quarta-feira, 28 de março de 2012

SERTÃO E LUAR

Se a lua clareia meus passos, voo...
e na imensidão miro as flores, nelas
te encontro: Lua no chão, meu eterno amor...


                     jorge Bichuetti


Pescarei... sonhos;
depois, os plantarei
entre flores no seio 
do teu coração...


                           jorge Bichuetti


DIÁRIO DE BORDO: MINHA VIDA DE ANDARILHO

                                    Jorge Bichuetti

Tudo está demasiado quieto... Minhas malas fechadas... meu cassaco... penso que sabem que irei partir... Tento abraçar, mas Luinha foge... Não gosta de adeuses... Explico-lhe que Aracaju é perto... perto do mar, das águas morenas... Ensimesmada, noto-lhe o ciúme no olhar...
Os passarinhos cantam... Eles são andarilhos, e errantes conhecem o céu que tudo une numa mesma imensidão...
O amor é a ternura que desconhece a distância; é elo que ata vidas... o amor é u'a ponte entre almas; u'a fonte de vida que multiplica nascentes para ser também um barco que ternamente é cais e oceano...
Navegar é preciso...
Aprendi amar Aracaju... Só não sei ficar longe dos olhinhos miúdos da minha Luinha que me tem sido o carinho diário e companhia permanente de todas aventuras...
Lá, sentirei a alegria nordestina: o devir guerreiro de um povo Lampião que semeia vida musicada pela ousadia de Maria Bonita...
Aprenderei a dançar forró?... Não sei...
Viverei... Viverei...
Viajar é desenraizar nosso ego e aventurar-se na experimentação da vida florida noutros campos, noutras travessuras, noutro modo de ver, sentir e versar o luar...
Um voo no outro... Depois, a volta... o reencontro, a certeza de que a vida não se perdeu nos descaminhos do destino, amplificou-se... acercou-se das ondas que mareiam o devir humanidade...
De lá, escreverei... Mas, não ensinei a comunicação pelos rabiscos das letras a minha pequena Luinha...
Assim, voo, vou... acreditando que com ela mora no seu coração de anjo a certeza: a incondicionalidade do meu amor...
Tudo passa - entre partidas e chegadas - mas o amor permanece nas floradas da ternura que é o orvalho de suavidade do próprio infinito...

POESIA: VIAGEM...

                VIAGEM
                        Jorge Bichuetti

Estamos sempre
partindo e chegando
num giro sobre o tempo,
como se fóssemos no vento
a folha perdida do caule,
o cisco no cipoal das ilusões,
o sonho... o sonho... um sonho...


Partindo, deixo lascas de vida
nos olhinhos miúdos da saudade; 
chegando encontro nova vida
nas asas que voam no luar entre
paixões aladas e o húmus de algum porvir...


Viajar é salpicar a vida
com a poeira cósmica que mora
no coração da estrada...
É mergulhar nas nuvens, devir...
entre o mar e o cais, um voo
na infinitude da flor 
que ainda nem mesmo desabrochou...


LUA
Jorge Bichuetti

Se vou, levo
o luar e a seresta;
assim, partindo fico
na suave dor da saudade...


BONS ENCONTROS: CECÍLIA MEIRELES; VIDA E OBRA... UM POEMA NA VOZ DE PAULO AUTRAN...

CECÍLIA MEIRELES, A BORBOLETA AZUL DA POESIA BRASILEIRA - VIDA E OBRA...


RETRATO DE CECÍLIA MEIRELES POR PAULO AUTRAN


MESTRES DO CAMINHO: MIA COUTO E A POTÊNCIA DOS SONHOS

                                 REFLEXÕES:


- " O que faz andar a estrada? É o sonho. Enquanto a gente sonhar a estrada permanecerá viva. É para isso que servem os caminhos, para nos fazerem parentes do futuro. " 
                 ( Fala de Tuanhir, personagem do livro Terra Subterrânea)


                             MIA COUTO

SOCIEDADE DE AMIGOS: A POESIA ESTELAR DE CÉLIA REGINA DE OLIVEIRA; A POETISA DE ASSIS...

