sábado, 30 de abril de 2011

A RELVA QUE MEDRA ENTRE AS PEDRAS DO CAMINHO...

                                          Jorge Bichuetti

Vivemos submissos à lógica de funcionamento do mundo como ele se encontra, mundo de narcisismo, identidades rígidas e imóveis, poder opresso, tirânico e onipotente, relações simbióticas de fusão e completariedade, mundo de vida repetitiva e normativa... E vivemos alienados do que pode a vida...
O modelo de poder centro-dominante é por nós reproduzido nas relações com o outro e nas nossas relações internas... Mundo de cópias, unicidade e totalizações.
Um mundo de assujeitamento e de exclusão.
Neste contexto, é que nos parece provocante a ideia de rizoma expressa  por Parnet, poeticamente, quando diz a Deleuze: "você nunca quis ser uma árvore, sempre foi a relva que medra entre as pedras do caminho."
A multiplicidade não é vidas acopladas na média, é o meio, mas o meio não é a aritmética entre a soma e divisão do começo e do fim, da somatório dos membros, é um lugar da transversalidade, lugar de velocidade, de emergência de platôs... Ali, mora o coração puilsante do novo.
Somos multiplicidades, redes de singularidades... que não exploramos por estarmos todos subsumidos pelo mundo de mercado e subjetividade normativa.
Somos rizomas e não funcionamos explorando o que pode um rizoma...
Rizoma, fluxos subterrâneos, linhas de fuga: devires. Redes que se dão na potência do novo, da atualização das virtualidades, eus não nascidos que se vêem paridos na alegria dos bons encontros, no entre, na multiplicidade que rompe o normativo e se consuma diversidade e diferença.
Como funciona uma rede viva e transversal?
Vivenciando a vida de produções criativas que se maquina por conexões e heterogeinidade; multiplicidades; rupturas a-significantes e cartografia e decalcomania.
Complexo? não muito singelo: o fim do monocromático e do binário como modo de funcionamento da produção de relações, vínculos, e subjetividades...
Conectar-se: é estar com, sem submissão ou fusão; e sem a busca da totalização via complentariedade; conexões entre singularidades e por isso heterogeneidade. Geralmente, fugimos da diversidade; do que diferente e criamos contatos com iguais e rodopiamos na paralisia de mantermos seguros na mesmice. Conexões heterogéneas nos propiciam a emergência de nossas possibilidades de vida suprimida na molaridade do nosso ego de identidade e imobilidade.
Rizoma - multiplicidade singulares num movimento de conexões heterogêneas...
Funcionamento fertilizante do novo que nasce de rupturas a-significantes, rupturas que não pensadas a priori, não são dadas antes...
Redes são cartografias rizomáticas... Conexões de vida pulsante e fervescente que explora, dá consistência e vitaliza linhas de fuga, linhas da vida que foge, escapa, se contrói à revelia dos normativos registros e controles que dizem o que cabe e o que não cabe no mundo, reproduzindo a continuidade, a imobilidade e perenização do status quo.
Decalcomania: bricolagem, agenciamentos, contágios não-reprodutivos, conjunções de vida abertas e lisas para o movimento do novo.
O que pode um rizoma? Pode viver e intensificar a vida, atualizando desejos e sonhos e nos potencialazando para existir, medrando entre as pedras do caminho.
Há uma pedra no meio do caminho...
O funcionamento da normalidade medíocre e de identidade recua, assusta-se e se frustra, adoece...
O rizoma, não, medra, verdeja... supera inventado e reinvento-se... agenciando a aurora, o novo, o porvir...

6 comentários:

Tânia Marques disse...

No sonho, nossa utopia guerreira. Temos que intensificar a vida e resistirmos. Somente a nossa resistência poderá ficar de exemplo para as gerações futuras. Jorge, ontem mandei um e-mail pra vc. Você o leu? Beijos

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Tânia, caminhamos com nossos sonhos. O email que chegou é sobre córpos sem órgãos, e eu lerei a noite , depois, da aula: hoje estou dando aulas no curso de especialização.
Ontem e hoje, estou com noot, que para mim, é um monstrinho, me embaralho nas teclas.
Abraços com carinho, Jorge

Anne M. Moor disse...

Jorge, que texto significante!

"Funcionamento fertilizante do novo que nasce de rupturas a-significantes, rupturas que não pensadas a priori, não são dadas antes..."

As rupturas inesperadas. Essas são as que mais nos levam em caminhos resignificantes.

beijos
Anne

Tânia Marques disse...

Querido, mandei um específico para o congresso Esquizoanálise. Beijos

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Anne, quanta vida nasce do teu olhar; dizia, hoje, refletindo uma pergunta de um aluno: quem espelha meu devir? lebrei-me de ti, da tua poesia e do viver, intenso e leve, verdadeiro e amigo.Abreaços com carinho, Jorge

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Tânia, vou ver onde anda, pois não chegou; tem acontecido isso, tentarei achar, mas se tiver me puder mandar novamente, maria. No mes passado soube via Madres que não chegou emailse que os que enviei não foram. Tentarei ver o que acontecendo como bicho máquina.
Abraços com carinho, jorge