terça-feira, 29 de janeiro de 2013

DIÁRIO DE BORDO: MAR E CAIS; CAMINHOS DO INFINITO...

                                Jorge Bichuetti

Longe, os passarinhos cantam... Não os escuto, mas os trago aninhados no meu coração febril... O horizonte azul só é a manjedoura de novos porvires, se o povoamos de sonhos. Na noite escura, estrelas cintilantes o guarda... Nos dias chuvosos, o esplendor de um arco-íris o revela...Tecer sonhos é cavar na encruzilhada o alvorecer de um novo tempo...
É preciso sonhar... É preciso lutar...
Sonhar, lutando é navegar... Navegar é viver na loucura de ser e estar, buscando, dia-a-dia, um sorriso além...
Além do suor e das lágrimas... além do tédio e do desalento... há um sorisso... Um sorriso tecido de palavras e silêncios... de cantos e poesias... de travessuras e travessias... Um sorriso tecido pela vida que é feito dos amanhãs que desejam quebrar o relógio e nasceram no aqui e agora do nosso tempo...
Nosso tempo é frágil, volúvel e cruel...
Outros tempos teimam e almejam a poeira do mundo, as pedras do caminho, pois, sonham com a vida transformado...
Outros tempos querem ser paridos...
Um tempo de ternura e não-violência...
Um tempo de solidariedade e justiça social...
Um tempo serestas e madrigais; campinas floridas e riachos cantantes no caminho onde água, terra, fogo e ar perambulam para o mar abraçando triscarem e incendiarem de sonhos o horizonte azul...
Viver é perigoso, canta o poeta...
A vida endureceu, petrificou-se e, demente, agoniza...
Disseram e acreditamos: no poder absoluto do hoje...
Mas, ninguém vive alijado do canto das manhãs que são profecias encantadas dos amanhãs que engravidam a vida, sendo, contudo, abortados pelas cinzas que eternizam as dores do presente, excluíndo do horizonte as piruetas da história...
Deixemos a vida seguir para o mar...
Abramos as janelas do destino...
Sonhemos. Lutemos...
Naveguemos: navegar é preciso...
Embora, não baste navegar à deriva... Naveguemos, cultivando no hoje os brotos do amanhã... Assim, seguiremos... Seguiremos sabendo que sonhamos e lutamos por um outro mundo possível... Pois, já não conseguimos viver sem o cais da alegria geral... alegria que floresça primavera de todos e para todos...
Só, assim, a vida deixará de chorar pelos pelos sonhos que lhe são diuturnamente roubados...


domingo, 27 de janeiro de 2013

POESIA: CANTANDO NA CHUVA...

                  O CANTO DA CHUVA
                                       Jorge Bichuetti

A chuva canta
como assobiava meu pai:
tecendo sonhos, acordando arco-íris...

Canta no meio da estrada
entre o fogo apagado das paixões
e as velas que navegam no mar morto
das agonizantes e sofridas orações...

Mas a  chuva canta,
deixando sempre no cheiro da terra
o cio da vida que voa com passarinhos molhados
e encontra Deus nas lágrimas desesperadas
que sulcam a face dos nômades miseráveis...

A chuva canta,
o mundo dorme...
Em silêncio a vida procura o oásis perdido
dos que enxergam, além das nuvens,
o horizonte azul pelos homens cimentado...


PASSARIN
Jorge Bichuetti

no verde, entre galhos tortos,
faço meu ninho com as penas
que caíram no choro das matas...

e, ali, no meio do temporal, eu
sonho, sonhando não choro, eu cheiro
a seiva viva dos novos madrigais...



domingo, 6 de janeiro de 2013

DIÁRIO DE BORDO:EXISTIR, VIVENDO...

