segunda-feira, 1 de agosto de 2011

NA TECELAGEM DO DESTINO

                                       Jorge Bichuetti

Tecemos nosso destino... Contudo, não o fazemos com liberdade irrestrita nem conscientemente... Há determinantes históricos e sociais que nos formatam o agir; há mecanismos inconscientes que nos governam e/ou nos desgovernam e que, igualmente, não percebemos...
Aqui, abordaremos alguns que muitas vezes nos assombram, sem que deles tenhamos uma nítida compreensão...
A sabotagem é um mecanismo inconsciente frequentemente erguido na tecedura do nosso destino.
Nos sabotamos quando nosso agir/pensar funciona na contramão dos nossos objetivos e sonhos.
Comumente, o nomeamos como puxar o próprio tapete...
É como se colocássemos uma pedra no nosso caminho... Como se selecionássemos um percurso que cria dificuldades para as realizações desejadas...  Ou ainda, quando expomos as partes da nosso eu ou de nossa vida que nos containdica para o fim almejado, ocultando as que nos favoreceriam...
Geralmente, expressam funcionamentos autopunitivos... onde  nos julgamos carentes de castigo para alívio de erros ou limites que não conseguimos ver e sentir com compaixão, misericórdia e compreensão... Expressam a falta do auto-perdão, ideais de ego castradores e egos ideais frágeis... Simplificando, expressam uma autoestima baixa, deteriorada; e um superego rígido, castrador, punitivo e dominador...
Um exemplo, se vê nos que traindo, deixam sinais... como se dissessem para a vida que precisam ser descobertos e punidos.
Outro limitante relevante é a nossa lenda pessoal...
Nas grupalidades,e a família é uma grupalidade típica, são distribuídos papéis e funções, o que desenham no inconsciente uma lenda, um destino... Senão, vejamos. Não é comum que se destine a alguém o lugar do feijão-podre, o bode expiatório da família... E a criança é subjetivada, ouvindo... Vê, você não serve pra nada... Está na cara que você vai acabar como o seu... e, assim, por diante... Está lenda da insucesso, da perdição, gravada no inconsciente, vai gerando no funcionamento um destino que comprove o saber/desejo dos pais...
Nada está dado, ninguém é algo e só aquilo... Somos movimento; a vida é movimento...
Estes registros aqui assinalado correspondem a subjetividade edípica, própria da vida no capitalismo... Porém, o inconsciente é muito mais... é produção desejante; é rizoma; é maquinaria que pode ser agenciada na construção de dispositivos que nos facilitem na tecelagem do destino a invenção da alegria e da paz, da produção inventiva e criativa e das realizações de desejos e sonhos.
Conhecer nosso funcionamento nos auxilia a nos proteger de nós mesmos: daquele nós estrangulado pelas limitações vividas...
Ser ativo na vida é atuar potencializando nossa capacidade de ser e devir... de alegrar-se e produzir, criativamente; evitando as repetições de destino que registradas no inconsciente nos induzem a cumprir o esperado...
Todos pod3emos mudar nosso destino; refazer nossas vidas...
Todos podemos potencializar nossa liberdade de lutar pela plenificação da nossa capacidade de existir para a alegria e para a paz, para a produção desejante... para a realização dos sonhos.
Tomemos, então, as rédeas do destino e as manuseemos com altivez, ousadia e prudência...

4 comentários:

Adilson - Rio de Janeiro - Brazil disse...

Belo e sábio texto meu amigo
"Todos podemos (sim) potencializar nossa liberdade de lutar pela plenificação da nossa capacidade de existir para a alegria e para a paz, para a produção desejante... para a realização dos sonhos".
Um forte abraço

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Adilson, um grande abraço: - tentei ir no rimas, não consegui; caso tenha mudado de blog, me dê um toque.
Lhe admiro muito, abraços com carinho e ternura, jorge

Adilson - Rio de Janeiro - Brazil disse...

Oi Jorge segue o link
http://rimastruncadas.blogspot.com/
Eu dei uma fechada para reciclar meus escritos ... rss eles respiram ....abçs

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Adilson: amigo, irei vê-lo... Abraços ternos, jorge