpa e ressentimento é cultura introjetada que nos mantém prisioneiros do narcisismo e da onipotência...
A vida é permanente aprendizado; metamorfoses criativas...
Se não chegamos nas terras do amanhã é porque mantemos nossos pés e mãos atados nas areias movediças do passado...
É preciso aprender a passar... Seguir adiante... Renovar-se... Reinventar-se...
Se erramos ontem; acertemos hoje...
Se caímos; reergamo-nos e sigamos adiante...
O dia que começa é tempo novo...
O passado é folha seca no museu das experiências vividas.
O vento renova a vida, espalhando no anonimato as folhas secas que cedem espaço e vitalidade as folhas que brotarão na vida parideira que não cansa de se recriar...
Enxuguemos nossas lágrimas... Sopremos as cinzas dos nossos caminhos...
Desbravemos novas clareiras... Inventemos um novo canto...
Não esqueçamos que a vida sempre recomeça... Assim, na novidade do tempo remoçado, reinventemos nossos passos no caminho: com compaixão e ternura, teçamos o amanhã, não economizando hoje nossa capacidade de amar e se dar...
Não sou triste. Minha lágrima é um fio de mina que corre na vida agreste dos que ousam sonhar, alucinando, hoje, o canto livre das campinas do amanhã...
Não sou alegre. Meu riso é o eco das pipas que visitando o azul do horizonte, e ele sabe que para a vida verdejar, basta a coragem de nas manhãs soprar com o vento as cinzas do passado...
EN-CANTOS... O AMOR.
Jorge Bichuetti
Longe, andei... para nada
encontrar no meio das multidões...
Mas, na Lua refletida no mar
descobri a vida florida nos
en-cantos... o amor.
E o amor floresceu
nos becos turvos
do meu coração vadio...
10/07/2012- grupo de estudos da obra de juvenal arduini