                                      Jorge Bichuetti

Saudades!!! Quanta palavra sentida, porém, contida nos solavancos do caminho... Lágrimas, risos que ecoaram no vazio da solidão e não deixaram notícias... Aqui, só os passarinhos e Luinha... Escutam versos; cantam sambas do morro... Eu querendo a vida ( e como a quero); mas, chegando sempre algumas braçadas atrás... Ele corre, dança.... rodopia.... Anda pelos campos, salta entre estrelas... Busco-a com sede de menino sedento...
Não sei se ela desatinou e veloz se fez fugidia; ou se sou eu cujos passos  atravessa o samba, tropeça nas escadarias dos palácios e das igrejas... Meus passos vadiam nos becos; saltita nas trilhas empoeiradas...
Queria poder abraçar a vida e dançar a alegria de existir, caminhando...
Caminho. Sonho...
Viver é lutar...
Os caminhos e os sonhos são o cenário das batalhas epopeicas que afugentam a escuridão e vão, colorindo com lápis de cera e bolas de sabão o horizonte, recriando a própria imensidão...
Eu quero a vida... A paixão vibrante; a ternura acolhedora...
Eu quero a vida... A peraltice travessa; a rebeldia insurgente...
Há tanta dor...
Penso que errei: as dores calaram meu coração quando a vida insistente, carregava-as com as próprias mãos.
Seria bom saber: onde mora a vida?...
Muitos a dissimulam, ofuscando olhares e carinhos com as luzes da fotografia que desenha contornos, ocultando corações...
Outros a gritam, na verborragia narcísica que nem mesmo vê os maltrapilhos do chão...
A morte corta a carne da gente, sussurrando inclemente: ela nada sabe da vida...
Talvez, a vida só possa ser encontrada no trapezismos das crianças; no eco das cachoeiras; no olhar enlouquecidos dos amantes...
Talvez, não... acho que ela também anda no silêncio das pedras; no urro sofrido das tribos indígenas; nos tambores das festas singelas dos quilombolas... no orvalho que beija a rosa sem ciúme das estrelas ali refletidas...
A vida é mãe... Cuida, abraça, reza romarias de esperança e fé...
Aqui, um jovem guerreiro nocauteado por uma bala assassina, acorda o choro da vida...
Ali, um menino na calçada suspira , embalado pelo canto... canto do mundo na voz da vida.
Eu quero a vida...
Onde anda???... Já a tive tantas vezes nos meus braços: juntos, dançamos a valsa noturna, cantamos as cirandas matinais... E, até, gritamos gol...
Miro o infinito e ante a vida que procuro, oro aos homens: não nos roubem a vida que sempre acalenta, dizendo: Paz, Paz...


sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

POESIA E CANÇÕES: FEITIÇO DO LUAR... AXÉ DE LUINHA!!!

                                     Jorge Bichuetti

Ante a ilusão do fim, nunca te esqueças que viver é recomeçar: arte de se reinventar nas asas da poesia que nos dá encruzilhadas onde a vida tenta nos encantoar no escuro dos becos sem saídas...
                               ***
O espinho não é o fim, o ponto final... suporta-o, pois, ele, é tão-somente, o guardião da rosa,e a rosa é u'a estrela do infinito que vive na ânsia de morar no coração da gente...
                               ***
A amizade é u'a poesia, u' rosa e u'a mandinga... Cria quintais de aconchego num mundo que nos rouba a paz dos passarinhos, a embriguês dos perfumes paradisíacos e a alegria de sempre sonhar... tecendo manhãs e manhãs com nossos sonhos azuis...


ENTRE PEDRAS, FLORES...
ENTRE ESPINHOS, SONHOS...

A VIDA VOA NAS ASAS DA LIBERDADE!!!


NA ESCURIDÃO, CANDEIA... O SAMBA É A TRISTEZA QUE BALANÇA: GAMBOA

Se chegares e a porta estiver fechada;
não te inquietes... no vaso de flores, ali,
onde os sonhos cheiram guardo u'a chave,
com ela a casa se abre encantada na magia
da vida que desde sempre fez da tristeza poesia...

                         jorge bichuetti


Candeia é tradição:
estrela viva na escuridão...



POESIA: ESTA FLOR

                 ESTA FLOR
                         Jorge Bichuetti

Esta flor
na tua mão
enternece meus cansados dias;
me aquece,
como um tufão
leva, para longe, mi'as amargas desilusões...

