domingo, 30 de janeiro de 2011

DIÁRIO DE BORDO: EU OUVI O TOQUE DOS TAMBORES...

                                                         Jorge Bichuetti

Ontem, estive com os amigos na magia da noite e vi, na e com a pele, que se pode ser diferente...
Ativo, e não somente um lamento reativo.
Uma afirmação da vida, e não apenas um medo da morte...
O luar no céu e a roda girando com a efervescência das poesias que iam musicando: as histórias, as lembranças, as anétodas e uma e outra lágrima que na intensidade terna da dos carinhos multiplicados, caía...
Cada lágrima caída só chegava ao chão, depois de se descansar por alguns minutos num ombro oferecido, silenciosamente, no afago de um abraço...
Liberdade, liberdade: abre as asas sobre nós...
Amizade, amizade: já não suportamos este viver tão só...
Éramos poucos e uma multidão... Corpos alegres e um diálogo mudo o velho passarinheiro:
- "E aqueles que foram vistos dançando, foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música" Nietzsche
A lua não choramingou a minha saída, celebrou a alegria... Na volta, lhe contei tudo, mostrando-lhe a força e a magia do luar...
                                       ***
Egito. Quinto dia de protestos...Já se soma mais de 80 mortos...   Os feridos contabilizam mais de 2000.
O ditador Hosni Murabak, aliado aos militares, endurecem e usam abertamente armas letais.
Tudo teve início há duas semanas com a queda do ditador da Tunísia...
Os protestos e a luta popular se estende e já envolve a Argélia, a Tunísia, a Líbia, a Jordânia e o Iêmen...
É a luta pela liberdade e pelo direito de autodeterminação dos povos.
A repressão sangrenta só revela a natureza do regime ditatorial.
Se Deus tivesse assento nos organismos internacionais, já teria se pronunciado:
- Cuidado, cuidado... Por muito menos caiu e virou pó Sodoma e Gomorra...                                                 
Ou ainda, inspirado, em Inácio Ferreira, um valente escritor uberabense, já falecido:
- Pau neles, meu Pai, porque eles sabem muito bem o que fazem...
                                          ***
Séria e audaciosa, Dilma Roussef compara as vítimas das ditaduras latinoamericanas às vítimas do holocausto... E encontro , na próxima semana, com as Mães da Praça de Maio, que representam a luta pelos direitos humanos e pela vida e pela justa punição aos responsáveis pelo terror que lhes roubara, de seus braços, seus amados filhos...
                                           ***
Atenção, Brasil: nesta semana, volta ao congresso nacional o debate sobre a criminalização da homofobia, a legislação do aborto e união civil entre pessoas do mesmo sexo...
O voto é nosso... Nós os elegemos...
Pressionemo-los, então, para que a vida e a liberdade não sejam aviltadas pelos que ortogamos o papel de ser a nossa voz...
Direitos Humanos é vida e liberdade, justiça e inclusão social...
Lutemos... Grite e clame... Sua voz pode fazer a diferença...
                                         ***
Amigos, seis anos depois do cruel assassinato da Irmã  missionária Dorothy Stang, seu projeto de sustentabilidade e apoio as florestas na Amazónia, via agricultura familiar, está sendo sepultado...
não permitamos que seu martírio tenha sido em vão...
                                         ***
Lilian Ruggia implora á presidenta Dilma que lhe ajude: seu irmão é um desaparecido político, morto pela ditadura militar brasileira...
É, ele, Henrique Ernesto Ruggia, morto aos 18 anos, numa emboscada na Foz do Iguaçu...
Juntos com ele, morreram Onofre Pinto, José Lavecchia e Vítor Carlos Ramos...
E quantos mais...
O adiamento da aprovação da Comissão da Verdade é um ato de cumplicidade com um Brasil cruel e assassino que não o queremos mais...
                                       ***
Vamos seguindo... Nem sempre cantando....
...  Não queremos perder o direito de sonhar.
O dia seguirá... O sol partirá e uma nova noite de luar virá ,e olhando no fundo dos meus olhos inquietos, a mesma Lua, dos meus encantos e a companheira fiel dos meus sonhos mais ousados, irá me perguntar:
- De novo, você partirá?
Não parto... Reparto, partilho... e a levo comigo com sua magia, para que quando os destinos perturbarem meu sossego, posso eu numa roda de amigos, ouvir uma viola resistente, negando as normoses num velho canto de esperança e rebeldia:
- " Não me venha falar da malícia de toda mulher,
cada um sabe a dor e a delícia 
de ser o que é...
Não me olhe como se a polícia
andasse atrás de mim...
Cale a boca
e não cale na boca
notícias ruins..."


2 comentários:

Samara disse...

Querido Jorgito,
Também eu ouvi o toque dos tambores, e o doce som da flauta do amor, tocada por fadas e anjos... Foi um encontro mágico. Aos amigos que lá estiveram, todo o meu carinho. Estou agradecida ainda pelo encontro de sexta... Com os seus olhos e sua ternura, pude enxergar com a clareza necessária, o caminho a ser trilhado. Nos vemos no sábado, na Plenária para a reorganização da Universidade Popular e, principalmente, para a alegria do reencontro com os amigos.
Com amor, samara.

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Samara, nossa amizade é festa... Não uma festa comum: é a ternura florescendo e o céu se estrelando, tendo por chão e altura os laços ternos e meigos da vida que nasce nova da soma dos nossos corações, corações de vida e luta, de alegria e amizade... Corações onde uma flor canta e um sabiá saltita, querendo nos avisar que Deus festa na mesa onde semeamos a fé nas sementes da poesia.
Abraços , Jorge