sexta-feira, 3 de agosto de 2012

DIÁRIO DE BORDO: NA LUA CHEIA; A MAGIA DA TERNURA E DA COMPAIXÃO...

                     Jorge Bichuetti

Lua Cheia... Cheia de encantamento; permanece no céu... Teimosa, juntou-se aos passarinhos e com o eco dos sinos e das suspiros da madrugada cantam...
A alegria que brilha no coração da vida é força que se renova nas manhãs... A vida teimosa recomeça versando a poesia da esperança; o horizonte azul, guerreiro, não cansa de de desenhar nas páginas do infinito sua inalterável vocação pela utopia... Espera ativa... Potência do por-vir que pulsa com ânsia de ser já vida e mundo, vida de ternura e compaixão, um mundo de suavidade, paz e solidariedade...
Os álamos bailarinos me receberam festivos; a roseira com cacho de perfume e sonhos...
A maciez do orvalho dialogava insistente; e, na voz, vi a dignação com dureza e crueldade que campeia dominante nossa realidade de exclusão.
O amor me pareceu um ente vivo no aconchego da aurora...
Alvoreci...
Escutei, no silêncio, a indignação da vida que eloqüente falava do pode a ternura e a compaixão...
Na relva molhada, senti a terra apelando e falando do que seria nossas vidas se a solidariedade fosse erguida como lei e poder; ética no caminho e ética nas florações de um novo mundo...
Recordei-me das lágrimas que correm nas fissuras criadas pelo egoísmo e pelo orgulho; pela lógica de exploração, dominação e mistificação...
A ciência e a racionalidade prático-instrumental nos aliena da nossa própria humanidade... Nos formata narcísicos... e, assim, nos fratura o coração que agoniza, pouco a pouco, de tédio e solidão.
Somos singular; somos multiplicidade; mas, somos rede de produção de vida que num devir humanizante nos tece tribos conectadas pela chama do amor.
Quantas mazelas e chagas existem que negam a vida?...
A exclusão social é o fascismo existencial-político e econômico que cria a tirania, a violência, a miséria, a desigualdade e a desvalia da estigmatização.
Talvez, a aurora, com a inquieta e inquietante Lua Cheia, tenha me enlouquecido... Contudo, não creio... Creio que serenidade do alvorecer haja me falado da vida que grita... o grito dos excluídos; o grito pela ética do Bem Comum...
Viver é engravidar-se de sonhos para parir no caminho um novo mundo de amor e paz, suavidade compaixão, ternura e inclusão social...
Viver é superar a tirania da nossa vontade e desejos pessoais, para descobrir a alegria de ser caminho de transformação nos voos da partilha, que nos dá como mundo novo um ninho de solidariedade...
Ante as dores do mundo, então, urge voar... Voar, lutando... para que a nossa realidade cotidiana, também, viva a poesia viva do alvorecer...


"POR UMA NOVA TERRA, POR UM POVO POR-VIR" DELEUZE

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