                    A JANELA
                       ( Felina )


Através da janela
aprecio o dia chegar
Através da janela
assisto o momento mágico
do nascer do sol
Através  da janela
aprecio a noite chegar
Através da janela
vejo como é lindo o luar
Através da janela
também vejo as estrelas cadentes;
mudando ssempre de lugar
E assim, através da janela
fico horas e horas imaginando
onde estaria seu olhar?


DO LIVRO: Pequenas histórias, grandes  emoções / Célia Regina de Oliveira




terça-feira, 27 de março de 2012

A FORÇA DO CANTO... NA REBELDIA CIVIL... NEGRITUDE TUPINIQUIN...

Força negra
     quilombola
rosas e ervas, o mar
     estrelas e trincheiras
na poesia a liberdade entre raios
     cachoeiras e conchas
um povo sonha e caminha, na coragem
     de fazer das senzalas, ninhos
     de deuses e meninos
     nas floradas da compaixão
     rebeldia civil na sacralidade do amor, vida nova... u'a flor...

                             jorge Bichuetti




ENTRE PEDRAS, FLORES...

DIÁRIO DE BORDO: ENTRE A LÁGRIMA DE SAUDADE E O RISO DAS FLORES...

                                    Jorge Bichuetti

A aurora se foi... Não a vi. Acordei tarde. Corpo febril, dores nas conexões articulares, onde moram a magia do nosso próprio caminhar... É só um resfriado - me avisa a consciência lógica e matemática. Porém, acordei longe dos meus passarinhos... a ausência da alvorada passarinheira me deixou cheio de saudades... Saudades de amores e paisagens... Saudades...
Do meu lado, Luinha com mimos e carinhos, me acolhe... Tenta lamber a lágrima que cai...
Viver é caminhar... Seguir... Embora, carreguemos ao longo da estrada o peso das perdas...
Não suportando a angústia, escuto canções; como se pudesse magicamente preencher os vazios com notas musicais...
Numa magia que sei explicar, as canções presentificam o vivido, o passado... como se me roubassem do hoje e me levassem para um tempo onde o amor se realiza num eterno agora...
A lembrança do vivido e do passado não me encolhe, não me corrói... Me renova, me remoça: sinto com maior sensibilidade as vozes silenciosas da roseira florida...
Assim, me percebo no entre... nas vizinhanças do porvir...
Tudo que vivemos, permanece com altivez e vitalidade, se conseguimos olhar o passado com um amor intenso, porém, com um amor liberto do apego... um amor etéreo que não perde, pois carrego nos poros da nossa pele os nossos amores que partiram, ficando...
O sol alto... próximo do meio-dia me seduz...
Ele transforma o lembrado em inspiração para a construção de novos caminhos e novos passos na sedução mítica do horizonte azul...
Aprendo, então, que só perdemos o amor não-vivido no medo e na covardia... Só perdemos a ousadia não-sonhada...
Ah! me parece que a leveza do vento chegou... e que já posso voar... para além do espaço e do tempo... na poética do amor que institui na vida e no mundo um eterno presente...

POESIA: ENTRELINHAS DO CAMINHO...

                            MEU CORAÇÃO
                                   Jorge Bichuetti

Filho de pescador e mãe rezadeira, nasci, assim,
um menino nas águas do rio... vela acesa, canto,
um voo no céu azul, inundando de chuva e estrelas,
cada lágrima vertida... cada sonho tecido... cada minuto vivido...

Não sei se sou... o certo na curva do rio se perdendo à deriva;
ou se sou o erro redimido na flor que nasce vermelha na magia
das palavras que minha pele desenha como se a vida fose tão-só
os versos enluarados de uma singela e rude poesia... assim, eu

caminho... nunca sabendo se sou filho ou pai da Lua que inceideia
meus desejos de ir errante numa frenêtica sede de na aurora amar... 