U'a flor
é poesia no ar;
as nuvens passam,
quando ela sussurra,
tecendo no vento
um novo canto que desenha
nas entrnhas do tempo
o desejo da vida de sempre,
de sempre recomeçar...


               NO HORIZONTE AZUL...
                                          Jorge Bichuetti

Na beleza azul do horizonte,
há quietude... há paz... e há
lágrimas doídas que nascem
dos olhares que de lá observam
o desespero e a angústia
que crucificam a vida 
tingindo de sangue
as nossas vielas de cá...


DIÁRIO DE BORDO: ESCREVER CAMINHOS; DESENHAR HORIZONTES...

                               Jorge Bichuetti

No céu, as últimas estrelas... Minha pequena Luinha dorme, rodopia no mundo dos sonhos... Aspiro o cheio da manhã, com meus álamos e roseiras perfumando o orvalho que desenferruja meus pés: é preciso caminhar, é preciso lutar.... Viver é tecer novos horizontes, redefinindo as próprias rodas do destino...
Hoje, o lápis me acordou... O esperei, longos dias... A palavra é semente, sementeira... Não é um adorno de aluguel...
Elas, as palavras, são estrelas... clareiam nossa vida íntima, ensinado-nos na arte do autoconhecimento... e incendeiam a realidade com o fogo renovador das transformações necessárias... Uma escrita, assim, é magia e é poesia... Bruxaria que exorciza nossos demônios; arte que martela , acordando no coração da vida s forças do amanhã..
Vivemos acomodados... Trocamos a cultura pelos epigramas das informações relativas ao mínimo necessário.
Arquitetos do destino, estamos aqui... 21 de dezembro de 2012: nem o fim apocalítico nem o mundo harmônico e criativo, solidário e terno...
Que caminhos escreveremos para nossos vidas?...
Que destino desenharemos para o nosso mundo?...
Construímos e destruímos, permanentemente, a vida e o mundo...
Um sorriso desperta manhãs encantados; o choro clama por generosidade cúmplice que detenha o fascismo das destruições impiedosas...
Todo fim é um instante onde se cruzam as forças do recomeço com os clamores da vida por uma nova humanidade...
Somos inacabamento...
O mundo é um jogo de forças entre a vida e a morte; entre a einclusão e a exlusão; entre o amor maior e as mazelas do desamor...
Somos co-responsáveis... O que faremos de nós?...
Que calem hoje os canhões... que ecoem graciosos o canto das crianças...
Que verdeje as matas... que floresça os corações...
Assim, tomando café quente, na prosa mineira das Geraes... ousaremos um velho canto:


POR JUSTIÇA E PAZ; SOLIDARIEDADE E INCLUSÃO CIDADÃ: FAÇAMOS UM NOVO MUNDO!!!

BONS ENCONTROS: UM DEBATE SOBRE OS NOVOS TEMPOS...

ÉTICA DO CUIDADO E A TERNURA DA SUSTENTABILIDADE DO AMOR ; FLORESCÊNCIA ECOLÓGICA QUE TERNIZA A VIDA E OS ENCONTROS...


CUIDAR DE SI... CUIDAR DO OUTRO...
VENCER AS GUERRAS; IMPOR A PAZ...
FLORESCER NA TERNURA DOS SONHOS PARTILHADOS...
UM NOVO MUNDO É POSSÍVEL


sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

POESIA: NOS SONHOS, A POESIA DO SILÊNCIO

                         ESTE FARDO
                               Jorge Bichuetti

Cansado e velho, meu corpo
pesa; assim, carrego-o com a
sensação de que o tempo aninhou-se
na estrada... Enquanto, mi'a alma voava
no vento... tecendo nuvens e sonhos;
agora, meu corpo já não sou eu...
Carrego-o, bailando alegrias, sementes;
ele me carrega entre flores murchas
que mi'a alma ressuscita  
nas miragens das manhãs...


                      PEDAÇOS DE SONHO
                                          Jorge Bichuetti

Chove... De alma molhada, recolho
nos entulhos da sarjeta pedaços de
sonhos e delírios que me ensinam a
seguir, mirando o azul-além onde eu
hei de encontrar a poesia do silêncio.




