domingo, 4 de dezembro de 2011

DIÁRIO DE BORDO: A MORTE É UMA TRANSAÇÃO SOLITÁRIA...

                                    Jorge Bichuetti

No quintal, respiro e voo... Num voo solitário, me sinto povoado pela revoada de andorinhas que, embora, não as vejo, sei... ali estão... Como toda passarada, canta a morte - passagem, encantamento - do grande mártir Sócrates, herói na luta pela democratização do Brasil, líder da democracia corinthiana... Disseram que ele morreu de cirrose hepática, assim, declara a voz da medicina... No canto dos passarihos e no perfume do meu roseiral, escuto entre versos de louvor que tornou-se encantado, como vida que se doa... Ele, alegre e guerreiro, se deu à luta... Morreu de vida e luta... No céu, agora, é estrela... e brinca de bola com o menino Jesus... Conta para o pequeno na Fiel aprendeu o que é a força de uma paixão... Gaviões e pardais, sabiás e patativas... trinam, sinfonicamente, uma Ave, Maria mesclada  com sambas e baladas...
A morte é uma transação solitária - este é o nome de livro de suspense...
Será?...  Os psicanilistas dizem que ela é inominável...
Guimarães Rosa diz que é só um encantamento...
A verdade é que ela nos deixa com lágrimas de saudade e com um sério compromisso de manter vivo as vidas que passam semeando as floradas de um novo tempo...
Nos deixam heranças... Deixam vazios...
Fica a necessidade de que carregamos as lições aprendiadas e que nos desdobremos para que a morte não seja capaz de apagar a história, a vida, então, é vida que passa a estar nas nossas mãos...
Povoemos o nosso país com os filhos que na luta, exaltaram a liberdade e a dignidade das vidas que brotavam, brotam e brotarão no ventre da nossa mãe gentil...
Muitas vezes, me pego choroso dos que partiram ou se encantaram... depois, me descubro com uma coletânea de lições e exemplos que eu ainda não dei materialidade na minha vida e caminhada...
Me sinto, então, como aprendiz que clama pelo mestre... pedindo novas lições, antes de ter dado vida às lições recebidas...
Assim, ao Sócrates: nossa gratidão...
E a sabedoria de Rosa: "Saudade é ser, depois de ter"...


4 comentários:

Anne disse...

Bela homenagem! A morte é algo para a qual nunca estamos preparados, ou, talvez, seja a saudade que vem depois que não sabemos equacionar...

beijo grande
Anne

Metalurgia das letras disse...

Por quem os sinos dobram?

Sonzinhos...
Você ou eu...
Todos nós
Vamos jogar...

Uma roleta russa com a morte
Uma bala, duas balas, três balas...
Até encher o tambor...
E dobrar os sinos da história.

Se a morte for um encantamento?
E tivermos deixado pelo menos saudades
O tempo se encarregara de apagar
De preencher todo nosso vazio.

Para onde iremos?
Talvez não exista “nada além do esquecimento”
Mas se a alma é eterna?
Os sinos só dobraram por um corpo.

Que nem “Sócrates” ou Platão
Conheceram tal mistério...

Jorge! Amei a sua homenagem a este
Grande Brasileiro. Que o Senhor Jesus!
Renha misericórdia de todos nós

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Anne, ou as duas coisas; um extranhamento e depois, um vazio... que o tempo preenche com floradas de carinho.
Abs ternos, jorge Bichuetti

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Metalurgia das letras - linda poesia; entre a dor e a poesia voa novos sonhos. abraços ternos, jorge