           ENTRELINHAS DO ACASO
                                                 Jorge Bichuetti

Vivo nas entrelinhas do acaso...
Sonho as entrelinhas da vida...
Assim, nunca perco a magia
de das lágrimas caídas tecer
um novo caminho na mística
da minha profana e louca mania
de ver no tudo e no nada, versos
com que me refaço, parindo-me numa poesia...

JORGE AMADO, VIDA E OBRA... O CANTO PROSEADO NO AMOR LIBERTÁRIO DA MÃE ÁFRICA

JORGE AMADO, VIDA E OBRA... A ÁFRICA COMO CASA DE SONHOS...



CAETANO VELOSO CANTA HOMENAGEANDO JORGE AMADO!!!


MESTRES DO CAMINHO: A ÁFRICA NA SABEDORIA DA TERRA VISCERAL DO SEU POVO....

                              REFLEXÕES: 


- " Se dizia daquela terra que era sonâmbula. Porque enquanto os homens dormiam; a terra se movia espaços e tempos afora. Quando despertavam os habitantes olhavam o novo rosto da paisagem e sabiam, que, naquela noite, eles tinham sido visitados pela fantasia do sonho."


    ( Crença dos habitantes de Matimati)

SOCIEDADE DE AMIGOS: A POESIA NA PELE ESTRELADA DE CÉLIA REGINA DE OLIVEIRA ( 1 )

                        A NOITE
                              Felina


Noite e noite
Chega sempre de mansinho
E parece uma eternidade
Para partir
Respiro fundo!!!
E fico a meditar
Noite
Por que você insiste em me magoar???
O silêncio parace perpetuar
Longe escuto uma canção de ninar
Mas nesse estranho momento
Minha mente volta a falar
Noite, noite
Você precisa acordar
E assim deixo de sonhar.


Do livro: Pequenas histórias, grandes emoções / Célia Regina de Oliveira

segunda-feira, 26 de março de 2012

COMO SER FELIZ ENTRE LÁGRIMAS?...

                          Jorge Bichuetti

A lágrima só corrói e aniquila, se cai solitária sem a ternura-cúmplice de alguém que recolha no silêncio do cuidado...
O desespero nasce, não da lágrima que é, na vida e na morte, uma autêntica expressão humana; a lágrima enlouquece quando o mundo a nega, coisifica-a e a torna invisível... tornando lágrima oculta na escuridão das masmorras onde é suprimida com as chibatas da negação...
A vida é riso e lágrima... Voo e queda... experimentação... é florada primaveril, tanto quando é a vida, não vista, porém, presente no encanto das folhas secas que bailam e rodopiam no movimento do vento.
Ninguém é... somos metamorfoseantes... Assim, o corpo caído se sustentado no carinho, será amanhã mão ativa no erguimento dos voos necessários ao trabalho de superação dos abismos...
Nem a lágrima nem riso consegue , por si mesmo, criar no corpo da vida a magia da felicidade... que na verdade é nascente no solo da compreensão que humaniza a vida, libertando asas ocultas que esperam a oportunidade de emergirem no tempo... como voo da liberdade...
Cuidar é amar; semear felicidade... nos pântanos onde um lírio clama e canta poético, desnudando a realidade de que para a vida ali há potência e fertilidade...
A felicidade pede ombro, mãos dadas... companheirismo, amizade...
A felicidade é a alegria que se instaura na gente quando desrobotizado nos vemos e vemos os outros na ternura insurgente de um devir humanidade...

POESIA: ESTRELAS NO CHÃO... NOSSOS MENINOS NA CRACOLÂNDIA...

                         ENTRE ESTRELAS
                                    Jorge Bichuetti

Não havia percebido;
sabia, sim, do luar e das flores...
Porém, não notara meus pés
numa nuvem... no azul... entre estrelas...

