sábado, 29 de janeiro de 2011

POESIA; ANJOS DA RUA

                O VELHO
                    Jorge Bichuetti

Co'u'a garrafa de cachaça,
o velho se consumia,
mergulhado na desgraça
das dores de nostalgia.

A rua era a  liturgia
da alma que não descansa,
que de si mesma fugia
 nu'a árida errante andança.

Aposentado de guerra,
sem lar, pátria ou família,
era a dor que não se encerra...

Alucinava, noite e dia
solvendo o fel-da-terra,
na guerra que longe ia...

               MARIA DAS FLORES
                            Jorge Bichuetti

Era na noite a festa
dos loucos e vagabundos,
mas, no amor, era honesta,
era a flor dos nauseabundos

jardins da dura  miséria...
Era a Maria das Flores,
u'a mulher de reza séria,
se muitas fossem as dores...

Atire a primeira pedra,
aquele que nunca amou
no fogo que o cio medra...

Assim, pensava o Senhor,
homem santo de beleza,
sem malícia ou pudor...

                       UM ANJO MENINO
                                 Jorge Bichuetti

- Ladrãozinho, ladrãozinho,
gritava o policial...
Tudo isto por um pãozinho,
e a fome roncando: miau...

                       O POBRE E O SAMARITANO
                                     Jorge Bichuetti

Bêbado, caído no chão,
chorava o pobre infeliz,
tão tristonho
via passando os homens
de um bem
que não o acolhia...
Fiel na fé, o ébrio
de sonhos angelicais,
esperou...
E ali, morreu,
todos passaram,
o samaritano não passou.

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