quinta-feira, 16 de junho de 2011

DIÁRIO DE BORDO: AS VEREDAS DA SERENIDADE

                                           Jorge Bichuetti

Noite enluarada. Sereno na madrugada... No quintal, um profundo silêncio. A vida navega ziguezagueando e se consubstanciando seu leme, seu norte... Os álamos quietos e cheios de altivez, parecem namorar o infinito. A roseira toda em flor perfuma e sonha... As samambaias verdejam uma esperança que eu desconheço nos livros da minha biblioteca.
A Luinha cansada dos folguedos noturnos dorme sonhadora. Tudo respira paz...
Penso na nossa vida, na vida dos seres humanos... Como nos custa conservar serenidade e paz. Ora mergulhamos na ansiedade e na irritação; ora estamos sufocados pela melancolia.
A vida não nos revela o seu sentido... seu leme, seu norte.
Ou talvez, seja nós que nos acostumamos a turvar o horizonte e a brigar com o vento. Sempre criamos nossas tempestades. Nunca desenhamos um arco-íris no alto da nossos sonhos...
O pessimismo nos devora.
Onde mora a serenidade?... No meu quintal, ela flui expontânea, revelando-se imanente à própria vida.
Eis alguns apontamentos que escuto no vento...
Vivemos desconectados da natureza e do universo... Nos julgamos o centro único e soberano da vida. queríamos a vida serva da nossa vontade. Nunca lhe perguntamos sobre seus desejos, anseios e sonhos... Deixamos de conversar com as estrelas... Não dialogamos com a natureza. E, assim, apartados, nos iludimos e iludidos, ficamos decepcionados quando fica corre por caminhos que não estão desenhados no roteiro rígido da nossa programação existencial.
E perdemos  a simplicidade... Coisificados e escravos das coisas, vivemos ansiosos  ou frustrados, nunca potencializando o que temos e o que nos acontece...Vorazes, sempre estamos enamorados do que nos falta... Então, sofremos.
Neste caminho, hipertrofiamos nosso valor e criamos complexas e elevadas expectativas. Exigimos de nós mesmos e dos outros o que não conseguimos e o que os outros não conseguem dar.
Depois, sofremos, igualmente, quando no caminho descobrimos que viver é lutar, servir, recomeçar... queremos nosso guerreiro íntimo sonambúlico, adormecido... E a vida pede esforço, batalha, guerra...
Há uma guerra afirmativa, uma guerra pela vida... a vida é construção: produção inventiva, criação inovadora.
O sonhos, sem luta, diluem no ar; vão com as nuvens... eles exigem de nós coragem, audácia, determinação, sacrifício e perseverança.
A serenidade mora na mineiridade descrita por Guimarães Rosa... Num existir com leveza, alegria  e valentia.
O resto é o silêncio da madrugada...


6 comentários:

Concha Rousia disse...

Jorge, meu amigo, desde o teu quintal tu podes ver o meu e eu sentir o teu, é por isso que este teu texto descreve melhor o que eu senti hoje em minha madrugada do que o meu próprio, que lindo poder ler a página do dia que abre seus olhos e desvela os mistérios das noite, prazer imenso te ler, abraços com ternura e alegria, Concha

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

concha, amei o seu texto, aliás ir na republica de Rousia é ir na Galiza onde a força da natureza fala de sonhos ancestrais, que persistem desafiandoa coragem de lutar da nossa humanidade; abraços comcarinho, jorge

Adilson - Rio de Janeiro - Brazil disse...

Pura poesia meu companheiro , texto sereno, imagético e balsâmico ....
sou notívago ... adoro a noite em especial as que t~em lua .... e aí ... intuir sobre essas coisas do mundo e da nossa humanidade ...

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Adilson: queria lhe dizer que onde vou as pessoas me agradecem sobre seus textos: a família e o perdão... Estive ontem na periferia e o pessoal dizendo que ficou mais fácil viver com eles.Obrigado pelo carinho e um grande e terno abraço; jorge

Adilson - Rio de Janeiro - Brazil disse...

Voce me emociona Jorge , que bom que as palavras chegam onde não podemos ir... como eu disse
seu blog é um cyber farol ....e que essas pessoas saibam que me sinto tão na pele delas ... entre a pele e a carne ...sei da dor do medo e de todo medo à dor ... Um abraço fraterno sempre a voce e a essa nossa gente

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Adilson, quero deposi, dar uma divulgada na univ popular e seu vínculo com a periferia... é muito legal: um abraço carinhoso, jorge