Agora, sei vivo aqui e acolá...
No chão, minhas lágrimas e mundo
com suas mazelas e feridas, pústulas da insensatez...
No céu, meus sonhos... ciranda de deuses e meninos,
um caminho de alegria, onde a vida semeia um novo chão
florido na ternura e na amizade... na vida de compaixão...


                          MEU CREDO INDIGNADO
                                           Jorge Bichuetti

Eu creio... nos meninos-passarinhos
que não tendo teto e carinho, encontram
na Cracolândia... u'a singela manjedoura,
entre Marias e Josés... na solidão do deserto,
que insurgente pulsa no coração da cidade...

Eu... não creio nos fuzis de Herodes...
Não, eu não creio na força bruta, torpeza rude,
que aniquilam os sonhos dos pequenos Cristinhos,
sonhadores, andarilhos... que buscam a Estrela D'alva
entre o lixo da metrópole e as ilusões das flores murchas...


O AMOR - ZIZI POSSI E ANA CAROLINA: CANÇÕES E POESIAS...

folhas secas
          no chão
               no vento
          no caminho;
onde o húmus dado
alados farão nossos corações...


e, assim, já haverá distâncias...
adeuses... nem o silêncio agônico da espera...
          as folhas bailarão
          no convulsão no êxtase
                 no vida
            broto renascido
na selva verdejante dos nossos corações...

                        jorge bichuetti


Longe de ti,  nada
é... tudo é rabisco:
o sol não clareia meu olhar,
a lua não incendeia a  mi'a pele,
a vida não caminha...   vegeta  e
na lágrima expressa o corpo no
ocaso da paixão... flor despetalada
                              um fim
                      na cegueira -surda
                              da vida
                          longe do amor...


                                              jorge bichuetti




ENTRE PEDRAS, FLORES...

DIÁRIO DE BORDO: CAMINHOS DA VIDA: DA COVARDIA À DIGNIDADE DO COMPROMISSO SOCIAL

                          Jorge Bichuetti

Os álamos bailam na suavidade do vento... As rosas, com cachos que cobrem o canto do quintal, impregnam de perfume a manhã... Com cuidado, ando, observando o sonho tranquilo dos meus nômades passarinhos... Respiro o ar refrescante da manhã e já senti o frio matinal do outono... Cheiro de mato... Orvalho e céu com suas últimas estrelas... Quanta paz!...
Luinha, minha pequena, permanece com seu encargo de guardiã: cuida de mim...
Entre a visão das estrelas e a espera do sol, me pergunto:
Por que num mundo tão belo, vê tantas mazelas? Imagino a dor dos que desagasalhados suportam o frio e a solidão... Penso nos que estimagtizados sentem sempre na desvalia, com seus corpos mortificados pela marginalização...Recordo-me das tribos indígenas e dos quilombolas... Da noite sob o medo da violência de prostitutas e travestis...Quando miséria existencial!...
A dor na violência da exclusão; a dor no silêncio cúmplice dos que não se indignam diante das injustiças..
Aposentamos nossas armas; nublamos nossos sonhos... juntos naturalizamos nossa omissão, mergulhando nossas consciências nos pântanos da indignidade...
Muitos buscam, na poesia e na espiritualidade, na meditação e nos treinos de auto-controle da respiração, um pouco de serenidade...
Não desejo uma serenidade que seja silêncio e apatia... submissão e cumplicidade...
Quero uma serenidade que se dê no caminhos da luta... uma esperança ativa, indignada e rebelde que ouse sonhar e lutar...
O individualismo, que nega a lágrima alheia, é tão-só um narcisismo adornado...
Viver é mover-se pela vida... Viver é a imersão da nossa vida no oceano de lutas e sonhos da compaixão e da solidariedade...
Não escutam a ternura da aurora os que não sonham e lutam, rebelados pelas feridas que marcam com as chibatas da injustiça o coração da vida...
É mais fácil... fatalisticamente, dizer: eu nada posso fazer... Eis uma redoma dourada para a vida anulada nas teias da covardia...
Outros pensam, são tantos os problemas do mundo que me asfixiam como se sobre mim pesasse um monturo fétido e pustulento: triste sina, a vida encerrado no orgulho e paralisada na supervalorização da própria impotência...
Os passarinhos já cantam... Longe, cães ladram... A vida amanheceu...
E aqui nós...
Inicia-se um novo dia....
Nele, a vida novamente nos colocando numa encruzilhada...Diante da dor da opressão e das cicatrizes da exclusão, só podemos seguir por dois caminhos: um, o caminho submisso e passivo da covardia que racionaliza e nada faz... ou dois, o caminho da dignidade ativa que se sensibiliza com a dor, engaja e luta... tecendo na compaixão e na solidariedade... o novo mundo de ternura e paz..


