segunda-feira, 6 de junho de 2011

SEXO E AMOR NA CONTEMPORANEIDADE

                        REPENSANDO OS CENÁRIOS DO AMOR - ADILSON S SILVA

A contemporaneidade faz insistentemente um apelo ao sexo, subverte Eros e oblitera o amor. O amor como um enigma, não se deixa enganar. O amor é mítico por excelência, não se deixa classificar, repelindo as tentativas de classificação ou definição, só permitindo uma aproximação na metáfora, ora hiperbólica, ora diminuta e sutil. Por isso e, talvez só por isso, possamos trazê-lo à palavra na poesia, um campo mítico também por excelência. Haja vista que a literatura nunca deixou de falar do amor.
Mas existe um vazio conceitual que dificulta a expressão do amor no mundo contemporâneo. A nossa humanidade caminha só, mesmo estando lado a lado com o Outro, a relação que se estabelece é superficial, de contigüidade, raramente um feliz e verdadeiro encontro. Se não há Outro, o que existe é um amor baseado na precariedade da falta, uma suplência narcísica, tentando fazer “UM”. Talvez a subversão do amor pelo sexo seja isso, uma relação objetal, num discurso que não faz laço social, que não é outro senão o discurso do capitalista, onde há sempre um objeto para o sujeito, disfarçando a impessoalidade que fundamenta essas relações, na medida em que o contato físico simula o encontro, mas não aquilo que o amor se propõe - UNIÃO

  AMOR

Esta flor murcha sobre a cama;
este silêncio... num canto da
vida quedou estático o sonho...


Esta lágrima que cai, lenta;
este vento...  num instante,
evaporou-se o meu grito e


só... entre pedras, lamento
este vazio... nunca saberei
porque tornou-se oco e seco


o que era o sacrassanto e o
profano... sublime céu do
caminho, nosso deus vivo


de carne e osso e nome
amor... ontogenético e
cosmonauta deus... amor...


Éramos a alegria da flor... Jorge Bichuetti


- "O amor é grande e cabe nesta janela sobre o mar. O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar. O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar." Carlos Drummond de Andrade

- "A medida do amor é amar sem medida." Victor Hugo


16 comentários:

♫ ♪ Wilson ♫ ♪ disse...

Infelizmente o que vemos muito hoje em dia é um amor comercial e egocêntrico. Com isso o fracasso e a decepção é só questão de tempo.

Grande abraço meu amigo e aguardo sua presença lá no Fragmentos onde voltei a fazer postagens.

Ótima semana!

Deus seja contigo

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Wilson,o amor é o grande desafio do ser humano; se amammos, crescemos e somos ativados pela solidariedade. Abraços com ternura, jorge

Anne M. Moor disse...

Belo conjunto de textos neste post. Nunca acabaremos esta reflexão sobre o amor! E ainda bem :-)

beijos
Anne

Concha Rousia disse...

O amor sim, ele nem se pode definir... Gosto da profundidade do texto, mesmo que minha capacidade mergulhadora não me permita conhecer toda a sua dimensão. Lerei de novo. Essa ideia final sobre o sexo me fez pensar num texto meu esquecido que diz algo assim:
'O sexo é uma forma maravilhosa de entrar no mundo de outra pessoa, sempre que entrar no mundo de outra pessoa não seja um caminho para o sexo' Acho que intuitivamente concordava já com o que diz o Adilson... Um abraço com ternura para a todo que ler este comentário, Concha

Concha Rousia disse...

E que intenso o teu poema, Jorge! O amor faz que não nos sequemos como as folhas do outono... nem quando o nosso corpo morre o amor seca, o amor continua vivo em quem nos amou em vida e em quem nós amamos... Amor nós faz eternos... Abraços com carinho, Concha

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Anne, o tema do amor continua; me parece também maravilhoso que persistamos tentando entender e nos mudar pra amar mais e mais profundamente... Abraços com carinho, jorge

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Concha: secamos se caimos no desamor, o amor vitaliza, energiza e nos abre pra vida... O texto do Adilson, uma profunda reflexão, me pos , reflexivo... O outro deve ser nossa ponte para a mim e não u'a imerso nos redemoinhos de nós mesmos... Abraços com caroinho, jorge

Fernando Campanella disse...

Boa postagem, ótimas considerações do autor sobre o vazio do amor, atrelando um certo narcisismo ao capitalismo. Um poema belo também sobre o fim do amor. Forte abraço, meu amigo.

Tânia Marques disse...

Gostei bastante deste post. Jorge, tua poesia é cativante. Adilson, um pequeno tratado sobre o amor nos tempos pós-modernos, tempos de Bauman. Bj.

Mila Pires disse...

Penso na proposta do amor ...A união, como disse o Adilson...Mas com dificuldade, posto que vivemos uma contemporaneidade imediatista de produtos e pessoas descartáveis e deletáveis, onde coisificamos tudo...onde tudo se tormou banal...Ora se o Amor é UNIÃO e tão desejado por todos, creio descabido tudo isso...entristece-me saber essas possibilidades que a vida moderna nos oferece!Contudo, ainda creio no AMOR genuíno...o qual tudo suporta, tudo espera e tudo crê !Precisamos espalhar a sementeira desse AMOR...Regá-la para que possa germinar forte e robusta!
Abraços de carinho ao Adilson e ao Jorge.

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Campanella, visitarei-o pois estou com saudade da sua poesia; minha cachaça como sentia o velho drummond.
Abraços ternos, jorge

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Tânia: estive até tarde resolvendo o grupo de hoje, ponta-pé inicial na nov fase da Upop-JA.
O amor é cativante.
Hoje, depois da reunião , vou fazer um café, lhe escrever e visitá-la, pois a saudade é grande, embora a sinto presente na labuta de organização da Upop-JA.
Abraços com carinhos e beijos, jorge

PAULO CECILIO disse...

Este ótimo texto do Adilson vem em boa hora. Cada dia vejo mais estatísticas e menos AMOR... Fico apenas no titulo de artigo na "folha" de ontem:

07/06/2011 - 08h30
Amor acaba antes da 'crise dos sete anos', dizem estudos
GUILHERME GENESTRETI
DE SÃO PAULO...

..................(amor agora tem prazo de validade, como latinha de prateleira)...........

paulo

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Paulo, também, achei cheio de lucidez e um chamado pra vida do amor união,
Abraços com carinho, jorge

Adilson - Rio de Janeiro - Brazil disse...

Ficou lindo isso ...o amor realmente faz refletir ...mesmo que às vezes de forma evanescente... Um abraço carinhoso a todos

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Adilson, sempre nos oferece um clarão e um horizonte instigante e inovador; abraços com carinho, jorge