sexta-feira, 10 de junho de 2011

DIÁRIO DE BORDO: O PROSEAR DO TEMPO

                                                 Jorge Bichuetti

Fria e deserta. A madrugada amanheceu nevoenta... Turva. Inquieta. Assustado, vi a Luínha guerrear com as sombras... Guerreira, minha menina ousou e queria afastar as tormentas... Não consegui lhe explicar que eram sombras ilusórias, forjadas pelo escuro e pelo silêncio. Ela, como nós tantos vezes, não quis crer na roseira e nos álamos, no limoeiro e nas sertanejas samambaias... A ninei e ela adormeceu nos meus braços...
Aqui, estou... Ante o tempo, desenho a milenar pergunta: estamos margeando o fim?...
Tudo se acabará?... Será o mundo e ser humano destruído numa hecatombe apocalíptica?...
Guerras; violência e fome; aquecimento global; tsunamis...Corrupção; desgoverno; egoísmo: vida canibal...
Há ainda espaço no mundo para a paz e o amor?...
Muitos me descobrirão um coração mergulhado na esperança e na utopia... Mas, assim, eu creio...
Podemos domar a história; podemos mudar o destino...
Caminhamos para o precipício; e voltar é ilusório... contudo, podemos inventar asas e saltar... redimensionar a vida e construir o novo, solidária e paz, o amor e a harmonia.
Podemos...
O ser humano é capaz de fazer-se, desfazer-se e refazer-se - ecoa, novamente, a afirmativa de Juvenal Arduini.
Me parece óbvio que a solidariedade e a partilha são as nascentes do amor. todavia, resta perguntar como podemos abandonar o egoísmo e o individualismo, a servidão e a apatia, para gerar ativamente novas forças e um novo existir capaz de despertar no ser humano e na humanidade o desejo dionísico de viver a alegria, já que estamos imersos na escuridão e na acomodação...
A natureza já revela sua cólera indignada...
O ser humano espera que alguém lhe dê um modelo, um guia, um salvador...
Se é o fatalismo que alimenta a tirania; nossa imobilidade nasce da nossa projeção no outro para que o outro se responsabilize por inventar uma saída.
Esperamos a receita; esperamos um herói...
A saída, entretanto, mora no coração de cada um que deixando de ser um age, experimenta, luta e reinventa na vida a aventura do agir transformador nos experimentos das coletividades.
Só, não podemos... necessitamos de ser tribo, grupelho, coletivos - uma multiplicidade de vidas que interagem na ternura do encontro e enternecidas, se indignam e se rebelam diante das sombras da injustiça e da morte, vida moribunda.
Também não podemos se esperamos regras, modelos e roteiros para seguir... O novo que deterá a ruína do velho mundo carcomido pela ganância precisa ser criativamente inventado.
Temos faróis,centelhas que nos iluminam o caminho... mas, é o caminhar que dá substância para nossos desejos e sonhos de vida e de alegria.
O horizonte nos chama... caminhemos.
A vida agoniza... lutemos.
O mundo anda esfarrapado... solidarizemo-nos.
O poder e o capital permanecem inclementes... rebelemo-nos.
Há uma lágrima incrustado no chão da vida... amemos... amemos... amemos...
Porém, amemos com a ousadia de querer, agindo; de sonhar, inventando... novos modos de ser e de existir.
Só, assim, o fim será suprimido pelo recomeço...
Só, assim, nosso vazio e desespero, nossa amarga desilusão... sairá dos espaços da depressão e da fobia , para voar nos espaços da imensidão onde pulsa e brilha a utopia.


DIA 11/06/2011 - 13:30- NA CRECHE CORAÇÃO DE MARIA: ENCONTRO DA UNIVERSIDADE POPULAR JUVENAL ARDUINI.
A EDUCAÇÃO EM MOVIMENTO NOS CAMINHOS DA LIBERTAÇÃO... UM OUTRO MUNDO É POSSÍVEL.

2 comentários:

Rosi Alves... disse...

Bom dia digníssimo poeta, o que dizer diante
De tanta beleza em poesia... Só me resta agradecer
Melhor do que você não nasceu. Um abraço sexta de paz!

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

A vida, Querida Rosi, vai num andar entre o espino e a flor... sonar é viver além.
Abraços com carinho, jorge