POESIA: NAS ASAS DO LUAR... FOGO E CENTELHAS...

                          NAS ASAS DO LUAR
                                      Jorge Bichuetti

Nas asas do luar, voei...
Fui a loucura da paixão,
a voracidade antropofágica
e o sonho de um menino
que, na noite escura, media
seu medo nas miragens do nevoeiro
onde nasciam deuses e pagãos;
como se a vida fosse a magia
que domestica os monstros
e transforma a roda dos deuses
numa alegre ciranda
na ternura cósmica do útero,
do azul, do aconchego da imensidão...

Nas asas do luar, me vi trapezista
anihado na maciez etérea deu'a nuvem,
um corpo menino entre outros meninos,
todos na poesia estelar da vida que é bela
nos acordes enamoradas das cantigas de ninar,
nos suspiros trôpegos dos amores musicais...

A vida só triste no abismo peçonheto
das ruminações ejaculatórias da solidão...

O luar é  caminho e  rosário
dos que brincam de viver, tecendo,
no caminho, as luzes do alvorecer...

MESTRES DO CAMINHO: SOBRE A SOLIDÃO; O CAMINHO DOS ENCONTROS...

                           REFLEXÕES:

- "Quem não souber povoar a sua solidão, também não conseguirá isolar-se entre a gente." Charles Baudelaire

- "Quem ouve música, sente a sua solidão / de repente povoada." Robert Browning

- "A consciência é uma pequena lanterna que a solidão acende à noite." Madame de Stael

- "Uma única coisa é necessária: a solidão. A grande solidão interior. Ir dentro de si e não encontrar ninguém durante horas, é a isso que é preciso chegar. Estar só, como a criança está só." Rainer Rilke

- "Minha solidão não tem nada a ver com a presença ou ausência de pessoas… Detesto quem me rouba a solidão, sem em troca me oferecer verdadeiramente companhia….” Friedrich Nietzsche








SOCIEDADE DE AMIGOS: UMA LOUCURA ESTELAR NA POESIA DE PAULO CECÍLIO...

    ENSAIOS SOBRE A LOUCURA/ PARTE 1
                                           Paulo Cecílio
 
palavras,
palavras são tijolos :
no inicio era apenas o verbo. 

ah! se nesta hora estou!

diria: nenhum bebê sera condenado!

e espalharia brilhos e luzes tao explosivas
que mesmo quando a lingua dos homens
criasse a palavra escuridao, ela nada significaria...

metralhadoras sao palavras

que pousam pranchetas de generais
e irrompem de tinta sangue e chumbo
os passos de receptores virtuais distraídos

muito me angustia entrar em estado de escrita:

fico sem folego

minhas energias se dissipam
so de ver a sopa original o mar de palavras
que levitam rindo dos meus poucos dedos

sei que não posso dize-las todas
e engulo minha angustia,
como fazem os mortos.

o segredo é este:

mortos não existem porque desabitaram
o oceano das letras e se calaram talvez indignados

ou apenas cansados de tanta crueza

ou existem,

mas no mundo que está antes do verbo
e parece ser isto que nos fascina e assusta:
porque somos de lá. estivemos sempre lá. sabemos como é...

