segunda-feira, 11 de abril de 2011

BONS ENCONTROS AQUI, HOJE A VIDA CANTA... NA TERNURA DA PALAVRA DE ALEGRIA E PAIXÃO DA POETIZA E EDUCADORA ANNE M MOOR..

Nossa conversa... nossa enconccontro é com poetiza e educadora, do Rio Grande do Sul, Anne M Moor:  Articulista do blog: anne-lifeliving.blogspot.com ...Por ela tenho verdadeira admiração, seus poemas são vozes da vida falando de amor, ternura, paixãoe liberdade. De vida... Educadora por ofício e paixão; vida de encantos , magias do coração...
                                        
    UM DIÁLOGO CHEIO DE TERNURA, BRILHO ENLUARADO DE COMPAI-XÃO

Querida Anne, sempre cheia de amor e ternura. Sua generosidade me encanta, tê-la perto é uma honra e uma alegria.

Primeiro quero dizer que a honra é toda minha com este convite que me fizeste. Adorei a oportunidade de refletir sobre as questões de vida e do viver que propões. Obrigada!

Eis as perguntas:
1.  Anne, a ternura contagia... Como vivê-la num mundo de desamor e violência?...
Acho que ser terna é como amar. É um sentimento, um agir muito nosso, muito calcado no caminho de vida que trilhamos até chegar aqui. Ser terna comigo mesma e com as pessoas é querer o bem estar dessas pessoas. A violência que vivemos é causada pelo desamor, talvez especialmente o amor próprio, que vem de tantas coisas e lugares – tu sabes isso muito melhor que eu rsrsrs. Viver a ternura é, primeiramente, para mim algo inconsciente, não é um ato pensado... Sou assim. E, aliás, até pouco tempo atrás, não tinha me dado conta que eu era vista assim. Querer compartilhar momentos de carinho, que me fazem tanto bem seja a força que me fez assim.

2. Uma nova educação urge... Para você, quais são pontos imprescindíveis num novo educar?
Ai Jorge! Me pedir para falar neste assunto é um perigo! Educação é minha vida e embora esteja aposentada, ainda trabalho na educação a distância em um curso superior a distância online de formação de professores. É uma paixão para mim. Tentarei ser breve rsrsrsrs. Pontos imprescindíveis num novo educar é o exemplo. É o desenvolvimento de uma capacidade do educador de ser coerente. É querer entender o contexto em que se ensina para compreender os comportamentos dos atores do processo para saber como agir. Mas, principalmente, é entender e aceitar que o mais importante não é o ensinar, mas sim a promoção da aprendizagem. De nada adianta fazer de conta que ensina se o aluno não aprende. Se eu realmente ‘ensinei’, o aluno terá a oportunidade de desenvolver um processo de aprendizagem no qual ele poderá construir conhecimento novo. Isso depende da interação motivada, que é a energia do sistema, da colaboração entre os sujeitos, demonstrando que há benefício recíproco (nas palavras do Piaget), de dar-se as mãos para, através de uma reflexão compartilhada, se possa construir conhecimento novo. É entender o que é ensinar ou o que seja uma presença de ensino no processo de aprender. Portanto, as palavras imprescindíveis são interação, colaboração e autonomia, além de ética, seriedade e paixão.

3. A poesia  ainda pode?... Qual é a sua experiência com a potência da poesia?
Claro que sim! Não só pode, mas deve! Vou te contar uma história que me aconteceu quando voltei de quatro anos na administração de uma universidade federal para minha unidade de ensino – Letras.
Eu sou professora de língua inglesa e linguística aplicada em um curso de Letras – formação de professores, ou era na ocasião do que vou contar. Tinha uma turma de 3º semestre à época e notei que cada vez que falava em poesia, que eu adoro, os alunos faziam caretas e expressões de desagrado. Fiquei espantada como podes imaginar. Mas como toda situação provoca reflexões, me fez pensar no meu ensino com aquela turma e propus uma aula, dentre as aulas da semana, de contação de histórias. Concordaram e no primeiro dia pedi que arredassem as classes para abrir um espaço no meio da sala e os convidei para sentarmos no chão em círculo. O espanto nos rostos deles era cômico. Eu era conhecida como ‘louca’, mas as expressões diziam que não estavam acreditando em tamanho absurdo. Por que será que as pessoas têm tanto medo do diferente? Bom, isso é papo para outra hora rsrsrs. Essa experiência que foi sensacional levou a um despertar desses alunos sobre os prazeres da poesia e as inúmeras leituras que a poesia proporciona.
Levou também à oferta de uma disciplina – Inglês através da poesia – que desencadeou um despertar da potência da poesia para esses alunos e, devo dizer, para meus colegas descrentes com o que eu estava propondo. Afinal, eu não era “da área da literatura” rsrsrsrs.
Mas foram uns dois anos depois que eu realmente descobri a potência do poetar na minha vida. Fui motivada por alguns blogueiros amigos a escrever, a poetar em vez de apenas compartilhar a poesia de outros. Ao começar a escrever poesia, me dei conta que, primeiro, eu estava ME escrevendo e, ao posteriormente ler o que havia escrito, a me enxergar! Foi talvez o momento em que me dei conta, conscientemente, de que as adversidades da vida haviam me ensinado a me olhar no espelho e me enxergar. É assustador e por vezes muito doloroso, mas me parece que é necessário para a caminhada. A poesia, para mim, é paixão e delírio, é me ver como nunca tinha me visto. É talvez me ver como os outros me enxergam e que, até hoje, as vezes tenho dificuldade de enxergar.

