sábado, 23 de abril de 2011

POESIA: PAIXÃO DE POETA

                                     O POETA E A VIDA
                                                              Jorge Bichuetti

Um poema no caminho,
travestindo uma lágrima
e desnudando minhas emoções,
parece linhas enoveladas
dos meus sonhos tricotados...

Escrevo no pó do caminho,
percutindo o longe da vida
que me escapole pelos dedos
das minhas mãos já cansadas
de viver entre espinhos...

Hei de plantar uma roseira
no quintal do meu coração;
adubarei... regarei... a amarei
com versos suaves e ternos
do meu rosário andarilho de poeta...

                  
                          O FOGO DO DESEJO
                                                    Jorge Bichuetti

Êxtase e vida, erotismo
venial... Intempestivo amor,
como se deitados, voássemos
nos delírios cósmicos e
nos orgasmos intergaláticos...

Corpos enovelados, pele
faíscante... um enlace
que nos unem e nos afastam,
já que na volúpia do prazer,
rodopiamos soltos no vendaval
da vida de intensidade
entre o fogo do desejo e os voos
errantes nas fissuras da eternidade...



                               INDIGNAÇÃO DA VIDA
                                                           Jorge Bichuetti

Na viola dedilho uma nova canção,
copiada das palavras errantes
que navegam no tempo e são
epopéias olvidadas pelas páginas
rabiscadas no livro da história...

Escuto as vozes tribais dos povos indígenas,
o canto nostálgico e sofrido dos escravos,
os hinos harpeados pelo choro dos anjos
que não silenciavam com a morte
de tantos e tantos mártires anônimos...

Não posso dizer tudo, há signos indecifráveis,
há profecias, utopias, cantigas e louvores,
es criturados nas nuvens e no azul infinito;
só posso perceber nas anotações da vida
que toda dor é dor da vida... indignada...

2 comentários:

Tânia Marques disse...

Nossa! Lindo demais. Poeta, você encanta o mundo e desperta milhões de efeitos sinestésicos em mim. Beijos

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Tânia, amanhã sai só pós-modernidade, inclusive com seu lindo poema, mais seu texto e algumas poesias minhas: tristes, me disseram, respondi: a pós-modernidade ri, mas não é alegre.
Ontem, estívemos num dia lindo eentre índios, jovens e quijotes... Abraços com muita ternura e carinho< jorge