aquilo sim é eternidade : um lugar de palavra nenhuma
que faz gautama ficar sentado com seus dedos fechados
mandando tomar todos no cu até que alguem me esqueça

estou sorrindo agora sob a força das palavras
que brincam na meditação do mestre fazendo sons quaisquer

as palavras fazem o que querem:

dai que os mortos despacharam as palavras. ponto
 

BONS ENCONTROS: A QUESTÃO DA TERRA... UM TEXTO DE FREI BETTO



                             por Frei Betto
Caiu mais um ministro, o do Desenvolvimento Agrário. Nomeado o novo: Pepe Vargas (PT-RS), que foi prefeito de Caxias do Sul por dois mandatos e mantém boas relações com o MST.
A esperança é que a presidente Dilma Rousseff tenha dado o primeiro de três passos urgentes para o Brasil não ficar mal na foto do “concerto das nações”, como diria o Conselheiro Acácio. Os outros dois são o veto ao Código Florestal proposto pelo Senado e uma nova política ambiental e fundiária que prepare bem o país para acolher, em junho, a Rio+20.
A questão fundiária no Brasil é a nódoa maior da nação. Nunca tivemos reforma agrária. Ou melhor, uma única, cujo modelo o latifúndio insiste em preservar: quando a Coroa portuguesa dividiu nossas terras em capitanias hereditárias.
Desde 2008, o Brasil ultrapassou os EUA ao se tornar o campeão mundial de consumo de agrotóxicos. E, segundo a ONU, vem para o Brasil a maioria dos agrotóxicos proibidos em outros países. Aqui são utilizados para incrementar a produção de commodities.
Basta dizer que 50% desses “defensivos agrícolas” são aplicados na lavoura de soja, cuja produção é exportada como ração animal. E o mais grave: desde 1997 o governo concede desconto de 60% no ICMS dos agrotóxicos. E o SUS que aguente os efeitos... nos trabalhadores do campo e em todos nós que consumimos produtos envenenados.
Os agrotóxicos não apenas contaminam os alimentos. Também degradam o solo e prejudicam a biodiversidade. Afetam a qualidade do ar, da água e da terra. E tudo isso graças ao sinal verde dado por três ministérios, nos quais são analisados antes de chegarem ao mercado: Saúde, Meio Ambiente e Agricultura.
É uma falácia afirmar que os agrotóxicos contribuem para a segurança alimentar. O aumento do uso deles em nada fez decrescer a fome no mundo, como indicam as estatísticas.
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) tenta manter o controle sobre a qualidade dos agrotóxicos e seus efeitos. Mas, quando são vetados, nem sempre consegue vencer as pressões da bancada ruralista sobre outros órgãos do governo e, especialmente, sobre o Judiciário.
A Cúpula Mundial do Meio Ambiente na África do Sul, em 2002, emitiu um documento em que afirma que a produção mundial de alimentos aumentou em volume e preço (devido ao uso de agrotóxicos e sementes transgênicas). À custa de devastação dos solos, contaminação e desperdício da água, destruição da biodiversidade, invasão de áreas ocupadas por comunidades tradicionais (indígenas, clãs, pequenos agricultores etc.). Fica patente, pois, que a chamada “revolução verde” fracassou.
Hoje, somos 7 bilhões de bocas no planeta. Em 2050, seremos 9 bilhões. Se medidas urgentes não forem tomadas, há de se agravar a sustentabilidade da produção agrícola.
Diante desse sinal amarelo, o documento recomenda: reduzir a degradação da terra; melhorar a conservação, alocação e manejo da água; proteger a biodiversidade; promover o uso sustentável das florestas; e ampliar as informações sobre os impactos das mudanças climáticas.
Quanto aos primeiro e terceiro itens, sobretudo, o Brasil marcha na contramão: cada vez mais se ampliam as áreas de produção extensiva para monocultivo, destruindo a biodiversidade, o que favorece a multiplicação de pragas. Como as pragas não encontram predadores naturais, o recurso é envenenar o solo e a água com agrotóxicos. E com frequência isso não dá resultado. No Ceará, uma grande plantação de abacaxi fracassou, malgrado o uso de 18 diferentes “defensivos agrícolas”.
Tomara que o ministro Pepe Vargas consiga estabelecer uma articulação interministerial para livrar o Brasil da condição de “casa da mãe Joana” das multinacionais da insustentabilidade e da degradação do nosso patrimônio ambiental. E acelere o assentamento das famílias sem-terra acampadas à beira de rodovias, bem como a expropriação, para efeito social, de terras ociosas e também daquelas que utilizam mão de obra escrava.
Governo é, por natureza, expressão da vontade popular. E a ela deve servir. O que significa manter interlocução permanente com os movimentos sociais interessados nas questões ambiental e fundiária, irmãs siamesas que não podem ser jamais separadas.
                                          "Somente após a última árvore ser cortada.

