terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

DIÁRIO DE BORDO: OS HORIZONTES DO LUAR...

                                           Jorge Bichuetti

Há na linha do horinzonte uma multiplicidade de luares...
Há uma multiplicidade de horizontes no coração de cada luar...
Cada luar, oculta e revela:
- uma linha de ternura, magia, meiguice e poesia;
- uma linha de serenidade, meditação, transcendência, prece, mandiga e louvação;
- uma linha de desejos, prazeres, sensualidade e paixão;
- e uma linha de liberdade, utopia, sonhos floridos de porvir...
Nós e o mundo, todos e tudo, nos compomos de complexo e diversa multiplicidade.
Um único olho... Uma única mirada... uma escolhida ilusão...
Há a vida com os es... Uma vida que se evita restritiva e absoluta... Não se aprisiona nos mecanismos reducionistas que a quer una e verdadeira, quando ela se ramifica e se multiplica como potência primeira da própria vida sem cercas, sem grades, sem uniformização, e sem as sórdidas barreiras da soberania de uma verdade, excludente dos múltiplos olhares e das multipla íris que a reinventa e a diversifica, como vidas novas .. novos luares na imensidão...
Somos singulares... E somos a singularidade que se dá na multiplicidade...
Eis a nossa potência...
Nosso voo sem limites...
Nossos sonhos sem o medo e sem uma vã covardia...
Nossa vida liberta.. Vida pontecializada nos n horizontes do luar...
                                                    ***
Todo dia, eu me pego tentando me entender...
O mundo classifica tudo. tudo pode ser nomeado e definido uma palavra...
Uma crença, uma seita, nossa profissão, nossos ideais, nosso time do coração...
Com um ismo, um ano, ou com um ense... acreditamos dar conta de dizer o que o outro é e o que somos...
Devo ser louco!... pois guardo comigo uma infinitude de ismos, anos  e enses.
Cristão, profundo respeito ao Homem-Amor;
Marxista, radical defesa da lutas libertárias;
Trotskista e guevarista, zapatista e corinthiano... Zen-budista e amante dos orixás...
Surrealista. Poeta, amigo e enamorado...  De Rosa, Pessoa e da Lua, da lua e dos luares...
Mangueira, minha escola... Psicoterapia, minha arte de irmão...
Esquizoanalista e andarilho... Amo o vento e as flores, as estrelas me fascinam e os passarinhos são mebros guerreiros da minha tribo de vida, de vida que sonha e canta com um porvir de liberdade e samba no altar da minha Estação- Mangueira...
Somos multiplicidade... N horizontes e n luares...
                                                 ***
Antes, pensava que a autenticidade deuma vida eera dada pela sua coerência. Isso a fazia forte e audaz...
Hoje, creio, e creio vivendo o ofício de cuidar, que apotência nasce da multiplicidade.. Da heterodoxia... do ecletismo... Roubando de cada canto, um encanto; vamos montando nossa caixa-de -ferramentas e, assim, inventando uma possibilidade algo fazer na opotência amorosa do viver e do con-viver, do dar-se e do acolher...
                                                ***
A vida é dura... Egito em chamas... E os galpões das Escolas Portela, União da Ilha e Grande Rio.ardem num incêndio acidental que rasgou muitas fansiando, queimandoilusões e deixando a cinzas da fatalidade...
O Congresso e as Centrais Siondicais negociam o salário mínimo... e cargos.
A vida é dura... apagões anunciam a crise energética...
A vida é dura...
                                              ***
A vida é dura.. Não a venceremos, porém, se não inventarmos uma nova suavidade....

2 comentários:

Marta Rúbia de Rezende disse...

A vida é dura, Jorge querido, porque somos fracos. Toda a máquina do poder e da cultura, com raras excessões, está voltada a formar, produzir, reproduzir homens e mulheres sem vontade e cheios de falta e ilusão. Vida doente. É o que não pára de produzir e reproduzir os sistemas do poder e do negócio. Por isso, há farmácia em todas as esquinas... E um sistema estúpido de saúde pública e privado em que os cidadãos, já pela linguagem, demonstram a servidão: "passar no médico", "pegar remédio". Corpos lúgubres. Peles amareladas. Olhares tristes. É o que mais vemos, especialmente os adultos, os mais velhos, tão maltratados, tão maltratantes. Mas, o que será que fizemos para merecer tanta expiação? Filas e filas de crucificados. Filas e filas de camelos. Filas e filas de burros.

Mas, a vida não está morta. Há devires interessantes na humanidade. Laboratórios de experimentação. Novos pensamentos. Formas de amor realmente livres e supremas. Inteligência coletiva ativa alí, aqui e acolá. Resistências. Lutas. Máquinas de guerra pela vida. É como o blog Utopia Ativa. Cheio de poesia. Uma beleza. Uma pérola num oceano de pérolas, de rosas, pássaros, poetas, cavalos alados, tigres, amores, lutas, contra-palavras de ordem, sonhos, resistência, sociedade de amigos, projetos,denúncia, solidariedade, bondade, debate, acolhimento, esperança.

beijo
Marta

Jorge Bichuetti - Utopia Ativa disse...

MARTA, SEU CARINHO ME SUSTENTA E AS TROCAS COM VOCÊ ME ENRIQUECEM MUITO...
ALGUMAS LEITURAS ANTIGAS SÃO AINDA FORTES PARA MIM: O VELHO MARCUSE E SUA IDEIA DOS CORPOS SERVIS...
SOMOS HOMENS CINZENTOS, DE TERNO EGRAVATA; ESCONDENDO DE NÓS MESMOS AS ASAS DE UM PASSARINHO...
FUGIMOS DOS DEVIRES POR MEDO LIMITE, DA FRONTEIRA... OU POR PURA ACOMODAÇÃO....
E SEM ODEVIR, VEMOS NÓS E OS OUTROS, REPROZINDO A VIOL~ENCIA QUE FALA FANNON NO LIVRO OS CONDENADOS DA TERRA...
PRECISAMOS APRENDER A DELEUZEAR ... O QUE HÁ DE BOM...
e SE ESCAPAR DOS MALES E ATROPELOS DA VIDA-CAMINHADA.
TE ADORO,cOM CARINHO,
JORGE