4. Somos folhas no vento... É possível mudar os rumos da vida?
Com certeza! Aliás, a vida é movimento. Quando eu olho pra trás vejo outra pessoa, com medos, preconceitos, certezas idiotas, enfim, um eu que não gosto muito J. Talvez por que sempre, desde que nasci, fui uma pessoa muito teimosa e sonhadora, e sempre quis mudar coisas que eu não gostava em outras pessoas. O que quero dizer é que eu não queria para minha vida um agir sem nexo e um tanto quanto incoerente que vivi, acho que todos vivemos. Com isso, me determinei certas trilhas que mudaram minha vida sim. Que trouxeram redemoinhos de consequências para mim e para meus filhos (tadinhos) com as quais cresci, crescemos, e me reinventei e eles se inventaram e continuam se reinventando. Ainda sou teimosa e sonhadora, mas sem as idealizações e certezas idiotas que me trouxeram tanto sofrimento. Temos que nos permitir amar e viver na (re)construção de trilhas possíveis.

5. A mulher vive, nos dias de hoje todo o seu potencial? Onde o mundo a inibe?...
Não. A mulher, de um modo geral, ainda está arraigada a uma sociedade que a vê como um ser que veio para servir o homem, a se anular em favor não se bem do que! Este assunto (rsrsrsrsrs) é outro que tendo a me destrilhar quando falando dele e que, vez por outra, bastante seguido, me coloca em apuros! J Eu sou o que a sociedade chama de uma senhora idosa. J Mas não me comporto dentro dos parâmetros determinados e realmente não me sinto ‘idosa’, a não ser que esteja agachada e precise levantar! Ou, para dar um exemplo concreto, quando sai na garupa da moto de um de meus filhos “riding into the wind”, o subir e descer da moto me lembraram que talvez a sociedade tem uma certa razão! Rsrsrsrs Tenho muita pena das mulheres que ainda não aprenderam a viver, que continuam sombras de uma imposição de uma sociedade torpe. Pra mim, minhas pares estão um tanto quanto perdidas na suposta liberdade que cavaram lá nos anos 60 e com a qual não sabem lidar AINDA. Onde o mundo as inibe? Talvez na incoerência, no medo e no preconceito... Não sei bem. Aquela mesa de bar e um bom vinho chamam para muitas conversas sobre o assunto.

6. Qual a função da paixão na vida de uma pessoa?
Sem paixão não se vive. Quanto muito se existe. A paixão gera ideias, ações e modos de fazer que nos empurram a um viver que valha a pena.

7. Diga algo, do coração, para as pessoas que buscam na vida uma utopia ativa?
Não deixem de sonhar! Alguém disse que a vida é feita de possibilidades e escolhas e eu acrescentaria que sem o sonhar o viver não existe e/ou não sobrevivemos. O meu entendimento desse termo que aprendi contigo – utopia ativa – é uma utopia com os pés no chão, uma utopia possível, uma utopia pela qual vamos atrás. Não tenham medo de sonhar e querer uma utopia ativa. Lutem por isso! Vivam no sentido de consegui-la!

Agrademos de coração a nossa querida e lutadora amiga Anne M Moor... encantado digo: muito obrigado! Por suas lições, palavras que fluem e ternamente vão nos levando para os horizontes da liberdade e da ternura, da paixão e do amor...  Como a vida é bela; como é bela nossa Anne , doce valentia e prudente ousadia... Sonhemos nosso devir Anne...