Somente após o último rio ser envenenado.
Somente após o último peixe ser pescado.
Somente então, o homem descobrirá que dinheiro não pode ser comido"!!!
( Provérbio Indígena)

sexta-feira, 23 de março de 2012

RAUL SEIXAS - UMA METAMORFOSE TRNS-SIDERAL

No sertão, vi o trem
chegando entre partidas 
       asas penas
           vida
     encruzilhada
um amor enluarado
     no poente
da vida...


                         jorge Bichuetti


ELE no  meu eu
que se dilui num
     Nós...


ELE na curva
do rio,  ânsia
   do mar...


ELE no luar
da   paixão,
    o cio...


ELE no silêncio
cantoria estelar
    no oco
onde nascem as sementes
as flores... o vento... o fogo
     germinação sideral...


                         jorge Bichuetti




minha normalidade
é a valsa dos deuses
que andarilhos enlouquecem
na beleza do delírio onde o céu
nasce no meio das pedrinhas miúdas que tecem o chão...


                                   jorge Bichuetti



ENTRE PEDRAS, FLORES...

POESIA: ENTRE AMORES... O LUAR...

                         ENTRE AMORES
                                  Jorge Bichuetti

Nunca encontrei uma explicação,
nunca vi lógica ou simetria, o amor
sempre aconteceu nas entrelinhas
dos olhares, na magia do luar,
no êxtase da vida numa explosão de carinho...


O amor é a alquimia da vida que germina e tece
floradas de ternura no entre fértil dos bons encontros...


O amor é a loucura... santificado pelos fluxos estelares
que semeiam no chão o infinito estrelado da imensidão...


                     CORPO ENLUARADO
                                Jorge Bichuetti


Um corpo pode... brilhar
                                tecer
                                  amar
                                     conhecer
                                       inventar e inventar-se
alegrar e se alegrar...
                              um corpo pode enluarar-se
de paixão, êxtase, poesia, vida encantada, um
devir-se deuse e meninos na ciranda terna da
das flores e borboletas que assinam nas escrituas do tempo
a beleza e o esplendor das insurgentes primaveras...

BONS ENCONTROS: UMA ENTREVISTA INÉDITA COM FREUD...

UMA ENTREVISTA COM FREUD...

SOCIEDADE DE AMIGOS: A POESIA DE PAULO CECÍLIO - NO DESABROCHAR DA ROSA, A INSURGENTE HUMANIDADE...

     A ROSA E O MINOTAURO
                                    Paulo Cecílio

por um dia pousei uma rosa azul 
e meu bicho tremeu:

olhando-me nos olhos afastou-se de mim
e deixou-me apenas humano por um momento
pousado naquele caule ao vento

e esqueci que sou maldito

detiveram-se os ponteiros do relógios
tudo que havia era aquele perfume eterno

percebi que chegava a noite
apenas porque me saciei do teu orvalho.

pensam-me triste:

mas como, se rocei uma deusa
no aconchego do teu colo em flor?

quando voltou o lume vermelho
nos olhos do minotauro a me buscar,
não me importei:
havia silencio em minh'alma.

e calariam os malditos do mundo,
se por um segundo roubassem o mel da rosa que roubei...