BONS ENCONTROS: UM TEXTO DE LEONARDO BOFF - SOMOS ESTRELAS NO CAMINHO...

           Seres de luz
                       Leonardo Boff

A luz constitui um dos maiores mistérios do universo. Somente entendendo-a ao mesmo tempo como partícula material e como onda energética podemos ter uma compreensão mais ou menos adequada dela. Hoje sabemos que todos os seres vivos emitem luz, biofotons, a partir das células da DNA. Por isso todos irradiam certa aura.

Não é sem razão que a luz e o sol se tornaram símbolos poderosos de tudo o que é positivo e vital. Especialmente o sol irradiante é visto como o grande arquétipo do herói e do lutador que vence as trevas com os monstros que nelas eventualmente se escondem. Sua aparição a cada manhã não é uma repetição, mas toda vez uma novidade, pois é sempre diferente. É um teatro cósmico que começa
da cappo, como se Deus  dissesse ao sol a cada manhã:“Vamos, tente mais uma vez! Renove teu nascimento! Irradie tua luz em todas as direções e sobre todos”.  Na maioria dos povos havia o temor de que o sol talvez pudesse ser tragado pelas trevas e não voltasse mais a nascer e a iluminar a Terra e a cada um de nós. Criaram-se rituais e festas que celebravam a vitória do Sol sobre as trevas. Assim, havia a festa  romana do Sol Invictus, do “Sol Invencível”.  Posteriormente, deu origem ao Natal cristão, a festa do nascimento do Deus encarnado , chamado de “o Sol da Justiça”. As festas juninas com suas fogueiras têm por detrás a experiência do sol, pois se inaugura o solstício de inverno.  Fazia-se e faz-se ainda hoje a impressionante experiência de que o Sol com seus raios de luz, nasce como uma criança. Na medida em que sobe no firmamento, vai crescendo como um adolescente até chegar à idade adulta ao meio-dia. Pela tarde vai definhando até ficar velho e morrer atrás da linha do horizonte. Mas, passada a noite, ele volta a nascer, limpo, brilhante, sorridente como uma criança. Como não celebrá-lo festivamente? Como não entendê-lo como sinal da Realidade originadora de todas as coisas?  De fato, ele é uma imagem poderosa de Deus como o cantou São Francisco em seu “Cântico ao Irmão Sol”. Nenhuma metáfora da divindade é mais poderosa que a da luz e a do Sol. A própria experiência da luz fez surgir a palavra Deus. Ela deriva de di em sânscrito que signfica brilhar e iluminar. De di veio “dia” e “Deus”, como expressão de uma experiência de luz e de iluminação. Como diz São João: ”Deus é luz” (1Jo 1,5). “Ele habita”, no dizer de São Paulo “numa luz inacessível”(1Tim 6,16). Jesus se auto-apresenta como luz: “Eu, a luz, vim ao mundo para que todo aquele que crê não ande nas trevas”(Jo 12,46) O Verbo encarnado é “vida e luz dos homens”, “luz verdadeira que ilumina todo o ser humano que vem a este mundo”(Jo 1.4.9).  Por isso é com razão apresentado como “a luz do mundo”(Jo 9,5). Os que aderem a Cristo como luz devem viver “como filhos da luz”(Ef 5,8). E “os frutos da luz é tudo o que é bom, justo e verdadeiro”(Ef 5,9). Mais ainda. Cada seguidor deve ser também  “luz do mundo”(Mt 5,14).  Como reza tão bem a liturgia dos funerais:”Que as almas do fiéis defuntos não tombem nas trevas, mas que o arcanjo  São Miguel, as introduza na luz santa. Faça brilhar sobre eles a luz perpétua”.  Nós todos somos seres de luz. Fomos formados originalmente no coração das grandes estrelas vermelhas, há  bilhões de anos. Carregamos luz dentro de nós, no corpo, no coração e na mente. Especialmente a luz da mente nos permite compreender os processos da natureza e penetrar no íntimo das pessoas até no mistério luminoso  de Deus.