20 comentários:

Anne M. Moor disse...

Jorge querido!

Muito obrigada! E sim, eu amo a vida e o viver.

Na pergunta 5, onde vcs leem "Me comporto dentro dos parâmetros...", leiam "NÃO me comporto dentro dos parâmetros..." rsrsrsrs

grande beijo
Anne

Adilson - Rio de Janeiro - Brazil disse...

Querida Anne vc foi magestosa ...nas sua respostas ...tenho meus ouvidos abertos para as vozes das mulheres nesse mudo e foi muito bom te ouvir...sabe esse nossa chamada cultura exclui desde sempre as mulheres...Poderia eu responsabilizar as reflexoes parmenideas sobre o ser e o não ser?
Não sei. Mas o fato é que para os gregos eram as mulheres , crianças, estrangeiros e escravos ..não seres ... estranho ...mas foi assim que a cultura nos chega ...O que nasce disso é a ação mediada pela produção do permanente...ou seja a produção do mesmo , ignorando o outro , a alteridade ...
Muito lucido o seu ponto de vista ..parabens a vc e ao nosso querido Jorge ....por esse feliz encontro

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Anne, fiz sua correção; amplificadora do seu efervescente
existir... Uma entrevista ue nos fala nosso caro amigo Adilson abre ouvidos, uma escuta muitas vezes negado: a voz da mulher que é farol, é magia e paixão...
Abraços a você minha Anne; e nosso amigo do coração Adilson; Jorge

Anne M. Moor disse...

Obrigada Adilson!

É um assunto que pede uma taça de vinho na mão e horas pra papear sobre :-)

bjos
Anne

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

ADILSON E ANNE, NESTA MESA, EU SENTO, E ESCUTO E CONTO ALGUNS DELÍRIOS... MEUS. ABRAÇOS COM TERNURA, JORGE

Adilson - Rio de Janeiro - Brazil disse...

rss ..é e isso não é utopia neh mesmo ... quem sabe ... a gente nao se senta um dia .....para prosa e versos ...rs

Tânia Marques disse...

Parabéns Anne, parabéns Jorge. Brilhantes ideias. Beijos

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Tânia e Anne, os entres da poesia ficaram cheios de vida... Abraços. Jorge

Anne M. Moor disse...

Tânia
Obrigada!

bjos
Anne

Anônimo disse...

O Utopismo fantasioso...ah dr. Jorge como percebo o contrário!
Desculpe-me.

De

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

DENISE, EU VEJO A UTOPIA COMO FORÇA, VIDA, VIDA INSURGENTE E VIDA QUE SE REINVENTA PARA VOAR, SONHAR E AMAR... FANTASIA?... OU UMA OUTRA REALIDADE?... ESTA REALIDADE QUE A NOSSA QUERIDA AANE MOSTRA E A VIDA QUE PERSIGO, BUSCO, CAVO E DESBRAVO NOS HORIZONTES DO MEU DIA-A-DIA...
ABRAÇOS, jORGE

Luna Sanchez disse...

Eu já era fã da doçura e do talento da Anne e fiquei contente por poder conhecer sua postura em relação ao ensino : concordo com ela sobre a importância do exemplo e de viabilizar que o aluno, aprendendo de forma objetiva, desenvolva os próprios recursos.

Beijos aos dois.

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Luna, como é bom ver gente boa que partilha com os amigos a alegria de ver seus pensamentos. O mundo não há muito diálogo... Ela nos traz uma escola dialogal, de alegriae compaixão...
Abraços com carinho, Jorge

Anne M. Moor disse...

Obrigada Luna! Jorge e Adilson, ela seria outra a ocupar uma cadeira na mesa de boteco pra papear rsrsrsrsr

Beijos a todos
Anne

Anne M. Moor disse...

Jorge

Vai lá no meu blog que tem alguns recados pra ti :-)

beijos e mais uma vez obrigada.

bjos
Anne

Luna Sanchez disse...

Jorge, Anne

=D

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Anne, irei loguinho, Abraços com immenso carinho, Jorge

Adilson - Rio de Janeiro - Brazil disse...

Rss ... seja entao sempre bem vinda Luna ... abçs

Elaine disse...

amei seu blog....vou fazer algumas mençoes suas no meu...parabens pela sensibilidade com que o trata .....abraço

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Elaine, aa sua presença nos honra; fico, realmente, feliz, penso que a vida é caminhada e as trocas do caminho nos humaniza e liberta.
Abraços com carinho, Jorge