sexta-feira, 11 de março de 2011

FAMÍLIA: O INSTITUÍDO E O INSTITUINTE NUM RE-CANTO DO AMOR...

                                                        Jorge Bichuetti

Gandhi afirmava que sempre vivemos nossas crises voltando para casa...
Não é incomum notar que a maioria das pessoas mantém uma relação de ambiguidade com sua família, amor e ódio, aproximação e distanciamento, pertença e estranhamento...
Acredito que isso se passe pelo predominância da instituição família como um reprodutor da sociedade, e um lugar de manutenção ordenada do status quo.
De fato, a família é um instituído: poder patriarcal falocêntrico, submissão e obediência da mulher e dos filhos em relação aos pais; e, sobretudo, um meio de perpetuação da propriedade privada via herança.
as família num funcionamento normativo funcionam disciplinando e se definindo em oposição/negação as outras famílias.
Assim, polariza seus membros no individualismo e os exclui de um processo de coletivização sem fronteiras.
Todavia, a família não é só isso... Nem mesmo já consegue ser totalmente isso...
Há as novas famílias...
E há em toda família uma potência instiutinte inerente a vitalidade insurgente do amor e da solidariedade.
Como quebrar o instituído e liberar na família esta força insituinte, permitinto-a um verdadeiro e intenso re-canto do amor?
Tudo se coloca na dependência de mudanças insurgentes que irão permitir que a vida possa fluir sem a asfixia da opressão e sem o individualismo que desperta no homem a competição e o egoísmo.
Há de se transversalizar as relações, através do diálogo e da escuta, das trocas solidárias e da compreensão de cada pessoa guarda a própria singularidade.
Cada vida é um destino que se tece juntos, porém, que não pode ser imposto...
Uma família se constituirá amorosa e generosa substituindo os valores que a norteiam no dia-a-dia.
Liberdade e respeito mútuo no lugar de autoritarismo e medo...
Carinho e amor no lugar de rigidez e inflexibilidade...
Se educamos nossos filhos, podemos educá-los para que sejam nossas cópias e nossas projeções ou para que sejam éticos, com valores de solidariedade e não-violência, respeito aos outros e   generosidade, ternura e amor...
Se o fazemos crer que eles são e que nós somos melhores do que os outros, eles reproduzirão condutas microfascistas.
Contudo, se os educamos na compreensão de que somos uma comunidade, humanidade, de direitos humanos e de direitos à diferença, eles florescerão amáveis e tolerantes, com práticas de inclusão social e com espírito de partilha.
Serão nossos companheiros e companheiros da vida.
Uma família instituinte vive a solidariedade e a liberdade, sem que os pais abdiquem da sua função... É possível educar e cuidar sem violentar as singularidades que ali vão se desenhando.
Se na família-instituição a amálgama é o poder, na instituinte, é o amor que agrega e faz viver...
Não desistamos do que pode o amor...
Deste modo, revigoraremos a família, agora, não como um locus da exclusão e da normatização; mas, sim, como um escola da vida que se afirma no amor e na solidariedade, no respeito e na cidadania... Uma afirmação da vida como vida de todos e para todos..
Um novo tempo... Novas famílias...  a construção de um re-canto de amor e paz: eis um sonhoe uma necessidade de todos nós e uma resposta as nossas contínuas e amargas lágrimas nas dores da convivência com os que tanto amamos...

8 comentários:

Tânia Marques disse...

JORGE, UM DEVIR-FAMÍLIA EM CONSTRUÇÃO.Hoje a família apresenta várias configurações diferentes, é um outro existir de família que prepondera, não mais exclusivamente centrada em apenas uma célula núcleo. Há uma mescla de células familiares que se extinguem e se acoplam a outras, filhos de vários encontros familiares têm de aprenderem a conviver com todos ao mesmo tempo em que antes eram estranhos. Beijos

Adilson - Rio de Janeiro - Brazil disse...

Maravilha de texto Jorge .... pbens ...olha eu vi seu convite depois ...mas aceito participar sim dos bons encontros ...ai vai meu email Adilson3054@hotmail.com
abraços

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Tânia, a Roberta Drummond tem uma tese maravilhosa sobre as novas famílias; irei fazer logo uma postagem sobre o tema... Abraços com ternura, jorge

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Adilson, um abraço. Elaborarei as preguntas com alegriae lhe enviarei... Valeu! um carinhoso abraço. jorge

Anônimo disse...

Dr.Jorge,
Vc disse que não é católico.
Vc é o que?
bjo de

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

Denise, você sabe que sou Jorge... Solcialista libertário, que amo poesia e que gosto de samba... Minha fé? sou espírita, pore´m, com profundo amor a muita gente e muita coisa do catolicismo...como admiro as tradições zen budistas e as afro...
Abraços, Jorge

Anônimo disse...

Dr.Jorge,
Como funciona o socialismo libertário?
Eu sou espirita tranquila e respeito o zen budismo.Samba não me encanta,não tem melodia,enfim adoro musica americana,inglesa.O que vc gosta do catolicismo?
Ah, com a sua licença,sinto muito,
mas eu adoro você.Bjo da sua amiga De

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

DENISE: SOCIALISMO COM LIBERDADE E AUTOGESTÃO,DIREITOS HUMANOSE DIRETOÀ DIFERENÇA, ARTE E CRIATIVIDADE... GESTÃO COM TRANSVERSALIDADE E VIDA DE COOPERAÇÃO, PARTILHA E SOLIDARIEDADE...
CARTOLA É UM GÊNIO...
DA OPÇÃO PELOS OPRIMIDOS E DO COMPROMISSO COM AS LUTAS DE LIBERTAÇÃO; O TRABALHO NA PERIFERIA E A DIGNIDADE DE VIDAS DOADOS AO OUTRO...
ABRAÇOS, JORGE