domingo, 12 de junho de 2011

DIÁRIO DE BORDO: NA HISTÓRIA DA VIDA, O CAMINHO DA AMIZADE...

                                        Jorge Bichuetti

Estive conversando com o meu quintal: hoje, eu contei histórias... Os álamos e a singela roseira me ouviram; a Luínha, não... Tece ciúme. Ou talvez tenha tido desejo de ter vivido o que lhe pareceu uma vida da qual ela foi excluída. Coisas do amor familiar...
Ontem, estive num espaço que é um território da minha própria história... Alegria e saudade.
Ali, estive pela primeira vez, menino... um jovem de 20 anos. Era ainda uma rua deserta, no mato, um acampamento, e a luta pela terra... Depois, voltei - era a resistência, o poder queria derrubar a creche, creche do povo, creche da vida... Alguns anos após, trabalhei como assessor da comunidade, trabalho voluntário, militância poética e de amizade...
Lá, ontem, estivemos: encontro da Universidade Popular... Éramos cerca de duzentas pessoas: a juventude, artistas, trabalhadores e a os povos indígenas, com a presença do Cacique Karcará-Urú e sua tribo; e também a Central dos Movimentos Populares ( luta dos negros, movimento GLBT, juventude, movimento antimanicomaial e a luta dos direitos humanos)...
Fomos até tarde; uma longa jornada...
Iremos ao longo da semana traduzir em palavra o impensável: o encontro da vida no caminho do povo...
Aqui, falo hoje de saudade e amizade...
Acabo de ver a Lua aproximando sob a influência dos meus carinhosos chamados: o amor necessita ser sempre includente...
A vida corre e o tempo passa; ficam o vivido, a saudade e as grandes amizades.
Devo muito à periferia de Uberaba e à luta popular: assim, ali, nasci, um dia, filho do luar, guerreiro, poeta dos sonhos e peregrino das utopias...
Quanta saudade!...
Saudade do que vivemos e saudade do que iremos juntos ainda viver...
A amizade é o patrimônio que nos enriquece de ternura, solidariedade e companhia... Ela nos povoa; faz nascer uma flor no coração do deserto do ser humano carrega dentro de si... As paixões são forças vulcânicas, vorazes e intempestivas, passam... a amizade fica.
A paixão nos coloca perto do ego, com seus arbítrios e tirania; a amizade introduz no nosso psiquismo o outro... Um outro que já é um alheio; um outro que somos... Quebra o egoísmo, destroça o personalismo... A amizade nos faz tribo, coletivo, comunidade...
Ela nos abre para o mundo; a paixão nos esconde na toca onde ruminamos nossos desejos pessoais sem nem mesmo escutar a voz do coração amado.
A Universidade Popular caminhou e floresceu no território das amizades passadas, ainda atuais, novas amizades: nasceu sociedade de amigos.
Neste momento, os sinos tocam acordando o novo dia... Oram no silêncio da madrugada; orações universais que cada as traduzem segundo as ressonâncias dos próprios corações...
Eu oro... ao universo que nos fez capazes de superar a solidão, tecendo no caminho o encanto e a poesia que pulsa na grandeza de uma verdadeira amizade...

2 comentários:

Rosi Alves... disse...

Lindo amei!
"Levanto as mãos para o céu
Fazendo um pedido
Senhor abençoá
Todos meus amigos

Amizade é um dom sublime
Da mais pura magia
Tenho duvida Se são anjos
Ou amigos que me guia"


(Rosi Alves)

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Rosi: poesia de altiva ternura e cândida beleza; abraços com carinho. jorge